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22 de mar. de 2017

Eufemismos contábeis

Ao ler uns textos escritos por autores formados na área de Contabilidade, vejo que a referência mais comum ao que ocorreu em 1964 no Brasil fala em movimento e não em golpe militar. É para se pensar... Será que os contadores gostam de utilizar palavras mais leves para se referir a fatos graves? 
Eufemismos contábeis!
Um dos atuais ministros do STF, mesmo sem ser contador, usa eufemismos com certa frequência. Um exemplo é quando diz que Caixa 2 não é corrupção ou ainda é uma opção das empresas para evitar exposição demasiada.

Concurso de Monografias - Academia Nacional de Economia

Divulgação:
1º Concurso de Monografias da Academia Nacional de Economia – ANE
Idealizado e instituído pela Academia Nacional de Economia - ANE, o seu 1º Concurso de Monografias, com periodicidade anual, tem por finalidade identificar problemas, propor soluções, estimular a pesquisa e contribuir para o desenvolvimento do conhecimento humano nas áreas das ciências econômicas, políticas e sociais.

Tema geral do concurso: A Economia Verde

Subtemas para as monografias:
1 - A Atualização do Direito Tributário frente a Economia Verde
2 - Economia Verde e Desenvolvimento Sócio econômico
3 - A Economia Verde e o Desenvolvimento de Cidades Inteligentes
4 - A Mudança de Comportamento dos Agentes Econômicos na Transição para a Economia Verde
5 - Economia Verde e os Novos Padrões de Produção, Distribuição e Consumo
6 - Economia Verde: Desafios e Oportunidade de Novos Negócios
7 - A Economia Verde e as Necessidades de Adaptações Jurídicas, Tecnológicas e Sociais
8 - A Amazônia e a Economia Verde

Maiores informações e inscrições: http://www.academia-ane.org/detalhes.asp?id=1&programacao=12 

14 de mar. de 2017

27 de dez. de 2016

Contabilidade por Partidas Dobradas

Estou assistindo no Netflix a série The Borgias.

A série é baseada na história da Família Bórgia, uma dinastia italiana de origem espanhola, que tornou-se proeminente durante o Renascimento e que geralmente é lembrada pelo governo corrupto e pela acusação de ter cometido vários crimes, incluindo adultérios, roubos, estupros, corrupção, incestos e assassinatos. A série retrata a ascensão da dinastia Bórgia ao alto clero da Igreja Católica Romana e seus esforços para manter-se no poder, o que culminou com o pontificado do Papa Alexandre VI.

Como sou daquelas que vê Contabilidade em tudo, quando assisti o segundo episódio da segunda temporada, não pude evitar a captura das seguintes falas:






Será que a contabilidade por partidas dobradas ainda é uma ferramenta valiosa para encontrar dinheiro sumido?

21 de dez. de 2016

Roteiro para Revisão de Artigos

Compartilho com os leitores deste blog um roteiro para ajudar revisores na avaliação de artigos. Acredito que o roteiro poder servir também para autoavaliação por parte dos autores antes da submissão de seus papers a eventos e periódicos.


Fonte: Post original do Centro de Informações Nucleares (CIN) divulgado na fanpage Pós-Graduação
Ps: Clique na imagem para ampliar.

12 de out. de 2016

Religiosidade e o raciocínio moral de alunos de Ciências Contábeis

A edição n. 3, v. 35 (2016) da Revista Enfoque: Reflexão Contábil trouxe a publicação de nove artigos inéditos que versam sobre honorários e rodízio de auditoria, value relevance da DRA, sistemas de controle gerencial, avaliação de desempenho, income smoothing e religiosidade e raciocínio moral! Este último tema me chamou a atenção pela inovação. Nada de mais do mesmo!
Em decorrência do tema pouco convencional, destaco o artigo “Um estudo sobre a relação entre a religiosidade e o raciocínio moral dos alunos de Ciências Contábeis”, de autoria de Leandro da Costa Santos e Josedilton Alves Diniz.
Segundo os autores, o estudo teve como objetivo verificar a relação entre a religiosidade e o raciocínio moral dos alunos de Ciências Contábeis. Como procedimento empírico da mensuração da religiosidade usou-se da Escala de Maturidade da Fé, desenvolvida por Benson, Donahue, Erickson (1993). Já a mensuração do raciocínio moral foi realizada a partir da Defining Issues Test -2 elaborado por Rest e Narvaez (1998). 
O estudo foi conduzido para uma amostra de 67 alunos concluintes do curso de Ciências Contábeis de duas universidades da Paraíba, e a confiabilidade interna dos instrumentos de pesquisa foi feita través do modelo definido por Cronbach (1951). Para averiguar a relação entre a religiosidade e o raciocínio moral, os autores utilizaram o coeficiente de correlação não-paramétrico de Spearman. 
Os resultados evidenciaram que a maioria dos respondentes tem sua fé classificada como integrada. Quanto ao raciocínio moral, a maioria dos respondentes foi classificada no nível de manutenção das normas, o que indica que para a maioria dos indivíduos o cumprimento das leis e normas é o mais importante [Resquícios da nossa tradição Code Law?]. Ainda sobre o raciocínio moral, quando se analisou por tipo constatou-se que a maioria dos indivíduos se enquadrara no tipo 2 (Interesse Pessoal, mas em transição), os indivíduos deste tipo quando envolvidos em dilemas morais, tendem a privilegiar seus próprios interesses. 
No que tange a relação entre religiosidade e raciocínio moral, constatou-se que não existem evidências relevantes que a confirme, uma vez que a relação entre ambas as variáveis não se mostrou significativa. [Ou seja: religião não define consciência moral!]

