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23 de set. de 2015

Mercado Contábil

Sobre o mercado de firmas e escritórios de Contabilidade, para reflexão junto às comemorações pelo Dia do Contador

Economia brasileira atrai escritórios estrangeiros

A contabilidade brasileira vem passando por uma transformação. A implementação do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e do e-Social (unificação do envio de informações trabalhistas e previdenciárias), além das 30 normas tributárias que são editadas diariamente no País, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), contribuem para o cenário de expansão do setor contábil.

“Está ocorrendo uma transformação na metodologia de trabalho dos contadores, principalmente para os escritórios que atendem às pequenas e médias empresas, porque as grandes companhias, que também são afetadas com os novos controles governamentais, estão mais preparadas para as novidades”, de acordo com Zulmir Breda, vice-presidente de desenvolvimento profissional e institucional do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

Esse mercado em ebulição está despertando o interesse de escritórios estrangeiros de contabilidade. “As empresas estrangeiras estão com grande apetite em relação aos escritórios de contabilidade nacionais”, considera Carlos Meni, CEO da WoLters Kluwer Prosoft.

Em maio de 2013, o grupo holandês adquiriu a Prosoft. “No Brasil, o trabalho do contador sempre foi marginalizado, como se tivesse apenas a função de entregar informações ao Fisco. Com isso, os honorários eram baixos e a especialização dos profissionais também”, comenta Meni, ao lembrar que aos poucos isso foi mudando, muito influenciado pelo Sped, que iniciou com o projeto-piloto em 2008 e que levou a toda a transformação do mercado.

Mas essa não foi a única parceria multinacional que ocorreu no mercado contábil nacional nos últimos anos. No início de 2011, a RCS Consultores, fundada por Raul Corrêa da Silva, se juntou à BDO formando a BDO RCS Consultores Independentes, comandada no Brasil por Raul Corrêa e que conta com cerca de mil profissionais nas 21 filiais.

Raul Corrêa considera que para acompanhar todas as mudanças demanda muito investimento e treinamento de equipe. “De uma forma ou de outra, a tendência será para escritórios butiques e para médios e grandes escritórios. Os pequenos não terão condições de competir, assim como em todos os outros mercados. É uma tendência mundial.”

Não são apenas os grandes escritórios que estão na mira dos estrangeiros. Firmas de menor porte também sentem o assédio. A Direto Contabilidade, Gestão e Consultoria, já foi sondada por grupos estrangeiros. “Tem havido bastante movimentação nesse sentido, pois a Contabilidade é um serviço essencial, ou seja, ao abrir uma empresa é preciso contratar um contador para fazer a contabilidade e cuidar das obrigações tributárias e trabalhistas” [Considero que esta visão permanece a ‘darfista’ de sempre!], destaca Silvinei Toffanin, diretor da Direto.

Outra firma que está sentindo o assédio estrangeiro é a JJA Assessoria Fisco Contábil. “Já recebemos pelo menos duas propostas de estrangeiros”, destaca Aédi Cordeiro, diretor da JJA.

Vale ressaltar que há restrições legais para o exercício da profissão por estrangeiros no Brasil, com a necessidade de revalidação de diploma e registro no órgão de classe.
Apesar das aquisições que ocorreram nos últimos anos e do assédio a alguns escritórios, o vice-presidente do CFC considera que não haverá consolidação deste movimento. De acordo com Zulmir Breda, “Temos profissionais suficientes para atender ao mercado nacional. Com a adoção das normas contábeis internacionais pelo Brasil, houve uma grande reciclagem dos profissionais”. [Essa informação não condiz com pesquisas que apontam dificuldades de contratar profissionais contábeis com formação de alto nível...]

Fonte: DCI - Gilmara Santos

26 de jun. de 2015

Sobre Notas Explicativas

Neste vídeo, o prof. Eliseu Martins fala sobre as mudanças nas Notas Explicativas para que estas efetivamente prestem informações adicionais, mais detalhadas acerca das demonstrações contábeis.

Uma leitura atenciosa, baseada em um conhecimento razoável de contabilidade e informações financeiras, pode levar a concluir que as notas explicativas nos relatórios financeiros de algumas companhias brasileiras, em diversos casos, não dizem "nada com nada" e consistem em longas e enfadonhas repetições das normas contábeis. 


O Valor Econômico divulgou uma matéria sobre o assunto, baseada em uma pesquisa feita pela Abrasca. O estudo procurou investigar os primeiros resultados da aplicação da OCPC 07 emitida pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que foi referendada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no final de 2014. A OCPC ­07 procura dar maior clareza para a aplicação da relevância na elaboração das notas.

Alguns trechos da matéria do Valor - Companhias cortam notas explicativas:

Segundo o vice­-presidente da Abrasca Alfried Plöger, que também integra o CPC, a iniciativa brasileira [da pesquisa] servirá como referência no projeto que o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb) prepara sobre divulgação de informações pelas companhias abertas de dezenas de países que adotam o padrão contábil IFRS, já que a extensão e a qualidade das notas explicativas são motivo de atenção em todo o mundo. "Há casos em que a empresa copia o pronunciamento inteiro do CPC, para depois dizer que aquela norma não se aplica a ela", diz Plöger.

A orientação feita pelo CPC não inova em relação ao que dizem as normas, mas deixa as empresas mais seguras sobre a primazia da relevância na decisão de se divulgar uma informação. Isso significa que, mesmo que um pronunciamento contábil estabeleça níveis mínimos de divulgação sobre determinado assunto, a empresa está dispensada de informar esses itens se aquele assunto for irrelevante para o conjunto das demonstrações financeiras.

De acordo com a Abrasca, a redução do tamanho dos balanços decorreu da simplificação e resumo de informações que antes eram detalhadas em excesso, retirada de notas sobre saldos que não eram representativos ou referente a temas que não se aplicavam à empresa e junção de informações que apareciam de forma repetitiva em diferentes notas do balanço.

Na pesquisa, a associação também questionou as empresas se elas tiveram dificuldades com alguns de seus públicos alvo por conta da redução das notas. No relacionamento com os analistas, nenhuma das 30 empresas reportou qualquer problema.

Em relação aos auditores externos, 24 informaram que tiveram dificuldade "pequena" nesse processo, enquanto 5 relataram dificuldade média e, uma, alta.

Nas visão de Plöger, os analistas não reclamam porque quando não entendem algum ponto normalmente tem liberdade para entrar em contato com a área de relações com investidores e questionar a companhia.

Já os auditores, segundo ele, demonstram mais preocupação em aceitar mudanças nas notas porque temem eventuais cobranças do regulador. "Os auditores tem medo que a CVM vá para cima deles", afirma, com a ressalva de que acredita que o temor é infundado, já que a autarquia tem sido "parceira" nesse processo.

O presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), Idésio Coelho, reconhece que esse é um processo de adaptação para os profissionais da área de auditoria, e calcula que vai levar de dois a três anos para haver um resultado mais claro da nova orientação do CPC.

Ele destaca que a CVM tem o hábito de questionar os auditores no Brasil sobre determinadas práticas, mas que, até agora, não houve questionamentos sobre os balanços de empresas que já iniciaram o processo de redução das notas explicativas.

Contudo, Coelho destaca que alguém tem que ser o fiel da balança, e acredita que caberá ao auditor e ao regulador atuar como freio, para evitar excessos, que ainda não estão ocorrendo.

