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9 de fev. de 2021

Empregos em alta para 2021

Empregos em alta para 2021, segundo o LinkedIn

Cargos em áreas como telemarketing, marketing digital e e-commerce estão entre os que impulsionarão o mercado de trabalho brasileiro neste ano. O levantamento é da rede social profissional LinkedIn, que listou as 15 principais categorias de empregos.

Segundo o LinkedIn, os empregos em alta são definidos como as categorias de carreira que tiveram o maior crescimento em termos de contratações de um ano para o outro, no período de abril a outubro de 2020.

Os cientistas de dados do Gráfico Econômico do LinkedIn analisaram mais de 15 mil cargos para descobrir os que mais cresceram em comparação a 2019. As tendências de carreira foram classificadas por uma combinação da média de crescimento anual com o volume da demanda de empregos.

Entre as áreas apontadas, a saúde e a tecnologia são as que têm mais oportunidades. Palavras como saúde, tecnologia, digital e e-commerce se destacam.

Mas a área financeira não fica de fora, principalmente considerando os impactos e desafios econômicos vivenciados no ano de 2020. Nessa área as competências e cargos indicados fazem parte do ramo de atuação dos profissionais de Contabilidade.

 A listagem a seguir destaca as áreas identificadas pelo LinkedIn:

1. Médicos especializados

2. Cargos em tecnologia

3. Farmacêuticos e pesquisadores

5. Especialistas em e-commerce

6. Profissionais autônomos de conteúdo digital

7. Especialistas em marketing digital

8. Profissionais de finanças

Com a turbulência na economia e a incerteza nos mercados financeiros, a experiência dos profissionais financeiros, de consultores a executivos, foi muito procurada em 2020. Bancos responderam por grande parte das contratações ao lado de corretoras que também contrataram assessores financeiros.

Principais competências: serviços bancários, negociação, planejamento de negócios, investimentos, finanças corporativas, mercado de capitais e análise financeira

Cargos comuns: diretor(a) financeiro(a), corretor(a) de ações, consultor(a) de serviços financeiros, contador(a), supervisor(a) de contas a receber e bancário(a)

9. Telemarketing

10. Cargos de apoio à saúde

11. Serviços criativos

12. Análises de dados

13. Cargos de sucesso de clientes

14. Profissionais do setor de varejo

15. Especialistas em saúde mental

Fonte: Adaptado de G1

22 de mar. de 2017

Moody's: Somos estáveis!(?)

Somos estáveis!(?)

A agência de classificação de riscos Moody’s divulgou que mudou a perspectiva de nota do Brasil. De acordo com a Moody’s, a situação do Brasil passa de negativa para estável [Como será que ela concluiu isso?]. Porém, o país ainda não recuperou o grau de investimento [Que também é atribuído por agências como a Moody’s].

Matéria publicada no jornal Valor Econômico:

A Moody's pegou de surpresa boa parte do mercado, que qualificou como “ousada” a decisão da agência de alterar a perspectiva da nota de crédito do Brasil de "negativa" para "estável". Para justificar a ação, a Moody's citou estabilização econômica [Onde? Quando? Como?], convergência da inflação à meta, melhora da perspectiva fiscal e do ambiente institucional [Não é possível que ela considera o nosso ambiente institucional estável, não... Em tempos em que os principais nomes que estão no comando do país estão envolvidos em escândalos de corrupção] e números mais positivos da Petrobras [Prejuízo menor é positivo!!!]. O rating permanece em “Ba2”, ou dois níveis abaixo do grau de investimento.

Em um período em que o Brasil questiona como são feitos os hambúrgueres e as salsichas nos principais frigoríficos do país, cabe questionar também como são calculados os indicadores que as agências de riscos usam para classificar os países e as empresas.

E vale: a carne é fraca, mas os interesses escusos podem ser muito fortes!

12 de out. de 2016

Nobel de Economia

Os ganhadores:
O Prêmio Nobel de Economia 2016 foi concedido a dois professores de economia: Oliver Hart (Universidade de Harvard e Holmström) Bengt Holmström (MIT). Os pesquisadores ganharam o prêmio por suas contribuições para a teoria dos contratos, que têm múltiplas aplicações em diversos contextos da vida real.
O trabalho de Hart tem ajudado a entender quais companhias devem se fundir, além do equilíbrio correto de financiamentos e quando instituições como escolas devem ser privadas ou públicas. Já o de Holmström ajuda a formular contratos para executivos.