Gostei do estudo! Tema fora da caixinha!

Nobel de Economia

Os ganhadores:
O Prêmio Nobel de Economia 2016 foi concedido a dois professores de economia: Oliver Hart (Universidade de Harvard e Holmström) Bengt Holmström (MIT). Os pesquisadores ganharam o prêmio por suas contribuições para a teoria dos contratos, que têm múltiplas aplicações em diversos contextos da vida real.
O trabalho de Hart tem ajudado a entender quais companhias devem se fundir, além do equilíbrio correto de financiamentos e quando instituições como escolas devem ser privadas ou públicas. Já o de Holmström ajuda a formular contratos para executivos.

O prêmio:
O Nobel de Economia tem uma recompensa de 8 milhões de coroas suecas, equivalente a R$ 3 milhões. O prêmio inclui ainda um diploma e uma medalha de ouro.
O prêmio de Economia é o único que não remonta ao testamento de Alfred Nobel. Denominado oficialmente Prêmio de Ciências Econômicas do Banco Real da Suécia em Memória de Alfred Nobel, foi criado em 1968 pelo Banco Central sueco para comemorar seu tricentenário e concedido pela primeira vez em 1969. As demais categorias do Nobel são concedidas desde 1901.

Justificativas para o prêmio:
-- “As novas ferramentas teóricas criadas por Hart e Holmström são valiosas para a compreensão dos contratos e instituições da vida real, bem como armadilhas potenciais no projeto de contrato”
-- “[O trabalho deles] estabelece uma base intelectual para traçar políticas e para instituições em muitas áreas, da legislação sobre falências a constituições políticas”
-- “A teoria do contrato, desenvolvida pelos premiados, é um amplo marco de análises dos múltiplos aspectos do contrato, como a remuneração dos executivos com base em sua performance, as franquias, os copagamentos nos seguros ou a privatização do setor público”.
-- “Contratos são apenas uma forma incrivelmente poderosa de pensar sobre partes da economia. Eles são fundamentais para toda a ideia de que o comércio é um tomar uma coisa por outra e que há dois lados para uma transação”.
-- O tema de estudo dos premiados talvez seja menos prestigioso que as grandes questões de crescimento, desemprego ou pobreza, razão pela qual não apareciam nas previsões. Mas ambos tiveram o mérito de abrir caminho “a um fértil terreno de pesquisa fundamental”.
-- “Graças à pesquisa de Oliver Hart e Bengt Holmström, temos agora os instrumentos para analisar não apenas os termos financeiros dos contratos, mas também a prestação contratual dos direitos de controle, dos direitos de propriedade e dos direitos de decisão entre as partes”.

Um Nobel de para homens de universidades norte-americanas:
Do total de 78 edições do Nobel de Economia, 56 (72%) foram concedidos a professores que atuam em universidades norte-americanas.
As mulheres permanecem quase ausentes da lista do Nobel de Economia. Apenas uma mulher ganhou a distinção: a norte-americana Elinor Ostrom, em 2009, junto com outro pesquisador dos EUA.