O presidente do Ibracon destaca que também será importante observar o comportamento de outros agentes, como os investidores e as entidades que premiam as empresas pela qualidade da informação do balanço. "Se forem premiadas empresas que não fizeram redução nenhuma será um tremendo desincentivo", afirma Coelho.

29 de mai. de 2015

Normas Internacionais de Contabilidade

Há dois dias, durante uma aula inicial da disciplina Contabilidade Internacional em um curso de pós graduação lato sensu, eu discutia com os alunos o panorama da convergência às chamadas normas internacionais de contabilidade.
Durante as minhas falas, acabei fazendo um paralelo entre a atual disponibilidade de informações financeiras em padrões menos díspares e a redução de barreiras ao acesso a uma série de outras coisas quem permeiam a nossa vida.

E por que esta associação?
Quando eu era adolescente, lá em Feira de Santana-BA, era também uma fiel e apaixonada leitora das obras do Machado de Assis. 
Certo! Mas o que o Machado de Assis tem a ver com Contabilidade Internacional?
Nada!

É que, quando eu lia as obras machadianas pelos idos de 1995-6-7..., ainda não tínhamos acesso tão fácil e imediato quanto hoje a textos, imagens, fotografias, informações, comparações... E em um desses livros, o Machado de Assis, vivendo pelas ruas da então capital federal descrevia as ruas do Rio de Janeiro: a Rua do Ouvidor, a Rua da Quitanda, o Passeio Público, o Catete... A descrição do Machado me despertou o desejo de conhecer estas ruas.

Naquela época não existia Google Maps, ou Google Earth, nem computadores portáteis e smartphones que mostrassem imagens em questão de segundos, em que se pudesse conhecer estes e outros lugares sem ter que estar neles. E eu estava a mais de 1500 km de distância.

Quando eu me mudei para o Rio de Janeiro, pude me familiarizar com as ruas e lugares cantados em prosa pela experiência do Machado de Assis, eu precisei visitar os lugares. Atualmente, os recursos tecnológicos nos permitem conhecer o mundo de dentro de casa, nos permitem visitar o museu do Louvre em Paris mesmo sem nunca ter cruzado o Atlântico.

Mas voltando às Normas Internacionais de Contabilidade...
Digamos que o objetivo ideal de produzir um conjunto de normas internacionais de contabilidade é conhecer as empresas de diversos países do mundo, seu desempenho econômico-financeiro, sua composição patrimonial, sem ter necessariamente que ir nestes países, sem ter que estudar um emaranhado de normas e entender peculiaridades da estrutura legal, institucional e tributária de cada um destes países...

Assim como a Rua do Ouvidor ou o Passeio Público, a informação está logo ali, em uma linguagem menos distante, não precisa cruzar o Atlântico.

Mas até que ponto o conjunto de normas IFRS emitidas pelo IASB podem realmente ser consideradas Normas Internacionais de Contabilidade?

3 de mai. de 2015

Informação do Twitter no Twitter

E quando o tiro sai pela culatra? Ou o peixe morre pela boca e a relevância da informação contábil
Como um tuíte custou US$ 8 bilhões ao Twitter
As ações do Twitter na bolsa de valores caíram 25% na noite de terça-feira por causa de uma única mensagem publicada na rede social. Na hora do fechamento da bolsa, as ações da companhia haviam caído US$ 8 bilhões.
A queda ocorreu porque o ânimo dos investidores foi afetado pela publicação acidental de um balanço de resultados que deveria ter sido apresentado apenas após o fechamento dos mercados. Mas como isso aconteceu? E como isso resultou no nível mais baixo das ações da empresa desde sua estreia no mercado?
O que aconteceu?
O Twitter ia anunciar seus lucros no primeiro trimestre do ano depois do fechamento do pregão de terça-feira em Nova York. Essa prática dá tempo aos investidores para digerir a informação, dormir e depois voltar a negociar no dia seguinte.
Mas alguém pensou que seria uma boa ideia tornar a informação pública antes, na página de relações com investidores da Nasdaq, a bolsa de valores especializada em empresas de tecnologia. Inicialmente, ninguém pareceu notar o erro, até que um tuíte bem colocado chamou a atenção para a informação revelando o desempenho abaixo do esperado do Twitter. Os mercados estavam abertos ainda e o Twitter não teve tempo de apresentar formalmente os resultados com um comunicado para explicá-los.
O tuíte-pivô da brusca queda das ações da empresa veio da Selerity, consultoria que presta um serviço de informações específico para investidores. Ela busca automaticamente documentos, comunicados para a imprensa e informações em redes sociais que possam ser úteis para os investidores. Envia então a seus assinantes o que chama de "inteligência" processada em tempo real. Neste caso, a informação repassada veio da página da Nasdaq no Twitter. A Selerity também divulgou a fonte da informação, para afirmar que era legítima.
As ações do Twitter caíram 6% antes que as negociações dos papéis fossem momentaneamente suspensas. Quando elas foram retomadas, tinham caído mais 19%, antes de terminar o dia em queda de 18%.
De quem é a culpa?
O deslize parece ter sido da Nasdaq, depois que o Twitter entregou à bolsa detalhes de seus rendimentos antes de estarem prontos para a publicação oficial. É como um site ou jornal violando um relatório embargado até um horário específico.
O fator-chave no incidente foi um computador da Selerity que faz busca na rede mundial de computadores em busca de informações financeiras importantes. Foi esse aparelho que encontrou a mensagem.
A Selerity diz que as pessoas ficaram sabendo da informação através da própria rede do Twitter. Mas não rompeu nenhuma regra porque os resultados já haviam sido publicados e eram considerados de domínio público.
A Nasdaq culpou uma divisão sua chamada de Shareholder.com, que presta serviços para investidores. "A publicação foi provocada por um problema operativo que expôs o comunicado na página de relações com investidores de Twitter durante cerca de 45 segundos", disse a Nasdaq. "Durante esses segundos, o site foi captado por um terceiro que difundiu publicamente a informação", disse.
Não é a primeira vez
Não se trata da primeira vez que isso acontece. Há seis meses, a Nasdaq publicou acidentalmente os resultados do banco JP Morgan horas antes do encerramento das negociações da bolsa de valores.
A Selerity também se envolveu em um episódio similar. Em 2011, ela obrigou a Microsoft a publicar um comunicado oficial com seu resultado financeiro ao descobrir que os dados já estavam disponíveis em uma parte pouco acessada de seu site.
Mas o vazamento do tuíte não foi o único culpado pela queda nas ações do Twitter. Os resultados do primeiro trimestre foram claramente decepcionantes. Os lucros foram US$ 20 milhões abaixo dos US$ 456 milhões esperados por analistas. As previsões de rendimentos futuros também foram reduzidas. O presidente-executivo do Twitter, Dick Costolo, se disse decepcionado com as cifras.
Por outro lado, a rede social anunciou novidades positivas. Seu conteúdo está mais integrado com as buscas do Google e a empresa negocia com a Apple integração semelhante. Além disso, há planos para que as linhas do tempo das páginas dos usuários sejam programadas para destacar as publicações mais importantes das contas que seguem. O que significa dizer que na timeline de quem segue a conta da empresa Twitter, deverão aparecer postagens da Selerity.