O prêmio:
O Nobel de Economia tem uma recompensa de 8 milhões de coroas suecas, equivalente a R$ 3 milhões. O prêmio inclui ainda um diploma e uma medalha de ouro.
O prêmio de Economia é o único que não remonta ao testamento de Alfred Nobel. Denominado oficialmente Prêmio de Ciências Econômicas do Banco Real da Suécia em Memória de Alfred Nobel, foi criado em 1968 pelo Banco Central sueco para comemorar seu tricentenário e concedido pela primeira vez em 1969. As demais categorias do Nobel são concedidas desde 1901.

Justificativas para o prêmio:
-- “As novas ferramentas teóricas criadas por Hart e Holmström são valiosas para a compreensão dos contratos e instituições da vida real, bem como armadilhas potenciais no projeto de contrato”
-- “[O trabalho deles] estabelece uma base intelectual para traçar políticas e para instituições em muitas áreas, da legislação sobre falências a constituições políticas”
-- “A teoria do contrato, desenvolvida pelos premiados, é um amplo marco de análises dos múltiplos aspectos do contrato, como a remuneração dos executivos com base em sua performance, as franquias, os copagamentos nos seguros ou a privatização do setor público”.
-- “Contratos são apenas uma forma incrivelmente poderosa de pensar sobre partes da economia. Eles são fundamentais para toda a ideia de que o comércio é um tomar uma coisa por outra e que há dois lados para uma transação”.
-- O tema de estudo dos premiados talvez seja menos prestigioso que as grandes questões de crescimento, desemprego ou pobreza, razão pela qual não apareciam nas previsões. Mas ambos tiveram o mérito de abrir caminho “a um fértil terreno de pesquisa fundamental”.
-- “Graças à pesquisa de Oliver Hart e Bengt Holmström, temos agora os instrumentos para analisar não apenas os termos financeiros dos contratos, mas também a prestação contratual dos direitos de controle, dos direitos de propriedade e dos direitos de decisão entre as partes”.

Um Nobel de para homens de universidades norte-americanas:
Do total de 78 edições do Nobel de Economia, 56 (72%) foram concedidos a professores que atuam em universidades norte-americanas.
As mulheres permanecem quase ausentes da lista do Nobel de Economia. Apenas uma mulher ganhou a distinção: a norte-americana Elinor Ostrom, em 2009, junto com outro pesquisador dos EUA.

Dez últimos ganhadores do Nobel de Economia:
2016: Oliver Hart e Bengt Holmström, por suas contribuições à teoria dos contratos.
2015: Angus Deaton (Reino Unido-Estados Unidos), por seus estudos sobre “o consumo, a pobreza e o bem-estar”.
2014: Jean Tirole (França), por sua “análise do poder do mercado e de sua regulação”.
2013:  Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre os mercados financeiros.
2012: Lloyd Shapley e Alvin Roth (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre a melhor maneira de adequar a oferta e a demanda em um mercado, com aplicações nas doações de órgãos e na educação.
2011: Thomas Sargent e Christopher Sims (Estados Unidos), por estudos que permitem entender como acontecimentos imprevistos ou políticas programadas influenciam os indicadores macroeconômicos.
2010:  Peter Diamond e Dale Mortensen (Estados Unidos), Christopher Pissarides (Chipre/Reino Unido), um trio que melhorou a análise dos mercados nos quais a oferta e a demanda têm dificuldades para se acoplar, especialmente no mercado de trabalho.
2009: Elinor Ostrom e Oliver Williamson (Estados Unidos), por seus trabalhos separados que mostram que a empresa e as associações de usuários são às vezes mais eficazes que o mercado.
2008: Paul Krugman (Estados Unidos), por seus estudos sobre o comércio internacional.
2007: Leonid Hurwicz, Eric Maskin e Roger Myerson (Estados Unidos), por seus trabalhos baseados nos mecanismos de intercâmbio destinados a melhorar o financiamento dos mercados.