Dez últimos ganhadores do Nobel de Economia:
2016: Oliver Hart e Bengt Holmström, por suas contribuições à teoria dos contratos.
2015: Angus Deaton (Reino Unido-Estados Unidos), por seus estudos sobre “o consumo, a pobreza e o bem-estar”.
2014: Jean Tirole (França), por sua “análise do poder do mercado e de sua regulação”.
2013:  Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre os mercados financeiros.
2012: Lloyd Shapley e Alvin Roth (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre a melhor maneira de adequar a oferta e a demanda em um mercado, com aplicações nas doações de órgãos e na educação.
2011: Thomas Sargent e Christopher Sims (Estados Unidos), por estudos que permitem entender como acontecimentos imprevistos ou políticas programadas influenciam os indicadores macroeconômicos.
2010:  Peter Diamond e Dale Mortensen (Estados Unidos), Christopher Pissarides (Chipre/Reino Unido), um trio que melhorou a análise dos mercados nos quais a oferta e a demanda têm dificuldades para se acoplar, especialmente no mercado de trabalho.
2009: Elinor Ostrom e Oliver Williamson (Estados Unidos), por seus trabalhos separados que mostram que a empresa e as associações de usuários são às vezes mais eficazes que o mercado.
2008: Paul Krugman (Estados Unidos), por seus estudos sobre o comércio internacional.
2007: Leonid Hurwicz, Eric Maskin e Roger Myerson (Estados Unidos), por seus trabalhos baseados nos mecanismos de intercâmbio destinados a melhorar o financiamento dos mercados.


Fonte das informações: G1 

15 de jun. de 2016

Machadianismo

Eu não sei se a cultura machadiana anda em alta, mas fiquei bem curiosa com uma mensgem recebida estes dias:
Abro a caixa de e-mail e tem uma mensagem em que a pessoa se dirige a mim com a expressão "Colenda professora". Hã? A princípio pensei se tratar de um erro de digitação, mas não. O termo existe! Alô, Machado de Assis!!!
Significado de Colenda: feminino de colendo; que é digno de respeito e consideração
‪#‎MachadeDeAssisVive‬

26 de mar. de 2016

Nestes tempos tão difíceis

Nestes tempos tão difíceis. postamos aqui uma texto do grande Bertolt Brecht para inspirar nossas análises e percepção da realidade que nos circunda:


“Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. 
E examinai, sobretudo, o que parece habitual. 
Suplicamos expressamente: Não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.” 

                                           

17 de set. de 2015

Cinco aulas de Gestão Estratégica

1ª AULA:
Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada. Um pequeno coelho vê o corvo e pergunta:
– Eu posso sentar como você e não fazer nada o dia inteiro?
O corvo responde:
– Claro, porque não?
O coelho senta no chão embaixo da árvore e relaxa. De repente uma raposa aparece e come o coelho.
Conclusão: Para ficar sentado sem fazer nada, você deve estar no topo.

2ª AULA
Na África todas as manhãs o veadinho acorda sabendo que deverá conseguir correr mais do que o leão se quiser se manter vivo.
Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deverá correr mais que o veadinho se não quiser morrer de fome.
Conclusão: Não faz diferença se você é veadinho ou leão, quando o sol nascer você tem que começar a correr.

3ª AULA
Dois funcionários e o gerente de uma empresa saem para almoçar e, na rua, encontram uma antiga lâmpada mágica.
Eles esfregam a lâmpada e de dentro dela sai um gênio.
O gênio diz:
– Eu só posso conceder três desejos, então, concederei um a cada um de vocês!
– Eu primeiro, eu primeiro, grita um dos funcionários! Eu quero estar nas Bahamas dirigindo um barco, sem ter nenhuma preocupação na vida... Puff e ele foi.
O outro funcionário se apressa a fazer o seu pedido:
– Eu quero estar no Havaí, com o amor da minha vida e um provimento interminável de pina coladas! Puff, e ele se foi.
Agora você, diz o gênio para o gerente.
– Eu quero aqueles dois folgados de volta ao escritório logo depois do almoço para uma reunião!
Conclusão: Deixe sempre o seu chefe falar primeiro.

4ª AULA
Um padre está dirigindo por uma estrada quando vê uma freira em pé no acostamento. Ele para e oferece uma carona que a freira aceita. Ela entra no carro, cruza as pernas revelando suas lindas pernas. O padre se descontrola e quase bate com o carro. Depois de conseguir controlar o carro e evitar acidente ele não resiste e coloca a mão na perna da freira. A freira olha para ele e diz:
– Padre, lembre-se do Salmo 129!
O padre sem graça se desculpa:
– Desculpe Irmã, a carne é fraca... E tira a mão da perna da freira.
Mais uma vez a freira diz:
– Padre, lembre-se do Salmo 129!
Chegando ao seu destino a freira agradece e, com um sorriso enigmático, desce do carro e entra no convento. Assim que chega à igreja o padre corre para as Escrituras para ler o Salmo 129, que diz:
“Vá em frente, persista, mais acima encontrarás a glória do paraíso”.
Conclusão: Se você não está bem informado sobre o seu trabalho, você pode perder excelentes oportunidades.