Texto de Dan Simmons – BBC Brasil – 30/04/2015

29 de abr. de 2015

Petrobras: Conselho de Administração

Um contador-professor ou professor-contador no Conselho de Administração da Petrobras: o professor Nelson Carvalho, da FEA/USP


A União decidiu alterar os nomes de três dos sete membros que tem direito a indicar para a Conselho de Administração da Petrobras. Entraram na lista Luis Nelson Guedes de Carvalho, professor da USP especializado em contabilidade e auditoria; Segen Estefen, da COPPE/UFRJ; e Roberto da Cunha Castello Branco, ex-diretor Financeiro da Vale e hoje na Fundação Getulio Vargas (FGV). Eles vão entrar no lugar de Sergio Quintella, da FGV, do general Francisco Albuquerque e de Ivan Monteiro, diretor Financeiro da Petrobras.

Os nomes indicados pela União foram aprovados na Assembleia por 66,3% dos acionistas da companhia. Votaram contra os nomes 5,04% dos acionistas. O índice de abstenção foi de 28,62%. Os conselheiros têm mandato de um ano.

Além disso, a União manteve os nomes que já haviam sido indicados anteriormente, como Murilo Ferreira, presidente da Vale, e candidato à presidente do Conselho de Administração da Petrobras; Luciano Coutinho, presidente do BNDES; Aldemir Bendine, presidente da Petrobras; e Luis Navarro, da Veiranos Advogados.

Texto de Ramona Ordonez e Bruno Rosa – O Globo – 29/04/2015

4 de abr. de 2015

Morte e vida severina, vida e morte contabilina

Reproduzimos a seguir o texto Morte e vida severina, vida e morte contabilina, do Prof. Eliseu Martins, publicado na Revista Capital Aberto (13/03/2015). O texto fala do papel da moeda na relevância da informação contábil. Esse texto me fez voltar a 2011 para as aulas de Teorias do Lucro e da Avaliação Patrimonial com o inesquecível prof. Eliseu. Vale a pena a leitura.


Relembrando Severino em João Cabral de Melo Neto, 60 anos depois, e forçando a barra - não tão pouco, concordo -, faço uma constatação épica também: a força da criação da contabilidade e provavelmente de sua morte. Que força é essa? Que razão é essa? 
A contabilidade nasceu quando a capacidade do ser humano conseguiu criar um denominador comum para todos os bens econômicos e dívidas: a moeda. Da criação da moeda física de prata, ouro, concha ou o que for à abstrata, virtual, conseguiu-se algo absolutamente inacreditável e impensável: ser capaz de somar tijolos com direitos a receber, com intangíveis, com caixa, com despesas pagas antecipadamente, com participações societárias, com depreciação (contida no custo dos estoques manufaturados), etc. E dessa soma nonsense ainda se consegue deduzir o que se deve e obter-se um saldo com nome atribuído: patrimônio líquido. 
Que saldo é esse? Você já parou para pensar no que ele significa? O que uma Petrobras - já que ninguém fala nela ultimamente… - tem no lado do ativo do seu balanço é, na verdade, um conjunto enorme de equipamentos, navios, prédios, patentes, tecnologia, direitos, etc. que, no fundo, são coisas que absolutamente não se somam. Mas a moeda permite que tudo seja convertido nesse denominador comum e, após isso, somado, utilizado para subtrações (cuidado com o duplo sentido) de dívidas etc. Parece um milagre! 
Sem a moeda não há, absolutamente, contabilidade. Ela é o milagre que permite as demonstrações contábeis. É claro que a moeda pode ser o real, o dólar, o ouro, a UFIR, uma arroba de carne, um barril de petróleo, uma cesta de moedas, um sanduíche bauru etc. Ou seja, pode ser, com o uso da nossa capacidade criativa e abstrativa, uma moeda de curso legal ou qualquer outro denominador que tenha essa capacidade de servir para transformar tangíveis e intangíveis num único padrão somável e subtraível. 
Mas, se a existência de uma moeda parece ser a salvação da contabilidade, a existência de várias provoca situações aparentemente esdrúxulas. Quem investiu 1 milhão de libras esterlinas num imóvel londrino, gastando R$ 3 milhões, e o vende depois por 900 mil libras com a libra a R$ 4, terá tido a sensação de ganho, um lucro de R$ 600 mil reais, se trouxer o dinheiro para o Brasil e continuar a viver aqui normalmente. Se tiver vendido o imóvel pelas 900 mil libras por um aperto financeiro, porém mantendo residência só em Londres, sentirá uma perda: prejuízo de 100 mil libras esterlinas. Qual é a verdade? Lucro ou prejuízo? E qual a visão de um americano, que pensa e age somente em dólar, querendo avaliar o desempenho desses investidores? Como decidir para quem emprestar ou em quem investir? 
A criação da moeda permitiu a contabilidade. Mas as contabilidades em libra, em real ou em dólar colocam dúvida sobre qual é a “verdadeira”. E a dúvida é atroz a ponto de fazer perder credibilidade. 
E se uma empresa no Brasil, vivendo seus sócios só aqui, tiver investido R$ 1 milhão há um ano e ganhado, em renda fixa, o valor bruto de R$ 100 mil, pagando 34% de tributos sobre o lucro? Terá tido lucro ou prejuízo, considerando 7% de inflação nesse período? A contabilidade nossa, formal, legal, normatizada, internacionalizada, dirá que terá havido um lucro de R$ 66 mil. Mas a lógica econômica dirá que não só não terá havido lucro como um pedaço do capital original terá sido perdido. Afinal, deveriam existir R$ 1.070.000 agora para comprar, na média, o que R$ 1 milhão comprava um ano — ou 7% de inflação — atrás. E, no entanto, só existem R$ 1.066.000 hoje. A inflação matou a verdade contábil e o que a demonstração contábil diz ser lucro é, na verdade, prejuízo. Isso sem considerar o custo de oportunidade do dinheiro aplicado. 
Noutro exemplo, alguém tomou R$ 10 milhões do BNDES a 5% ao ano e investiu num terreno que tenha se valorizado 10% e acaba de ser vendido, sob os mesmos 7% de inflação. O resultado mostrará lucro ou prejuízo? Esqueçamos os tributos sobre o resultado. Sabidamente mostrará um lucro de R$ 1 milhão na venda do terreno, e despesas de juros de R$ 500 mil, com o lucro de R$ 500 mil. Ganho no ativo e despesa por causa do passivo. Ou deveria mostrar um lucro na venda do terreno só de R$ 300 mil, considerando a inflação (R$ 11 milhões de venda menos o custo corrigido de R$ 10.700.000), e um ganho na dívida de R$ 200 mil porque pagou-se R$ 10.500.000 ao banco ao final quando o empréstimo original corrigido pela inflação seria R$ 10.700.000? Pagou-se menos do que se recebeu ou não? Em outras palavras, o lucro é formado de um grande ganho no imóvel e uma despesa de juro ou de um módico ganho no imóvel e um lucro por conta do financiamento privilegiado? 
A moeda nominal, desconsiderando olimpicamente os efeitos da inflação, é um início da morte da credibilidade da informação contábil. Poderíamos continuar a filosofar sobre contabilidade e moeda. No entanto, parece muito clara a conclusão: a moeda é a vida da contabilidade, mas pode significar sua morte também se não tivermos um desenvolvimento conceitual à altura de sua definição e de seu significado para fins contábeis.

1 de abr. de 2015

XXIX ENECIC

O XXIX ENECIC - Encontro Nacional dos Estudantes de Ciências Contábeis 

Quando: 18 a 23 de agosto de 2015

Onde: Cidade do Rio de Janeiro

Tema: Ciências Contábeis: Como impulsionar o crescimento do país?

