22 de mar de 2017

Eufemismos contábeis

Ao ler uns textos escritos por autores formados na área de Contabilidade, vejo que a referência mais comum ao que ocorreu em 1964 no Brasil fala em movimento e não em golpe militar. É para se pensar... Será que os contadores gostam de utilizar palavras mais leves para se referir a fatos graves? 
Eufemismos contábeis!
Um dos atuais ministros do STF, mesmo sem ser contador, usa eufemismos com certa frequência. Um exemplo é quando diz que Caixa 2 não é corrupção ou ainda é uma opção das empresas para evitar exposição demasiada.

2 comentários:

  1. Há 50 anos, no dia 31 de março de 1964, algo aconteceu no Brasil, que alterou a evolução e os rumos dos acontecimentos que antecederam essa data, e determinou muitos acontecimentos, os rumos do povo brasileiro e o futuro do país.
    Esse movimento ideológico, político, social e militar, passou a ser denominado por alguns como Revolução, e por outros como Golpe, de acordo com suas convicções, interpretações e, obviamente, interesses.
    Em minha opinião, esse movimento não foi nem uma Revolução, e nem um Golpe, em minha opinião, foi um Contragolpe.
    Essa é a tese que exponho e defendo, e que compartilho com todos aqueles que querem realmente conhecer a verdade dos fatos, independente de suas crenças e convicções.
    Meu objetivo através dessa tese, não é convencer e mudar o pensamento dos que, por falta de pesquisar e estudar livremente, e refletir de forma honesta e racional, sobre os acontecimentos de 1964, aceitaram e aceitam, como verdade absoluta, o Movimento de 1964 como um Golpe.
    Também não pretendo convencer e mudar o pensamento daqueles que, por alinhamento ideológico, ou qualquer tipo de interesse ou dependência, afirmam que 1964 foi um Golpe.
    Meu único objetivo é possibilitar, que aqueles que foram ensinados e doutrinados por seus professores, parentes, amigos ou pela mídia, que o Movimento de 1964 foi um Golpe desfechado pelos bandidos contra os mocinhos, possam receber informações exatas e objetivas e, com esse novo conhecimento, poder traçar o rumo de suas vidas e, quem sabe, de seu país.
    Para facilitar a leitura e melhorar a compreensão do texto, vou dividi-lo em tópicos numerados.
    01. Para entender os fatos históricos e nos aproximar o mais possível da realidade, temos que interpretar os fatos sem paixões de ordem filosófica, religiosa ou ideológica. E, o mais importante, estudar os fatos o mais próximo possível do contexto da época em que os fatos aconteceram.
    02. É importante também, analisar um fato (nesse caso, o denominado Golpe), compreendendo que esse fato está, obviamente, ligado aos fatos que o antecederam e produziram, e que este fato, provocou outros acontecimentos ou fatos que lhe sucederam. E temos que realizar essa análise de forma objetiva, ou seja, focando, compreendendo e julgando o fato em questão, e só nele.
    03. Dessa forma, milhões de pessoas no Brasil tem sido ensinadas e doutrinadas durante décadas, a aceitarem como verdade absoluta, que o que aconteceu em 31 de março de 1964 no Brasil foi um Golpe Militar desfechado contra inocentes idealistas, que sonhavam com um mundo justo, livre e igualitário, e que em seguida a esse Golpe, os militares fascistas instalaram uma sanguinária ditadura no país, matando e torturando pessoas que amavam sua pátria, suas famílias e o povo brasileiro, e ponto final. Por conveniência de alguns, dois acontecimentos se tornaram um só: o Golpe de 31 de Março e a Ditadura que se seguiu.
    04. Não foi bem assim… então, o que realmente aconteceu em 31 de março de 1964 ?
    05. Para que você entenda exatamente o que aconteceu em 1964 no Brasil, você tem que saber um pouco de História. Tem que saber que em 21 de Fevereiro de 1848 Karl Marx e Engels desenvolveram uma tese onde interpretaram o mundo e a vida, resumidamente, como uma luta de classes sociais, onde os mais fortes e poderosos escravizavam e exploravam os mais fracos (mais ou menos como o ensinado por Charles Darwin). Marx e Engels então chegaram a conclusão que uma dessas classes era a que produzia os bens e que, portanto, essa classe é quem deveria reinar absoluta, não seus exploradores. Claro que Marx e Engels não acreditavam numa cooperação e integração entre as classes.

    Texto completo em: http://clubemilitar.com.br/1964-foi-um-golpe-revolucao-ou-contragolpe-jenyberto-pizzotti/

    Jenyberto Pizzotti é empresário, consultor de marketing e jornalista

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  2. Não há nada mais ideológico do que a alegação de "objetividade". Se o autor e o reprodutor do texto acima quisessem realmente ser "objetivos", deveriam primeiramente ler com atenção a obra de Marx, para não falarem tantas bobagens.

    Quanto à relação entre contabilidade e ditadura, não sei exatamente quais são os autores que tens lido, companheira, mas até posso imaginar.

    E é preciso ter em mente que a regulação contábil brasileira, tal qual a conhecemos hoje, foi estruturada durante a ditadura: a 4.320 foi promulgada dias antes do golpe; e o Bacen, a SUSEP, a CVM e a 6.404 foram obra do regime.

    A 6.404, especificamente, só foi viável devido à prevalência de um regime de exceção, pois havia forte oposição de empresários e da maior parte da profissão contábil a ela. No entanto, a área econômica do governo havia decidido incentivar o mercado de capitais, e a enfiou goela abaixo... E nisso contou com o auxílio de uma parcela da comunidade contábil que, com o passar dos anos, tornou-se dominante no campo da regulação contábil.

    Assim, a colaboração com a ditadura foi fundamental para que o grupo dominante no campo da contabilidade brasileira conquistasse essa dominância. Com isso, acho provável que este eufemismo tenha por trás um alinhamento ideológico ao regime, mas isso é uma hipótese que carece de maiores investigações.

    Já tenho inclusa na minha agenda de pesquisa, para a vida após o doutorado, investigar esta relação entre a contabilidade e a ditadura em maior profundidade, para desmistificar a ideia, tão recorrentemente defendida na literatura contábil escrita e/ou influenciada por agentes que colaboraram com a ditadura, de que a 6.404 foi uma "evolução natural" da regulação contábil brasileira.

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“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)