5ª AULA
Um fazendeiro resolve colher algumas frutas em sua propriedade, pega um balde vazio e segue rumo às árvores frutíferas. No caminho, ao passar por uma lagoa, ouve vozes femininas e acha que provavelmente algumas mulheres invadiram suas terras. Ao se aproximar lentamente, observa várias belas garotas nuas se banhando na lagoa. Quando elas percebem a sua presença, nadam até a parte mais profunda da lagoa e gritam:
– Nós não vamos sair daqui enquanto você não deixar de nos espiar e for embora.
O fazendeiro responde:
– Eu não vim aqui para espiar vocês, eu só vim alimentar os jacarés!
Conclusão: A criatividade é o que faz a diferença na hora de atingirmos nossos objetivos mais rapidamente.


Nota: Autoria desconhecida. Recebi de uma amiga por email.

Entrevista ao Blog Contabilidade Financeira

Entrevista concedida ao prestigiado Blog Contabilidade Financeira.
Obrigada Isabel Sales, pela oportunidade!

Sobre o doutorado, a tese e a contabilidade pública...
Blog_CF: Cláudia, parabéns pela conquista do título de doutora, percorrendo uma caminhada com suas sinuosidades e momentos ásperos, mas certamente gratificante. 


Cláudia: Obrigada! Quando a gente se propõe a abraçar um desafio geralmente pensa nos sacrifícios que terá que fazer em busca dos benefícios pretendidos. Mas em alguns desafios, os sacrifícios são muito maiores do que aqueles inicialmente imaginados. Com o Doutorado foi assim. Mas também sou muito grata pela oportunidade de cursar o Doutorado na melhor instituição de ensino que temos no Brasil. As experiências vividas, as aulas, discussões, oportunidades de pesquisa foram singulares e contribuíram muito para a minha formação. Lembro-me da alegria de ter sido aprovada para ingresso na turma 2011 no PPGCC/FEA/USP, mas guardarei com alegria redobrada o anúncio da aprovação da tese por parte da banca. Um dia incrivelmente feliz! Agora que o Lattes já está atualizado, a ideia é tentar viver uma vida [academicamente] normal!

Blog_CF: O seu doutorado foi finalizado em 2015, com a defesa da sua tese. Para tecê-la, você utilizou dados primários, o que significa você ter ido buscar os dados na fonte para criar a sua base de trabalho. Enquanto você trabalhava, também publicava algumas descobertas nas redes sociais, como um prefeito que adotava a “gestão com carinho” (Feira de Santana), um ano com quatro quadrimestres (Maranhão), além do município muito “criativo” (não divulgado) com pouco mais de 180 mil habitantes e com 33 secretarias municipais. De todo esse universo que a sua tese te introduziu, quais as suas histórias preferidas?

Cláudia: O município criativo foi Cabo Frio (RJ)! A experiência de coleta de dados para a tese foi uma experiência de pesquisa em toda a extensão do termo. Foi um período de garimpar dados! A minha opção por ênfase de pesquisas na área pública se deu desde a graduação e prossigo na crença de que se trata de uma área promissora, mas carente de pesquisas. Um dos motivos é ausência de bases de dados consolidados, a exemplo da Economatica, com dados de companhias abertas. Eu gostaria de contribuir um dia para a construção de uma espécie de Economatica do Setor Público. 

Algumas das descobertas durante a coleta de dados, principalmente nos sites das prefeituras, não estavam necessariamente relacionadas aos objetivos da pesquisa da tese, mas achei interessante registrar para partilhar com outras pessoas as dificuldades de se encontrar dados públicos no Brasil. Lembro-me de casos de secretários municipais com título de doutor e currículo Lattes atualizado (coisa que muitos professores não têm!). Eu destaquei as descobertas que me pareceram interessantes, mas outras tantas me causaram alegria como cidadã brasileira, por ver portais de prefeituras atualizados, com canais de comunicação com o cidadão, com informações divulgadas de forma completa e atualizada, mas também outras trouxeram um sentimento de frustração, como casos de municípios sem portal eletrônico na era da transparência e do acesso à informação.