O ENECIC é o fórum máximo de discussão dos estudantes de Ciências Contábeis do Brasil. Em 28 edições tem sido palco de debates sobre os mais importantes temas relativos não só à qualidade da formação universitária, mas também às questões profissionais, a universidade, mercado e a sociedade como um todo.

O XXIX ENECIC pretende ser uma oportunidade de discutir sobre a convergência as normas internacionais de contabilidade, bem como, o papel social que o profissional da contabilidade pode assumir na sociedade. Pretende discutir também como e de que forma, os profissionais de contabilidade podem contribuir com a diminuição da miséria, da fome, a garantia da igualdade entre os sexos, redução da mortalidade infantil, crescimento do país e desenvolvimento da sociedade.

PRÊMIO ENECIC:
Como parte das atividades do XXIX ENECIC, está aberto o período de submissão de trabalhos acadêmicos ao XXIX Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Contábeis. 

O edital de submissão está disponível neste link!

De acordo com o edital, os melhores trabalhos apresentados no ENECIC serão premiados: 
1º lugar: R$ 2.500,00. 2º lugar: R$ 1.500,00; 3º lugar: R$ 1.000,00.

As submissões estão abertas até o dia 30/04/2015.

Página do ENECIC Rio no Facebook: ENECIC Rio

17 de set. de 2014

Contabilidade das aéreas

Anac regulamenta padrão contábil de aéreas

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) regulamentou os documentos e as demonstrações contábeis padronizadas a serem apresentados pelas empresas brasileiras que exploram os serviços aéreos públicos. A resolução nº 342 [...] também aponta outros aspectos da escrituração contábil do setor, para fins de acompanhamento de mercado, que deverão ser respeitados a partir de agora.

A regra cita, entre outros pontos, que as novas determinações valem para todas as empresas brasileiras que exploram os serviços de transporte aéreo público e os serviços aéreos públicos especializados. É preciso manter a escrituração contábil e a correspondente documentação de suporte devidamente organizadas de acordo com a legislação societária brasileira e com as normas contábeis expedidas pelos órgãos competentes no Brasil. Também é necessário manter plano de contas com nomenclaturas contábeis adequadas ao registro dos fatos que envolvem os serviços aéreos públicos, segregando as receitas, as despesas e os custos dos serviços aéreos das demais atividades desempenhadas pela empresa.

A Anac realizará, a qualquer tempo, inspeções e auditorias, bem como poderá requerer e examinar livros, sistemas, registros, documentos, demonstrações e quaisquer informações necessárias à verificação da organização e da consistência da contabilidade das empresas brasileiras que exploram os serviços aéreos públicos.

A apresentação de documentos e demonstrações contábeis pelas empresas tem por objetivo propiciar a análise da sua situação econômico-financeira, o acompanhamento de mercado e a remessa de dados econômicos do transporte aéreo requeridos pelos organismos internacionais dos quais o Brasil seja membro, entre outros. As demonstrações devem ser apresentadas na forma de Demonstrações Contábeis Individuais [Na contramão das IFRS]. Será considerado o exercício social com início no dia 1º de janeiro e encerramento no dia 31 de dezembro de cada ano.

As empresas devem manter arquivados, pelo prazo mínimo de cinco anos contados da data de protocolo, os originais dos documentos e das demonstrações contábeis, o comprovante de sua apresentação à Anac e os documentos de suporte à escrituração contábil [Regra um pouco retrógrada, pois atualmente se armazena quase tudo em meio eletrônico, principalmente no casos das áreas]. Para efeito dessas novas regras, a participação das empresas brasileiras que exploram os serviços de transporte aéreo público regular e não regular, exceto na modalidade táxi aéreo, será considerada relevante quando for igual ou superior a 1% [Assim, praticamente qualquer coisa é relevante!!!] no mercado doméstico ou no mercado internacional, em termos de passageiros quilômetros transportados pagos (RPK) [Explicar, por favor!].

Fonte: Agência Estado - 11/09/2014  apud Diário de Pernambuco

4 de set. de 2014

Sete profissionais mais disputados

Um levantamento feito pela consultoria Robert Half mostra cargos em alta neste ano no Brasil.
Todos os profissionais são da área de negócios e a formação em faculdade de primeira linha em Contabilidade é um perfil de pelo menos três dos setes profissionais citados.
E tem estudante querendo levar o curso com a barriga. Não dá para levar a vida profissional com a barriga, pelo menos não por muito tempo!
Let’s study hard!

-- Gerente contábil
Por que está em alta: mercado enfrenta contínua escassez de profissionais que tenham domínio de inglês e perfil “parceiro do negócio”. Aumento da demanda, segundo a Robert Half foi de 17% no número de posições na área.
Perfil de quem é disputado: profissional com formação em contabilidade, CRC ativo, inglês fluente, atualizado com as normas contábeis brasileiras e internacionais, capaz de entender e influenciar o negócio e que tenha boa comunicação.
-- Gerente de riscos (mercado, crédito, liquidez, operacional)
Por que está em alta: bancos, como um todo, têm se readequado às novas legislações e adequado sua estrutura de acordo com as novas regulações do Banco Central. Por isso, a demanda em áreas de controles, compliance e risco tem tido uma demanda muito forte. Alta no número de posições foi de 50% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Robert Half.
Perfil de quem é disputado: formação em cursos como contabilidade, administração, economia e engenharia e com experiência, de preferência, no perfil de cultura do banco que está contratando. Sempre muito analíticos, organizados e voltados para processos. Inglês fluente é mandatório.

-- Gerente de vendas
Por que está em alta: Com a economia menos aquecida, as empresas acabam apostando mais na força de vendas para alavancar os resultados e a rentabilidade. O movimento de profissionalização de alguns setores, especialmente os relacionados a serviços, tem tido impacto na demanda na área de vendas das empresas, segundo a equipe da Robert Half.
Perfil de quem é disputado: consultivo, com foco na necessidade do cliente e visão global de negócios. Segundo a equipe da Robert Half, estes são os profissionais que tendem a conquistar melhor remuneração dentro das organizações. O nível da formação acaba ficando em segundo plano e a experiência conta, principalmente, quando se trata de um produto e serviço específico e com relacionamento prévio com clientes-chave.

-- Gerente de marketing
Por que está em alta: com estruturas de marketing mais enxutas, as empresas têm apostado na figura do gerente dando a ele mais responsabilidade. Essa reestruturação em muitas empresas deu mais sinergia e resultou em equipes menores deve-se aos resultados abaixo do esperado em 2014 e a necessidade de readequação de metas.
Perfil de quem é disputado: formação em faculdade de primeira linha. Experiência internacional e domínio de idiomas são valorizados, sobretudo em multinacionais.

-- Engenheiro de vendas
Por que está em alta: engenheiro consultivo e integrado ao negócio ganha destaque em indústrias com área comercial técnica. É que a formação técnica do engenheiro permite que ele entenda a necessidade do cliente de forma mais efetiva sendo capaz de propor soluções completas e não apenas produtos.
Perfil de quem é disputado: conhecimento técnico aliado a habilidades de comunicação e negociação, visão estratégica e bom relacionamento interpessoal. Inglês fluente é uma exigência. Formação em faculdade renomada é diferencial, mas não é mandatório.