Fonte das informações: G1 

6 de nov. de 2015

Fraudes Contábeis na Bíblia

As fraudes e manobras contábeis vêm de longa data! 
O trecho apresentado a seguir consta no Evangelho segundo Lucas 16,1-8 e trata, de forma simplificada, de problemas de governança corporativa, de prestação de contas, de assimetria informacional entre proprietário e administrador e ainda expõe práticas de adulteração de registros contábeis, para benefício dos interesses do administrador. Conflitos de agência? 
O trecho é denominado em algumas versões da Bíblia como "Parábola do Administrador Infiel", mas poderíamos denominá-lo hoje de Parábola das Pedaladas Contábeis.

"Jesus disse aos discípulos: 'Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. [Indícios de fraude]
Ele o chamou e lhe disse: 'Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens'. [Demissão do CEO]
O administrador então começou a refletir: 'O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração'. [Busca de maximização dos interesses individuais]
Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: 'Quanto deves ao meu patrão?' Ele respondeu: 'Cem barris de óleo!' 
O administrador disse: 'Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinqüenta!' [Adulteração de registros contábeis]
Depois ele perguntou a outro: 'E tu, quanto deves?' Ele respondeu: 'Cem medidas de trigo'. 
O administrador disse: 'Pega tua conta e escreve oitenta'. [Adulteração de registros contábeis]
E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz."

26 de jun. de 2015

Sobre Notas Explicativas

Neste vídeo, o prof. Eliseu Martins fala sobre as mudanças nas Notas Explicativas para que estas efetivamente prestem informações adicionais, mais detalhadas acerca das demonstrações contábeis.

Uma leitura atenciosa, baseada em um conhecimento razoável de contabilidade e informações financeiras, pode levar a concluir que as notas explicativas nos relatórios financeiros de algumas companhias brasileiras, em diversos casos, não dizem "nada com nada" e consistem em longas e enfadonhas repetições das normas contábeis. 


O Valor Econômico divulgou uma matéria sobre o assunto, baseada em uma pesquisa feita pela Abrasca. O estudo procurou investigar os primeiros resultados da aplicação da OCPC 07 emitida pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que foi referendada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no final de 2014. A OCPC ­07 procura dar maior clareza para a aplicação da relevância na elaboração das notas.

Alguns trechos da matéria do Valor - Companhias cortam notas explicativas:

Segundo o vice­-presidente da Abrasca Alfried Plöger, que também integra o CPC, a iniciativa brasileira [da pesquisa] servirá como referência no projeto que o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb) prepara sobre divulgação de informações pelas companhias abertas de dezenas de países que adotam o padrão contábil IFRS, já que a extensão e a qualidade das notas explicativas são motivo de atenção em todo o mundo. "Há casos em que a empresa copia o pronunciamento inteiro do CPC, para depois dizer que aquela norma não se aplica a ela", diz Plöger.

A orientação feita pelo CPC não inova em relação ao que dizem as normas, mas deixa as empresas mais seguras sobre a primazia da relevância na decisão de se divulgar uma informação. Isso significa que, mesmo que um pronunciamento contábil estabeleça níveis mínimos de divulgação sobre determinado assunto, a empresa está dispensada de informar esses itens se aquele assunto for irrelevante para o conjunto das demonstrações financeiras.

De acordo com a Abrasca, a redução do tamanho dos balanços decorreu da simplificação e resumo de informações que antes eram detalhadas em excesso, retirada de notas sobre saldos que não eram representativos ou referente a temas que não se aplicavam à empresa e junção de informações que apareciam de forma repetitiva em diferentes notas do balanço.

Na pesquisa, a associação também questionou as empresas se elas tiveram dificuldades com alguns de seus públicos alvo por conta da redução das notas. No relacionamento com os analistas, nenhuma das 30 empresas reportou qualquer problema.

Em relação aos auditores externos, 24 informaram que tiveram dificuldade "pequena" nesse processo, enquanto 5 relataram dificuldade média e, uma, alta.

Nas visão de Plöger, os analistas não reclamam porque quando não entendem algum ponto normalmente tem liberdade para entrar em contato com a área de relações com investidores e questionar a companhia.

Já os auditores, segundo ele, demonstram mais preocupação em aceitar mudanças nas notas porque temem eventuais cobranças do regulador. "Os auditores tem medo que a CVM vá para cima deles", afirma, com a ressalva de que acredita que o temor é infundado, já que a autarquia tem sido "parceira" nesse processo.

O presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), Idésio Coelho, reconhece que esse é um processo de adaptação para os profissionais da área de auditoria, e calcula que vai levar de dois a três anos para haver um resultado mais claro da nova orientação do CPC.

Ele destaca que a CVM tem o hábito de questionar os auditores no Brasil sobre determinadas práticas, mas que, até agora, não houve questionamentos sobre os balanços de empresas que já iniciaram o processo de redução das notas explicativas.

Contudo, Coelho destaca que alguém tem que ser o fiel da balança, e acredita que caberá ao auditor e ao regulador atuar como freio, para evitar excessos, que ainda não estão ocorrendo.

O presidente do Ibracon destaca que também será importante observar o comportamento de outros agentes, como os investidores e as entidades que premiam as empresas pela qualidade da informação do balanço. "Se forem premiadas empresas que não fizeram redução nenhuma será um tremendo desincentivo", afirma Coelho.

13 de jun. de 2015

Filmes para quem trabalha com Contabilidade

Embora muita gente não tenha se dado conta, os contadores têm aparecido como personagens cruciais na trama de grandes clássicos do cinema. A professora Marta Pelúcio da FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) propôs uma lista de sete filmes em que contadores e o papel da contabilidade são destaque. Eis a lista, com os comentários da Profª. Marta, começando pelos mais antigos.

  1. Os Intocáveis (1987)
O longa mostra os esforços de um agente federal para prender o gângster Al Capone, durante a Lei Seca nos Estados Unidos.
“O filme revela o poder informativo da contabilidade, pois o Al Capone foi pego por causa dos registros contábeis que existiam. A polícia conseguiu pegá-lo por intermédio do contador.

  1. Wall Street: Poder e Cobiça (1987)
É um título importante para qualquer pessoa da área de negócios, por mostrar a ambição desmedida que pode contaminar ambientes profissionais.
De acordo com a Profª. Marta Pelúcio, “o filme demonstra o equilíbrio que os estudantes e futuros profissionais devem ter entre a ganância e os valores morais”.

  1. Fuga à meia noite (1988)
Neste filme um contador engana toda a máfia. “A ideia é a mesma de um sonho de liberdade, pois demonstra o poder do contador para coisas ruins” (Profª. Mata Pelúcio).
Filmes como este, de acordo com a professora, são importantes para que os estudantes e profissionais de contabilidade tenham a consciência de fazer as escolhas certas no decorrer da vida profissional.

  1. Um Sonho de Liberdade (1994)
De acordo com a Profª. Marta Pelúcio, “o filme mostra o poder da contabilidade e do contador tanto para coisas boas quanto ruins. Um detento (contador) consegue conquistar a confiança das autoridades do presídio fazendo declaração de IR e controlando as contas pessoais deles”.
Segundo a professora, a importância da profissão é destacada no filme que mostra a necessidade de controle das contas que empresas e indivíduos têm.
“No entanto, demonstra que a gestão tem que ter medidas de controle interno para certificar-se que não estará sendo enganada, pois, no filme o detento (contador) com seu poder de controle das contas pessoais das autoridades consegue roubar a todos, ou seja, falta de controle da gestão” (Profª. Mata Pelúcio).

  1. Trabalho interno (2010)
Na opinião da Profª. Mata Pelúcio, trata-se de “um documentário importante para qualquer estudante na área de negócios, não somente de contabilidade, mas também de administração e economia”. Conhecer o funcionamento das instituições financeiras é primordial para estes profissionais. “No mundo atual, tudo gira em torno do sistema bancário”.

  1. Margin Call - O Dia Antes do Fim (2011)
O longa, que também já foi indicado em lista de filmes para estudantes de economia, é interessante para quem quer entender um pouco mais da crise financeira de 2008 e o papel dos responsáveis em todo o processo. A trama se passa durante as 24 horas que antecederam o início da crise e tem como palco central uma corretora imobiliária.
Para a Profª. Marta Pelúcio, “esse filme demonstra a responsabilidade que devem ter gestores e contadores no processo de geração de informações financeiras”. A professora acrescenta ainda que o filme é bom para entender a crise e o papel dos responsáveis em todo esse processo.