Blog_CF: O prefeito Marcelo Pereira, de São José do Belmonte (Pernambuco), teve as contas de 2013 rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Em uma entrevista publicada em 12 de agosto pelo Farol de Notícias, Marcelo afirmou que, pelos municípios não possuírem renda própria é “impossível manter a máquina funcionando”. Segundo ele, o que ocorre nos municípios hoje é que “[...] você tem que dar um aumento de salários todo mês de janeiro, esse aumento de salário é obrigatório por lei. Então você não pode se negar a dar 13,8% aos professores, [além do] aumento do salário mínimo. Como é que a gente vai bater essa conta se a receita diminui e aumenta a folha de salário?” O que você acha dessa postura e qual a sua opinião sobre o impacto da Lei de Responsabilidade Fiscal nos Municípios? 

Cláudia: Eu não concordo com a postura deste prefeito, uma vez que, infelizmente, em nosso país os recursos públicos, em muitos entes, ainda não são aplicados de forma eficiente. Os municípios possuem competência tributária, garantida na Constituição Federal, ainda que reduzida em relação aos demais entes. Porém muitos municípios brasileiros têm apresentado o fenômeno da chamada ‘preguiça fiscal’, pois instituir e arrecadar tributos são um mecanismo impopular e que tira votos, principalmente em municípios pequenos, onde as relações entre eleitos e eleitores são muito próximas. Assim, muitos entes sobrevivem apenas das transferências constitucionais dos Estados e da União. Eu defendo que não deveriam ser criados ou permitidos municípios que não têm base econômica para arrecadar e nem capacidade técnica mínima de gestão. No Brasil, pouco mais de 10% dos municípios têm população superior a 100 mil habitantes. Ou seja, quase 90% dos municípios são pequenos ou muito pequenos e muitas vezes não têm base econômica mínima para se manter, custear as despesas municipais mínimas.

Quanto ao aumento da renumeração dos professores, com percentual fixo de aumento no mês de janeiro, desconheço essa obrigatoriedade. Mas o gestor poderia informar também qual o valor gasto com a remuneração dos vereadores, secretários e cargos em comissão do município. Talvez um levantamento criterioso das despesas municípios revele áreas com recursos empregados de forma eficiente e exagerada e sobre recursos para a educação e o ente passe a ser um ‘município educador’.

Quanto ao impacto da LRF nas finanças municipais, os resultados da minha tese me permitiram umas considerações interessantes, mas desanimadoras. Embora muito se discuta sobre a rigidez das regras fiscais da LRF, eu considero alguns limites bastante confortáveis, para não dizer maternais, principalmente pelo pouco ou zero esforço que muitos entes têm que fazer para cumprir os limites. Exceção apenas para as despesas com pessoal, que é o limite mais rígido da LRF para municípios, mas ainda assim há casos de municípios com margem bastante folgada em relação ao limite máximo.

Em relação às metas fiscais, de resultado nominal e resultado primário, os valores alcançados pelos municípios são extremamente discrepantes das metas estabelecidas. Minha opinião inicial está focada na imperícia do planejamento por parte dos municípios. É lógico que orçamentos e planejamentos mal formulados não contribuem para o alcance da almejada responsabilidade na gestão fiscal.

Sobre Contabilidade


Blog_CF: O que você acha do universo contábil online brasileiro? Que dicas você daria para quem está começando, quais foram os seus maiores erros e acertos?

Cláudia: Eu considero que o universo contábil brasileiro está passando por uma fase ímpar, de valorização da área profissional. Para que isso não seja apenas uma onda, é necessário reestruturação dos cursos e melhoria na qualidade da formação. É preciso coragem para admitir que a formação ainda é bastante deficiente e mais coragem ainda para implementar as mudanças necessárias.

Meus maiores erros e acertos na Graduação em Ciências Contábeis:
Acertos: Querer viver o curso; envolvimento precoce com o Centro Acadêmico e com um núcleo de pesquisa; Dedicação a disciplinas menos próximas da área contábil: Filosofia, Sociologia, Ciência Política... Isso me fez abrir a cabeça, pensar fora da caixinha... Eu também gostava muito de estudar, de verdade! Para mim, poder estudar na melhor universidade da região onde morava e ainda uma instituição pública foi uma grande oportunidade que agarrei com unhas e dentes! 
Erros: Poderia ter me dedicado mais às disciplinas da área de economia e métodos quantitativos e aproveitado mais as festas na Universidade, mas eu sempre tinha algo para estudar.

Dicas para quem estar começando o curso de Ciências Contábeis: 1) Só curse se realmente quiser e gostar da área; 2) Estude e aprenda e leia e fale e escreva e compreenda no mínimo Inglês; 3) Estude métodos quantitativos com vontade, como se estivesse cursando Engenharia; 4) Dedicação extra às disciplinas da área de Economia; 5) Se puder, não trabalhe durante o curso, dedique-se apenas aos estudos; 6) Procure se envolver com pesquisa e iniciação científica; 7) Participe dos eventos do curso (seminários, congressos,...) e de outros cursos também; 8) Estagie apenas no último ano e em uma empresa que possa atuar na área que mais gostou no curso; 9) Faça monografia com vontade, na área que mais despertou interesse durante o curso; e 10) Acompanhe os blogs Contabilidade Financeira e Ideias Contábeis e curta nossas fanpages no Facebook!