-- Gerente comercial/novos negócios para seguradoras
Por que está em alta: mercado de seguros vem amadurecendo no Brasil, segundo Fernando Mantovani, diretor de operações da Robert Half. “Cada vez mais os seguros têm se tornado um produto de consumo”, diz. Aumento no número de posições de gerente comercial, com foco em desenvolvimento de relacionamento em novas contas, foi de 20% em 2014, na comparação com 2013.
Perfil de quem é disputado: profissional com capacidade de gerar e conquistar novos clientes para aumentar a carteira. Experiência, capacidade estratégica para identificar as melhores oportunidades no mercado e foco em trazer negócios mais rentáveis.

-- Advogado sênior especializado em consultivo tributário
Por que está em alta: preocupação das empresas em fazer planejamento tributário que permita economizar dinheiro. De acordo com a Robert Half, a demanda cresceu tanto em empresas quanto em escritórios de advocacia terceirizados.
Perfil de quem é disputado: formação de primeira linha em cursos de direito e contabilidade. Experiência em empresas de auditoria - como PricewaterhouseCoopers, Deloitte Touche Tohmatsu, KPMG e Ernst & Young - é bastante valorizada.


Matéria publicada no portal Exame.com

1 de set. de 2014

Notas mais explicativas

Em agosto, a CVM e o Comitê Pronunciamentos Contábeis (CPC) lançaram atualizações das normas brasileiras que seguem o padrão internacional, estabelecido pelos IFRS. No pacote, foi emitido o OCPC 7, sobre a elaboração de notas explicativas.

O documento agrega todas as regras que já tratam do tema e traz orientações a respeito. Com isso, pretende ajudar a resolver um problema antigo, que veio a se acentuar após a adoção das normas contábeis internacionais: as notas são compridas demais e não focam nos dados realmente interessantes ao leitor.

O CPC recomenda que as notas explicativas comecem pelos itens relativos ao contexto operacional e à declaração de conformidade e, em seguida, tratem os assuntos de acordo com a relevância. Dados que influenciam a tomada de decisão de investidores e credores devem ser evidenciados. O uso de linguagem simples e sem terminologias técnicas é recomendado. [Mas o mercado não é simples e envolve conceitos muito técnicos, o que é acentuado em alguns segmentos, principalmente os que sofrem forte regulação].

Além disso, a orientação é retirar do documento informações com potencial de desviar a atenção do usuário, como a reprodução de textos de atos normativos [Vamos aguardar!]. Comentários e sugestões sobre o OCPC 7 podem ser enviados até 15 de setembro.

Orientações para notas mais explicativas - Texto de Yuki Yokoi - Revista Capital Aberto - ed. 133 set/2014 - Contabilidade e Auditoria.

26 de ago. de 2014

Audiências Públicas - CPC

Os seguintes documentos estão disponíveis para audiência pública até o dia 15/09/2014 no site do CPC [www.cpc.org.br]:

-- Orientação Técnica OCPC 07 – Notas Explicativas
-- Interpretação Técnica ICPC 20 – Limite de Ativo de Benefício Definido, Requisitos de Custeio (Funding) Mínimo e sua Interação
-- Interpretação Técnica ICPC 09 (R2) – Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método da Equivalência Patrimonial
-- Interpretação Técnica ICPC 19 – Tributos
-- Revisão CPC 06

Sugestões e comentários devem ser enviados à Comissão de Valores Mobiliários, ao Comitê de Pronunciamentos Contábeis e ao Conselho Federal de Contabilidade nos seguintes endereços:

-- Conselho Federal de Contabilidade: endereço eletrônico: ap.nbc@cfc.org.br, ou correspondência para SAS, Quadra 5, Bloco J, edifício CFC, 10º andar - Brasília-DF - CEP 70070-920;
-- Comissão de Valores Mobiliários: Superintendência de Normas Contábeis e de Auditoria, através do e-mail: AudPublicaSNC0114@cvm.gov.br, ou para a Rua Sete de Setembro, 111/27º andar - Centro - Rio de Janeiro - RJ - CEP 20050-901;
-- Comitê de Pronunciamentos Contábeis: endereço eletrônico: cpc@cpc.org.br, ou correspondência para SAS, Quadra 5, Bloco J, edifício CFC, 10º andar - Brasília-DF - CEP 70070-920.

9 de jun. de 2014

Melhores e Maiores

Os professores Nelson Carvalho e Ariovaldo dos Santos, responsáveis pela edição técnica de Melhores e Maiores (publicado pela revista Exame), pediram para divulgar nas redes sociais o seguinte texto:

Há quase duas décadas o Administrador Stephen Kanitz cessou de compilar os dados técnicos para a publicação anual Melhores e Maiores, da Revista EXAME, e a continuidade da mesma foi contratada com a FIPECAFI – Fundação de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, sob responsabilidade direta dos Contadores Professores Ariovaldo dos Santos e Nelson Carvalho.

Recentemente, Kanitz postou comentários não apenas desairosos e ofensivos à qualidade da publicação atual como também aos responsáveis por seu preparo, e cumpre que nos posicionemos perante tal conduta imprópria e pouco ética da parte dele.

Lamentável saber que o Administrador Kanitz, aposentado, continua, exatamente igual quando na ativa, tratando/estudando certas questões com pouca ou nenhuma profundidade. Senão vejamos:

· O Administrador questiona se alguém sabe o total de impostos pagos pelas 500s maiores empresas do Brasil e adiciona que esse era um dado que (ele) compilava para MM e que deixou de ser publicado.

· Pois bem, no tempo em que o questionador/Administrador era responsável por Melhores e Maiores, até 1995, a revista não publicava valores dos impostos. Só passou a publicar a coluna com valores de impostos sobre vendas a partir de 1997, com a compilação de dados técnicos já sob a gestão da FIPECAFI.

· A partir de 2012, na lista das 500 maiores, visando um maior aperfeiçoamento da informação que já vínhamos há anos divulgando após – e apenas após – assumirmos a coordenação técnica da Revista - substituímos a coluna “impostos sobre vendas” pela mais ampla, de “tributos”, mas é provável que o referido Administrador não tenha, mais uma vez, atentado para isso com a profundidade minimamente necessária. Aliás, na página 65 da edição de 2013, até destacamos as 10 empresas que mais pagaram tributos dentre as que examinamos. Cabe esclarecer ao Senhor Administrador que “tributos” incluem impostos e contribuições sobre vendas e lucros, além de outros (veja exemplos listados na página 276 dessa mesma edição).

· O Administrador também afirmou que é triste ver a equipe de Melhores e Maiores comparar valor adicionado com patrimônio e questiona a comparação de fluxo com estoque – esquece o Administrador que o “estoque” Patrimônio é formado, dentre outras origens, por acumulação de “fluxos” de valores adicionados, dentre os quais está o que o jargão contábil consagrado denomina de “lucro”

· Pois é, triste não é comparar valor adicionado com patrimônio (fluxo com estoque), triste é ver que o Administrador esqueceu-se que em Melhores e Maiores de 1995, do tempo que ele compilava, já se calculava, e nós continuamos fazendo isso porque está correto, o giro nos estoques. Isso é o que? Fluxo com fluxo, estoque com estoque ou fluxo com estoque?

· Reiteramos lamentar termos sido vítimas de afirmações gratuitas, incorretas e desprovidas de qualquer conceito técnico/lógico em redes sociais. Devem tais manifestações ser entendidas como incompetência, desonestidade intelectual ou simplesmente má intenção?