  1. O Legado de Lutzenberger (2012)
O documentário conta a história (pouco divulgada) do ambientalista e cientista. “Gosto de ressaltar aos meus alunos a decisão dele de deixar uma grande multinacional em que atuava por não concordar com o que a empresa fazia e suas consequências para a natureza e para o nosso futuro”, relata a Profª. Marta.
Ela também destaca outro ponto da trajetória de Lutzenberger: ministro do Meio Ambiente no governo Collor, ele foi demitido após denunciar a corrupção no Ibama.


As informações deste post foram obtidas na Revista Exame.

29 de mai. de 2015

Normas Internacionais de Contabilidade

Há dois dias, durante uma aula inicial da disciplina Contabilidade Internacional em um curso de pós graduação lato sensu, eu discutia com os alunos o panorama da convergência às chamadas normas internacionais de contabilidade.
Durante as minhas falas, acabei fazendo um paralelo entre a atual disponibilidade de informações financeiras em padrões menos díspares e a redução de barreiras ao acesso a uma série de outras coisas quem permeiam a nossa vida.

E por que esta associação?
Quando eu era adolescente, lá em Feira de Santana-BA, era também uma fiel e apaixonada leitora das obras do Machado de Assis. 
Certo! Mas o que o Machado de Assis tem a ver com Contabilidade Internacional?
Nada!

É que, quando eu lia as obras machadianas pelos idos de 1995-6-7..., ainda não tínhamos acesso tão fácil e imediato quanto hoje a textos, imagens, fotografias, informações, comparações... E em um desses livros, o Machado de Assis, vivendo pelas ruas da então capital federal descrevia as ruas do Rio de Janeiro: a Rua do Ouvidor, a Rua da Quitanda, o Passeio Público, o Catete... A descrição do Machado me despertou o desejo de conhecer estas ruas.

Naquela época não existia Google Maps, ou Google Earth, nem computadores portáteis e smartphones que mostrassem imagens em questão de segundos, em que se pudesse conhecer estes e outros lugares sem ter que estar neles. E eu estava a mais de 1500 km de distância.

Quando eu me mudei para o Rio de Janeiro, pude me familiarizar com as ruas e lugares cantados em prosa pela experiência do Machado de Assis, eu precisei visitar os lugares. Atualmente, os recursos tecnológicos nos permitem conhecer o mundo de dentro de casa, nos permitem visitar o museu do Louvre em Paris mesmo sem nunca ter cruzado o Atlântico.

Mas voltando às Normas Internacionais de Contabilidade...
Digamos que o objetivo ideal de produzir um conjunto de normas internacionais de contabilidade é conhecer as empresas de diversos países do mundo, seu desempenho econômico-financeiro, sua composição patrimonial, sem ter necessariamente que ir nestes países, sem ter que estudar um emaranhado de normas e entender peculiaridades da estrutura legal, institucional e tributária de cada um destes países...

Assim como a Rua do Ouvidor ou o Passeio Público, a informação está logo ali, em uma linguagem menos distante, não precisa cruzar o Atlântico.

Mas até que ponto o conjunto de normas IFRS emitidas pelo IASB podem realmente ser consideradas Normas Internacionais de Contabilidade?