RAPIDINHAS:
Último livro que leu: Cem Anos de Solidão – Gabriel García Marquez

Série preferida: Prison Break, a inteligência do Michael Scofield é fascinante.

Música que tem escutado ultimamente: Duas: I follow rivers - Lykke Li e A Sky Full of Stars - Coldplay

Esporte preferido para assistir? E para praticar? Assistir: Futebol (Flamengo no Maracanã) Praticar: Corrida (no Aterro do Flamengo... Corri minha primeira Meia Maratona há duas semanas, foi incrível!)

Algo que te inspira: Meditação

Algo que te faz perder a paciência: Falta de eficiência e quando as coisas não funcionam direito, como deveriam.

Para onde você gostaria de viajar? Alguns países da América Latina com uma mochila nas costas. Eu li As veias abertas da América Latina e, embora o Galeano tenha dita que o escreveria diferente, tenho muita vontade de percorrer este chão e conhecer um pouco mais esta gente. 

Como você descreve “lar”? Saudade da família em Feira de Santana e possibilidade de construir outro a partir das minhas próprias escolhas.

Qual a sua pergunta favorita ao conversar com outra pessoa? “Como vai você? Eu preciso saber da sua vida...”

22 de jul. de 2015

O preço do cinema

O Infomoney divulgou esta semana uma matéria [Não existe pipoca grátis! O terror da meia entrada...] sobre a formação do preço do ingresso no cinema, com destaque para a influência da meia entrada estudantil, e também quantas horas, em média, as pessoas precisam trabalhar para pagar o ingresso em alguns países. E adivinhem? 
Em um rol de 19 países, o Brasil tem o 4º ingresso de cinema mais caro do mundo!

O gráfico a seguir mostra, em horas de trabalho, o preço do ingresso do cinema nos países pesquisados.
Não existe pipoca grátis! O terror da meia entrada... - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/blogs/terraco-economico/post/4157618/nao-existe-pipoca-gratis-terror-meia-entrada

Gráfico: Horas médias trabalhadas para se comprar um ingresso de cinema.
Não existe pipoca grátis! O terror da meia entrada... - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/blogs/terraco-economico/post/4157618/nao-existe-pipoca-gratis-terror-meia-entrada
Se não existe almoço e nem pipoca grátis, imagina se vai existir cinema efetivamente pela metade do preço!
Não existe pipoca grátis! O terror da meia entrada... - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/blogs/terraco-economico/post/4157618/nao-existe-pipoca-gratis-terror-meia-entrada
Não existe pipoca grátis! O terror da meia entrada... - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/blogs/terraco-economico/post/4157618/nao-existe-pipoca-gratis-terror-meia-entrada

12 de jun. de 2015

Origem comercial do Dia dos Namorados

Origem do 12 de junho no Brasil:
Para quem está pensando em ficar triste por não ter um par, não fique... As alegrias deste dia não são para os casais e sim para o COMÉRCIO. 

No Brasil, O DIA TEVE ORIGEM COMERCIAL, em 1948, quando a rede de lojas Clipper percebeu que DURANTE O MÊS DE JUNHO SEMPRE OCORRIA UMA QUEDA NAS VENDAS RELACIONADA À AUSÊNCIA DE UMA DATA COMEMORATIVA NO MÊS. 
Para reverter essa situação, a empresa contratou o publicitário João Dória, que teve a ideia de copiar o Valentine’s Day e escolheu o dia 12 de junho para as comemorações. A data não foi escolhida por acaso. No Brasil, as mulheres, esperançosas na busca de um amor, homenageiam Santo Antônio, o “santo casamenteiro”, no dia 13 de junho. 
A estratégia de Dória surtiu efeito com o slogan “não é só com beijos que se prova o amor”, o que ALAVANCOU AS VENDAS DA LOJA e criou a tradicional troca de presentes da data.

Fonte: Infoescola

Relacionamentos e Normas contábeis

Em homenagem às celebrações do dia 12 de junho, republico um texto produzido em 2011 numa tarde quente de janeiro e postado neste blog na época.

Um texto como presentinho de uma professora/contadora/blogueira com um pé imobilizado numa tarde ensolarada de um feriado carioca! Salve São Sebastião! E viva a Contabilidade!