(Nelson Carvalho e Ariovaldo dos Santos)
Fonte: AQUI


As declarações que motivaram o texto dos professores Nelson Carvalho e Ariovaldo dos Santos são as seguintes:


Alguém sabe qual o total de impostos pagos pelas 500s maiores empresas do Brasil?
Era um dado que eu compilava para Melhores e Maiores, mas que deixaram de publicar, além de dezenas de outros benchmarks administrativos.
Uma pena.

Fonte: Facebook do Stephen Kanitz 

4 de jun. de 2014

Contadores à beira de um ataque de nervos

O texto a seguir publicado do Jornal do Comércio (RS), veículo que tem publicado muitas matérias de interesse da área contábil, aborda alguns desafios da realidade da atuação profissional dos contadores. 
Tem pontos positivos e outros nem tanto, mas nada que seja tão desanimador!
Eis o texto! 

Contadores à beira de um ataque de nervos

Bem remunerados e mais demandados pelas empresas, os contadores têm pela frente o desafio de encarar os altos índices de estresse.

Planilhas, documentos, folhas de pagamentos, guias preenchidas pela internet, prazos apertados para a entrega da documentação, cobranças dos contratantes e tensão ante a constante possibilidade de ter as informações prestadas confrontadas pela Receita Federal. Por trás de tudo isso está o contador, profissional que ocupa as primeiras colocações nos rankings dos segmentos com maior nível de estresse. 

Estudo recente da instituição de prevenção e combate ao estresse International Stress Management Association no Brasil (Isma Brasil) aplicado a mil entrevistados de Porto Alegre e São Paulo no ano passado, comprova que o profissional de Finanças – ramo que abrange a Contabilidade – fica atrás apenas dos trabalhadores da Saúde e Indústria no ranking dos mais estressados. Na terceira posição entre os ramos pesquisados, o profissional sofre para traspor desafios como acúmulo de tarefas, instabilidade e falta de autonomia.

Os níveis de estresse entre todos os brasileiros são preocupantes. Pesquisas do Isma Brasil indicam que 70% dos profissionais brasileiros sofrem alguma sequela devido ao alto nível de stress. Desse total, 30% atingiram o nível mais elevado, conhecido como Burn Out - esgotamento mental intenso causado por pressões no ambiente profissional.

O mesmo levantamento do instituto de controle do estresse aponta que o Brasil é o segundo país com o maior nível dessa mistura de frustração, irritação e ansiedade do mundo. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) demonstram que doenças causadas por estresse e depressão afastam do trabalho mais de 200 mil pessoas por ano no País.

Tido como um dos males da pós-modernidade, o estresse pode assolar o trabalhador de qualquer área, mas, inegavelmente, aqueles que lidam diretamente com as contas de uma pessoa física ou jurídica e são responsáveis pelos balanços, fechamentos e relatórios tornam-se os mais atingidos. Tudo isso combinado com o aumento das obrigações e a obrigatoriedade de adaptação às novas exigências fiscais e ferramentas tecnológicas agrava ainda mais esse “gatilho” para o aparecimento de outras doenças.


Obstáculos também ajudam a evoluir na profissão

A dor de cabeça nas Ciências Contábeis parece não ter fim. Por outro lado, os profissionais de contabilidade nunca foram tão valorizados, inclusive economicamente. Pesquisa realizada pela empresa de recrutamento especializada Robert Half estima que 58% dos diretores financeiros do Brasil esperam aumento na remuneração dos profissionais de finanças e contabilidade em 2014. Os resultados do estudo, realizado com 2.535 executivos de finanças e contabilidade de 16 nacionalidades, colocam o Brasil como quarto país em que mais se aposta em aumento salarial para esses executivos neste ano, atrás apenas da China (70%), Hong Kong (69%) e Nova Zelândia (60%).

Para o empresário contábil Cláudio Nasajon, da Nasajon Sistemas Contábeis, isso se explica exatamente pelas dificuldades enfrentadas na prática contábil. “Quanto mais difícil é uma tarefa, mais valor têm aqueles que conseguem executá-la bem. No caso da legislação empresarial brasileira, é preciso ser quase um mago para se atingir um nível razoável de proficiência”, adverte.

O contador e perito contábil Márcio Lavies Bonder, do Escritório Lavies Bonder de Porto Alegre, aproveita os obstáculos para evoluir na profissão. Graduado em duas universidades, Bonder não para de se qualificar e diz que só isso garante tranquilidade no dia a dia. O desafio, então, é tirar proveito da grande demanda por profissionais sem colocar em risco a própria saúde. As pressões e demandas estão aumentando, e não há perspectiva de que vão baixar. Pelo menos não num futuro próximo. “É responsabilidade de cada profissional estabelecer seus próprios limites e zelar pela sua qualidade de vida. O dinheiro que eventualmente você pode estar recebendo a mais agora pode ser gasto em hospitalização ou no tratamento de uma doença mais tarde”, salienta a psicóloga Ana Maria Rossi.
É preciso atenção ao surgimento de novas tecnologias 

Entre os principais geradores de estresse, segundo levantamento da Isma Brasil, em primeiro lugar está a falta de tempo para realizar um número cada vez maior de tarefas. A sobrecarga de trabalho e o excesso de atividades são apontados por 64% dos entrevistados como o primeiro dos grandes vilões para o bem-estar. 

Após, na lista da entidade, está o medo da demissão, tido como grande fonte de ansiedade para 56% das pessoas ouvidas. Em terceiro lugar, vem o excesso de responsabilidade e a falta de autonomia, fator destacado por 47% dos entrevistados e que “assola principalmente os responsáveis pela área financeira e, consequentemente, contábil”, enfatiza a presidente do Isma Brasil e doutora em psicologia clínica, Ana Maria Rossi.

Além desses três fatores diagnosticados em pesquisa, a psicóloga lembra que o desequilíbrio entre a valorização e o esforço empenhado também é um fenômeno a ser levado em conta ao analisarmos os níveis de estresse no País. “Muitos profissionais sentem que estão trabalhando mais do que deveriam por que não são gratificados pela colaboração. E essa gratificação nem precisa ser financeira. Às vezes, um tapinha nas costas é suficiente”, pontua.

O presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRCRS), Antônio Palácios, afirma que há um certo agravamento do estresse cotidiano exatamente pela necessidade de estar em constante adaptação e pelo grande acúmulo de tarefas e responsabilidades nas mesas dos contadores. “Aumentaram as exigências da Receita Federal, que hoje são o principal motivo de atenção da maioria dos nossos profissionais, e as evoluções tecnológicas ocorrem em uma velocidade que a categoria não consegue acompanhar”.

Não é à toa que a rotina tida pela maior parte dos contadores como a mais estressante é o eSocial (Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas). A ferramenta exige adaptação técnica e maior atenção às informações fornecidas devido ao cruzamento completo de todos os dados prestados. Ao mesmo tempo, as dúvidas colocam os setores tributários e fiscais em lugar de destaque no organograma empresarial, no centro da tomada de decisões e do tratamento de informações. Esta dinâmica pode servir de exemplo do protagonismo que vem sendo assumido pelo profissional contábil na dinâmica empresarial e, paralelamente, do peso que recai sobre as suas costas.