Para quem gosta, conhece ou se interessa pelas novas normas contábeis que estão sendo adotadas no Brasil em convergência com as normas internacionais de Contabilidade e gosta de fazer associações com coisas do cotidiano, seguem algumas reflexões à luz de um relacionamento que a maioria dos homens e mulheres busca, mas esquece que envolve ativos e passivos, ganhos e perdas!

Se você está começando uma relação nova, deve observar a norma CPC 43/IFRS 1 - Adoção Inicial e adotar muita prudência no reconhecimento de ativos e passivos.

Se os dois estão mesmo apaixonados, essa situação deve ser evidenciada com base na norma CPC 04/IAS 38 - Ativo Intangível, porque a paixão não tem substância física, mas faz uma diferença enorme para o “negócio”.

Mas é bom lembrar que em todo negócio sempre há risco. Por isso, mesmo com muitos intangíveis contabilizados, melhor fazer Contratos de Seguro (CPC 11/IFRS 4), para evitar perdas maiores no futuro.

Se o casal está percebendo que ambos estão crescendo com a relação, há uma norma a ser observada: CPC 09 - Demonstração do Valor Adicionado. O que cada um tem adicionado à vida do outro?

Se o casal acha que deve oficializar a relação, no processo de reconhecimento, trata-se de uma Combinação de Negócios (CPC 15/ IFRS 3).

Em relação à evidenciação, precisam avisar a todas as partes interessadas no negócio/casamento (amigos e familiares), então adota-se a norma CPC 05/ IAS 24 - Divulgação sobre Partes Relacionadas.

Mas deve-se reconhecer que o casamento tem um custo a ser partilhado, por isso é imprescindível adotar a norma CPC 08/IAS 39 - Custos de Transação e Prêmios na Emissão de Títulos e Valores Mobiliários.

Porém, se resolverem apenas morar juntos, talvez se deva adotar outra norma: CPC 18/IAS 28 - Investimento em Coligada e em Controlada (vai depender de quem controla quem e em que medida).

Se forem morar juntos, mas a relação for aberta, é necessário observar a norma CPC 19/IAS 31- Investimento em Empreendimento Controlado em Conjunto (Joint Venture).

Em todo o caso, como a essência prevalece sobre a forma legal, casando ou morando juntos, alguma estrutura deve ser criada para a convivência ou andamento do negócio, daí algumas normas são necessárias: CPC 27/IAS 16 - Ativo Imobilizado, CPC 28/IAS 40 - Propriedade para Investimento, CPC 16/IAS 2 - Estoques, CPC 30/IAS 18 - Receitas e CPC 20/IAS 23 - Custos de Empréstimos, que foram tomados para as aquisições.

A evidenciação vai depender do regime de partilha adotado (comunhão total, parcial ou separação de bens): CPC 36/IAS 27 - Demonstrações Consolidadas no primeiro caso e CPC 35/IAS 27 - Demonstrações Separadas, nos demais.

Se a relação estiver rotineira, tem que dar um upgrade, tentar evidenciar o verdadeiro valor de tudo que está envolvido, então se resgata o custo histórico e se efetua um Ajuste a Valor Presente (CPC 12).

Se houver contribuição de terceiros [amigos, familiares, psicólogos] para assegurar a continuidade do negócio, deve-se reconhecer por meio da adoção da norma CPC 07/IAS 20 - Subvenção e Assistência Governamentais.

Se mesmo com upgrades e benefícios negociados [CPC 10/IFRS 2 - Pagamento Baseado em Ações], o negócio/casamento estiver com sua continuidade ameaçada, outras normas devem ser adotadas, porque a maioria das normas é adotada no pressuposto da continuidade.

Se houver negociações favoráveis na tentativa de manter o curso normal das atividades [do casamento], devem ser consideradas as seguintes normas: CPC 23/IAS 8 - Políticas Contábeis, Mudanças de Estimativa e Retificação de Erros e CPC 24/IAS 10 - Eventos Subsequentes.

Caso se conclua que a continuidade do negócio está realmente ameaçada, as partes devem ser prudentes e, mesmo que não seja exatamente o fim do exercício, levantar Demonstrações Intermediárias (CPC 21/IAS 34) de todos os ativos e passivos adquiridos durante o curso normal do casamento e também buscar Informações por Segmento (CPC 22/IFRS 8) a fim de que nenhum passivo ou despesa do negócio fique de fora do inventário.

Após o levantamento dos ativos e passivos conjuntos, para a partilha é muito provável que as partes sejam prudentes e adotem a norma CPC 25/IAS 37 - Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes, provisionando as prováveis perdas.

No processo de separação propriamente dita, há várias normas a serem observadas: CPC 01/IAS 36 - Redução ao Valor Recuperável de Ativos, para que nenhuma das partes seja forçada a um negócio que não seja feito com base no valor justo dos ativos e passivos envolvidos; CPC 03/IAS 7 - Demonstração dos Fluxos de Caixa, que evidencia quem de fato gerou e/ou consumiu o caixa e equivalentes de caixa do negócio. Por fim, deve ser adotada a norma CPC 31/IFRS 5 - Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada.

Após a realização da separação oficial, se uma das partes toma conhecimento de que a outra parte está tentando constituir um novo negócio, deve procurar a terceira parte envolvida e assinar com ela um Contrato de Concessão, nos termos da norma ICPC 01/IFRIC 12. Porém não deve esquecer-se de excluir a cláusula que diz que ao final no prazo da concessão, os ativos retornam ao poder concedente. Lembrete: Na norma que rege os contratos de concessão o que prevalece é o que está no contrato e não a essência!

11 de jun. de 2015

Escassez de contadores e profissionais de finanças nos países

O ManpowerGroup divulgou recentemente os dados são 10º edição da pesquisa anual sobre escassez de talentos. De acordo com a publicação, ao todo, foram ouvidos 41,7 mil profissionais de recursos humanos de 42 países.
No Japão, está difícil contratar engenheiros. No Brasil, profissionais da área técnica são os mais raros. No Canadá, trabalhadores de ofício são os mais buscados no mercado.
Em relação aos engenheiros em falta em vários países do mundo, a pesquisa revela que são os profissionais especializados na área mecânica, elétrica e civil, os mais difíceis de encontrar, segundos os profissionais de RH entrevistados.
Profissionais de TI também estão sendo demandados em vários países desta lista. Desenvolvedores, programadores, administradores de bancos de dados e gestores são os mais raros no mundo, de acordo com o levantamento.
Entre os motivos mais citados para a dificuldade de contratar estão a pouca quantidade de profissionais interessados, a falta de competências técnicas, a ausência de experiência, a falta de habilidades comportamentais e, por fim, pretensões salariais mais altas.
Eu verifiquei a lista dos dez profissionais mais em falta em cada um dos países incluídos na pesquisa, a partir da matéria publicada pela Revista Exame acerca desta pesquisa. Entre os profissionais em falta, identifiquei a categoria de CONTADORES E PROFISSIONAIS DE FINANÇAS e montei a tabela a seguir.
O meu objetivo foi verificar em quais países essa categoria constava como área com dificuldade de contratação pelos profissionais de recursos humanos.

n
País
% dificuldade
posição
n
País
% dificuldade
posição
1
Índia
58
1
22
Israel
39
7
2
Singapura
40
1
23
Eslováquia
28
7
3
República Tcheca
18
3
24
Grécia
59
8
4
Japão
83
4
25
Espanha
14
8
5
Turquia
52
4
26
Brasil
61
9
6
Hungria
47
4
27
Costa Rica
46
9
7
Suíça
41
4
28
Áustria
39
9
8
África do Sul
31
4
29
Canadá
32
9
9
Noruega
30
4
30
Estados Unidos
32
9
10
Bélgica
24
4
31
Peru
68
10
11
Hong Kong
65
5
32
Colômbia
47
10
12
Panamá
46
5
33
Taiwan
57
-
13
Guatemala
44
5
34
Bulgária
50
-
14
Itália
28
5
35
Suécia
39
-
15
Reino Unido
14
5
36
Argentina
37
-
16
Nova Zelândia
51
6
37
França
39
-
17
Alemanha
46
6
38
Eslovênia
27
-
18
Romênia
61
7
39
China
24
-
19
México
54
7
40
Finlândia
22
-
20
Austrália
42
7
41
Holanda
14
-
21
Polônia
41
7

De acordo com os dados da tabela, em 78% dos países pesquisados, a categoria de CONTADORES E PROFISSIONAIS DE FINANÇAS foi apontada como área com dificuldade de contratação.  Na Índia e em Singapura essa categoria está em primeiro lugar em dificuldade de contratação. No Brasil, a categoria ficou em nono lugar em dificuldade de contratação por 61% dos profissionais de recursos humanos.

Para nove dos países pesquisados (22%), a categoria de CONTADORES E PROFISSIONAIS DE FINANÇAS não foi citada entre as dez com maior dificuldade de contratação pelos profissionais de RH. Entre esses países, estão os vizinhos Argentina e Chile.
“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)