O perito contábil Márcio Lavies Bonder, com formação em Ciências Contábeis e Direito, é jovem no ramo (atua há 10 anos) e, talvez por isso mesmo, diz não sentir desgaste ao ter de buscar qualificação e aprender a utilizar as novas tecnologias. O segredo, segundo ele, é não levar o estresse para casa, estudar para não se desesperar ao se deparar com um processo complicado e se organizar para cumprir os prazos apertados. “É claro que quanto mais valorizado, maior é a responsabilidade, mas não é por isso que eu me digo estressado. Mas também sou de uma geração que conheceu a contabilidade com o uso de tecnologias, diferente de quem está há muitos anos na profissão”, admite o contador.

Representante dos profissionais contábeis no Estado, Antônio Palácios informa que, depois do eSocial, o que mais tira o sono da classe é a adoção das Normas Internacionais. Segundo Palácios, o problema agora não são as regras, que já estão bem estabelecidas, mas a falta de preparo das empresas para prestar aos profissionais da contabilidade as informações necessárias para desenvolver o trabalho e elaborar os balanços de acordo com o que as normas exigem.

Texto de Roberta Mello, publicado no Jornal do Comércio (RS) - 04/06/2014

30 de mai. de 2014

Nova norma de reconhecimento de receitas

Publicada nova norma de reconhecimento de receitas que impactarão as empresas brasileiras

Companhias já devem preparar um plano de implementação eficiente, afirma KPMG

O International Accounting Standards Board e o U.S. Financial Accounting Standards Board publicaram, em conjunto, uma nova norma de reconhecimento de receitas. A regra substitui a maior parte da literatura existente sobre reconhecimento deste item, tanto em U.S. GAAP como IFRS. Segundo o sócio da KPMG no Brasil, Ramon Jubels, os impactos serão os mais diversos nas empresas brasileiras. “Os novos requerimentos irão afetar diferentes empresas de maneira diferente. 

Companhias que vendem produtos e serviços em pacotes, ou aquelas envolvidas em grandes projetos – por exemplo, nas indústrias de telecomunicações, software, engenharia, construção civil e imobiliária – podem ter mudanças significativas em relação ao momento de reconhecimento de suas receitas. Por sua vez, para outras empresas, a nova norma pode ser apenas um caso de ‘vida que segue’. Entretanto, todas as empresas precisam avaliar a extensão dos impactos da nova norma, de forma a endereçar suas implicações no seu modelo de negócios, incluindo a forma de se comunicar com investidores e analistas.”

Alguns aspectos da nova norma irão afetar todas as empresas. “Os novos requerimentos de divulgação são extensos e podem requerer mudanças nos sistemas e processos para obter os dados necessários – mesmo quando não houver nenhuma mudança nos números da primeira linha da demonstração de resultados”, afirma Jubels.

A nova norma chega cinco anos depois da primeira versão proposta pelos reguladores. A longa jornada do projeto fez com que muitas empresas postergassem a avaliação de seus impactos. “Temos uma nova norma sobre um dos principais indicadores em um relatório financeiro – as receitas – e ela será aplicável para quase todas as empresas que utilizam o IFRS e o U.S. GAAP. Para as empresas, o verdadeiro trabalho está apenas começando”, destaca o executivo.

A regra entrará em vigor em janeiro de 2017, com a opção em IFRS para adotá-la antecipadamente, o que atualmente não é permitido no Brasil. “Apesar da data de vigência parecer distante, as decisões precisam ser tomadas logo – em especial, quando e como será feita a transição para a nova norma. Tal decisão permitirá às empresas desenvolver um plano de implementação eficiente e informar adequadamente seus stakeholders”, comenta o também sócio da KPMG no Brasil, Danilo Simões.

Fonte: Ricardo Viveiros - Oficina de Comunicação - 28/05/2014

15 de mai. de 2014

Em busca do Valor Justo

Em busca de consistência para o 'valor justo'

Duas iniciativas recentes, uma internacional, e outra lançada pelo Banco Central brasileiro, pretendem aumentar a consistência sobre o controvertido uso do "valor justo" nos balanços.

Fora da Venezuela, onde o governo de Nicolas Maduro recentemente aprovou a Lei Orgânica de Preços Justos, que limita a margem de lucro das empresas e define valores máximos a serem cobrados por alimentos, eletrodomésticos e veículos, entre outros produtos, não costuma existir 100% de certeza sobre o preço das coisas.

Valores padronizados costumam valer temporariamente para tarifas públicas, em setores em que há monopólio de serviço em determinada cidade ou região, tal como abastecimento de água, fornecimento de energia e transporte público. Um bilhete de metrô em São Paulo, por exemplo, é comprado e vendido a R$ 3,00.

Quando se parte para combustível, itens de supermercado e veículos, já começa a existir variação de loja para loja e de bairro para bairro, com a diferença podendo ser ainda maior entre cidades, regiões e países distintos. Até mesmo commodities e ativos financeiros como dólar ou ações bastante negociadas na bolsa podem ter o preço debatido.

Além de as cotações mudarem a cada milissegundo, no mínimo sempre haverá o preço da oferta de compra e o de venda, além do preço médio do dia e também o de fechamento, para causar confusão. Isso sem falar no preço considerado justo (ou preço-alvo), que aparece nos relatórios de corretoras, ou do prêmio pago pela ação que pertence o bloco de controle.

A discussão engrossa quando alguém quer saber qual o valor justo de um imóvel, de uma marca, de uma obra de arte vendida em um leilão ou de um título público ou privado pouco negociado. E, já que perguntar não ofende, quanto vale uma refinaria em Pasadena, no Texas? (ver mais ao lado)

Como se nota, a discussão sobre o que é valor justo transcende o mundo da contabilidade. Mas mesmo entre os homens de negócio há bastante dúvida sobre a aplicação desse conceito.

Com o objetivo de uniformizar o entendimento sobre o que é valor justo e de aumentar a consistência desse tipo de mensuração, o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (IASB) e o Conselho Internacional de Normas de Avaliação (IVSC) firmaram em março um protocolo de entendimentos para estreitar relações e afinar o discurso sobre o tema.

O IVSC emite princípios que servem de base para os avaliadores atribuírem preços para itens como propriedades para investimento e ativos biológicos. Em seus documentos, o órgão não detalha as premissas que devem ser usadas, mas enumera as metodologias mais usadas e os pontos principais que devem ser considerados em cada tipo de avaliação.

Paralelamente, no Brasil, o Conselho Monetário Nacional determinou, por meio da resolução nº 4.277, que a partir de julho deste ano os bancos passem a documentar e justificar quais critérios seguem para determinar o preço de ativos financeiros em carteira.

"Mesmo no mercado financeiro, é bastante comum a área de contabilidade usar um parâmetro para calcular o valor justo, que é diferente daquele usado pela tesouraria ou pela área de risco", diz Eric Barreto, professor do Insper e da Cinecorp.

A regra do CMN e do Banco Central permite que os bancos usem tanto o valor de mercado divulgado por terceiros como também modelos de apreçamento próprios que tenham como base informações de mercado.

"A ideia é sistematizar melhor processos que estão na cabeça das pessoas, mas que podem ser divergentes entre as áreas da instituição", afirma Barreto.

Conforme o Valor apurou no mercado, bancos grandes já têm esses processos dentro de suas rotinas, mas instituições menores ainda teriam trabalho a fazer.

Um mal-entendido quando se fala de valor justo é confundi-lo com valor de mercado. Em alguns casos, pode haver uma coincidência entre esses dois "valores". Mas nem sempre o preço disponível do mercado é aquele considerado como valor justo, conforme a definição contábil. "O valor de mercado é um pedaço do valor justo. Se há um título público cujo preço 'de mercado' divulgado pela Anbima reflete um número pequeno de negociações, aquele não é necessariamente o valor pelo qual ele seria vendido", explica Barreto.

Nesse caso, diz ele, pode ser melhor usar um modelo de apreçamento, ainda que alimentado por informações de mercado. "O preço de mercado tem a vantagem de ser mais observável. Mas a norma de valor justo prima mais pela qualidade da informação", afirma o especialista.

Outra falha comum é confundir uma das ferramentas usadas na apuração do valor justo, como o modelo de fluxo de caixa descontado, com o próprio conceito. Ou seja, nem toda avaliação feita por meio do fluxo de caixa descontado, que consiste em calcular o valor presente de um fluxo futuro de caixa, resultará em um número que passe no crivo do que se considera valor justo contábil.

Isso ajuda a esclarecer também a diferença entre as definições de valor justo e de "valor em uso" de um ativo, sendo este último é usado de forma adicional quando se realizam testes para saber se o valor investido em um ativo (ou gasto na sua compra) será recuperado, em um exercício conhecido como teste de "impairment". "O fluxo de caixa descontado pode ser usado tanto para apurar o valor em uso, usando preços e custos praticados pela sua empresa, como para o valor justo, usando critérios comuns para o mercado como um todo", diz Ana Cristina França de Souza, vice-presidente da Apsis, consultoria especializada em avaliação de ativos.

Em relação a esse último ponto, os especialistas destacam que precisa ficar claro que o valor justo é um valor de "saída". Traduzindo, na hora de calcular o "valor justo", não interessa quanto aquele ativo vale para a própria entidade, mas quanto um terceiro estaria disposto a pagar por ele. "Num leilão de obra de arte, o valor justo não é o da oferta vencedora, mas o último preço de quando ainda havia dois participantes", explica Ana Cristina, da Apsis. Segundo ela, se o vencedor pagou mais caro é porque ele vê nela alguma característica que as outras pessoas não veem.

Barreto lembra ainda que o conceito de valor justo prevê que se considere o melhor uso para determinado ativo, que pode não ser o uso pretendido pela empresa. "Para uma entidade, um terreno que ela possui vale quanto ele pode gerar de fluxo de caixa dentro do negócio dela. Mas numa visão de mercado, o melhor uso pode ser vender o terreno para fazer um estacionamento ou construir um prédio."


Texto de 
Fernando Torres, publicado no Valor Econômico, em 15/05/2014.

5 de mai. de 2014

Novo site do CPC

O site do CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis foi reestruturado e agora conta com a FACPC - Fundação de Apoio ao CPC (http://cpc.org.br/FACPC/).
De acordo com informações do site, a Fundação de Apoio ao CPC é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, criada em 2011 com o objetivo de assistir, promover, apoiar, incentivar e desenvolver ações científicas, tecnológicas, educacionais, culturais e sociais, que visem o desenvolvimento das ciências contábeis, precipuamente por meio do apoio ao Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC.

No novo site há formulário de cadastro de emails para envio de Newsletter com informações sobre eventos, assuntos técnicos e institucionais.
As informações específicas sobre os pronunciamentos emitidos também estão com um novo layout e podem ser acessadas em http://cpc.org.br/CPC/.

 

11 de fev. de 2014

Contabilidade no Celular

Divulgação:
Sabia que já tem aplicativo para fazer exercícios e revisões de conteúdos de Contabilidade?
O app Contabilidade, CPC IFRS US GAAP é um aplicativo muito interessante que ensina os pronunciamentos do CPC, inglês técnico e outros temas relacionado à contabilidade. Tudo em forma de Quiz (perguntas e respostas, com explicação).  
Interessante para alunos de Ciências Contábeis e curiosos e simpatizantes da disciplina. O app (CONTROLLER) é gratuito e pode ser baixado na Google Play no link: https://play.google.com/store/apps/details?id=br.com.martinlabs.contabilidade.android
Disponível apenas para Android até o momento.

8 de nov. de 2013

Muitas Notas pouco Explicativas

Quem tem que analisar, estudar, pesquisar, lidar com os relatórios anuais de companhias abertas no Brasil bem sabem que são muitas, muitas, muitas informações, que muitas tantas outras vezes não informam o que deveriam... Reforma nas Notas Explicativas, para que realmente adicionem informação aos balanços padronizados!!

Grupo tenta melhorar e reduzir notas explicativas

As reclamações constantes de empresas sobre o tamanho crescente das notas explicativas que acompanham os balanços fez eco em Londres.

A resposta deve vir em breve, por meio de orientações que devem ser emitidas pelo Conselho deNormas Internacionais de Contabilidade (Iasb, na sigla em inglês), órgão responsável pela regulamentação do padrão contábil IFRS no mundo todo, e que tem sede na capital inglesa.

O representante brasileiro e latino-americano no recém-criado fórum internacional que assessora o IASB na elaboração de normas (ASAF), Alexsandro Broedel, relata que durante a última discussão do grupo houve consenso de que há muita informação irrelevante sendo divulgada, ao passo que informações importantes não são requeridas pela norma.

Com base nesse diagnóstico, o grupo propôs ações em duas frentes, sendo uma de curto prazo, com três orientações para as empresas, e outra de longo prazo, com revisão das informações requeridas em cada norma.

O primeiro ponto proposto é que os critérios de relevância e materialidade possam ser usados como justificativa para a omissão de uma nota explicativa sobre determinado tema. “Hoje, por exemplo, a nota de plano de opções exige uma divulgação mínima para todas as empresas, não importando se o plano é material ou não. A ideia é deixar claro que a materialidade supera qualquer comando específico da norma”, afirmou Broedel, que é diretor de controle financeiro do Itaú e ex-diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Para quem não está familiariza do com os jargões, Broedel diz que na estrutura conceitual do Iasb a relevância é um aspecto qualitativo enquanto a materialidade é quantitativa. “Se muda a tendência de lucro de aumento para redução, pode ser um número pequeno, mas que passa a ser relevante”, diz ele.

Outra sugestão do grupo tem a ver com a nota de políticas contábeis, em que as empresas explicam quais critérios usam para contabilizar diversos lançamentos, como reconhecimento de receitas, estoques, benefícios a empregados, registro de instrumentos financeiros e assim por diante.

Quando se olha os balanços das empresas hoje, nota-se que muitas delas repetem com as mesmas palavras o que diz a norma do IFRS sobre aquele assunto. A ideia do Asaf é que haja detalhamento apenas quando a norma der alternativa. “A contabilidade de hedge, por exemplo, é uma opção. Aí a empresa diz que está adotando essa política.”

A terceira recomendação se refere à ordem das notas. Embora não haja um requerimento explícito para determinar exatamente quais as notas devem ficar no começo ou no fim, existe um modelo e um hábito de se acompanhar a ordem das contas do balanço, com o caixa em primeiro lugar e os “eventos subsequentes” aparecendo no fim do texto. “A ideia nesse caso é deixar mais claro que a ordem é apenas uma sugestão. Se a empresa quiser ela pode começar pela mais relevante”, diz Broedel.

Para ele, ao se cruzar esses pontos, de dar prioridade ao que é relevante, material, ou o que for opcional, já reduz bastante o problema do tamanho e também da qualidade das notas explicativas.


Fonte: Valor Econômico (29/10/2013)
“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)