3 de mai. de 2015

Informação do Twitter no Twitter

E quando o tiro sai pela culatra? Ou o peixe morre pela boca e a relevância da informação contábil
Como um tuíte custou US$ 8 bilhões ao Twitter
As ações do Twitter na bolsa de valores caíram 25% na noite de terça-feira por causa de uma única mensagem publicada na rede social. Na hora do fechamento da bolsa, as ações da companhia haviam caído US$ 8 bilhões.
A queda ocorreu porque o ânimo dos investidores foi afetado pela publicação acidental de um balanço de resultados que deveria ter sido apresentado apenas após o fechamento dos mercados. Mas como isso aconteceu? E como isso resultou no nível mais baixo das ações da empresa desde sua estreia no mercado?
O que aconteceu?
O Twitter ia anunciar seus lucros no primeiro trimestre do ano depois do fechamento do pregão de terça-feira em Nova York. Essa prática dá tempo aos investidores para digerir a informação, dormir e depois voltar a negociar no dia seguinte.
Mas alguém pensou que seria uma boa ideia tornar a informação pública antes, na página de relações com investidores da Nasdaq, a bolsa de valores especializada em empresas de tecnologia. Inicialmente, ninguém pareceu notar o erro, até que um tuíte bem colocado chamou a atenção para a informação revelando o desempenho abaixo do esperado do Twitter. Os mercados estavam abertos ainda e o Twitter não teve tempo de apresentar formalmente os resultados com um comunicado para explicá-los.
O tuíte-pivô da brusca queda das ações da empresa veio da Selerity, consultoria que presta um serviço de informações específico para investidores. Ela busca automaticamente documentos, comunicados para a imprensa e informações em redes sociais que possam ser úteis para os investidores. Envia então a seus assinantes o que chama de "inteligência" processada em tempo real. Neste caso, a informação repassada veio da página da Nasdaq no Twitter. A Selerity também divulgou a fonte da informação, para afirmar que era legítima.
As ações do Twitter caíram 6% antes que as negociações dos papéis fossem momentaneamente suspensas. Quando elas foram retomadas, tinham caído mais 19%, antes de terminar o dia em queda de 18%.
De quem é a culpa?
O deslize parece ter sido da Nasdaq, depois que o Twitter entregou à bolsa detalhes de seus rendimentos antes de estarem prontos para a publicação oficial. É como um site ou jornal violando um relatório embargado até um horário específico.
O fator-chave no incidente foi um computador da Selerity que faz busca na rede mundial de computadores em busca de informações financeiras importantes. Foi esse aparelho que encontrou a mensagem.
A Selerity diz que as pessoas ficaram sabendo da informação através da própria rede do Twitter. Mas não rompeu nenhuma regra porque os resultados já haviam sido publicados e eram considerados de domínio público.
A Nasdaq culpou uma divisão sua chamada de Shareholder.com, que presta serviços para investidores. "A publicação foi provocada por um problema operativo que expôs o comunicado na página de relações com investidores de Twitter durante cerca de 45 segundos", disse a Nasdaq. "Durante esses segundos, o site foi captado por um terceiro que difundiu publicamente a informação", disse.
Não é a primeira vez
Não se trata da primeira vez que isso acontece. Há seis meses, a Nasdaq publicou acidentalmente os resultados do banco JP Morgan horas antes do encerramento das negociações da bolsa de valores.
A Selerity também se envolveu em um episódio similar. Em 2011, ela obrigou a Microsoft a publicar um comunicado oficial com seu resultado financeiro ao descobrir que os dados já estavam disponíveis em uma parte pouco acessada de seu site.
Mas o vazamento do tuíte não foi o único culpado pela queda nas ações do Twitter. Os resultados do primeiro trimestre foram claramente decepcionantes. Os lucros foram US$ 20 milhões abaixo dos US$ 456 milhões esperados por analistas. As previsões de rendimentos futuros também foram reduzidas. O presidente-executivo do Twitter, Dick Costolo, se disse decepcionado com as cifras.
Por outro lado, a rede social anunciou novidades positivas. Seu conteúdo está mais integrado com as buscas do Google e a empresa negocia com a Apple integração semelhante. Além disso, há planos para que as linhas do tempo das páginas dos usuários sejam programadas para destacar as publicações mais importantes das contas que seguem. O que significa dizer que na timeline de quem segue a conta da empresa Twitter, deverão aparecer postagens da Selerity.


Texto de Dan Simmons – BBC Brasil – 30/04/2015

10 de mar. de 2015

Questionário Decisões de investimento no mercado financeiro

O Robson Braga é doutorando do programa de Controladoria e Contabilidade da Universidade de São Paulo – USP, sob orientação do Prof. Dr. Luiz Paulo Fávero.
Como parte do desenvolvimento da tese, o Robson Braga está realizando uma pesquisa sobre decisões de investimento no mercado financeiro e gostaria de contar com sua participação.

Para participar, basta acessar o link http://www.researchusp.com/pesquisa.faces?op=inicio (preferencialmente com o navegador Google Chrome) e seguir as instruções apresentadas no instrumento.
O tempo médio estimado para a conclusão da pesquisa é de quinze minutos, sendo que você poderá responder parcialmente e concluir em outro momento, caso algo o impeça de finalizar de uma só vez.

Segundo o Robson Braga, a participação nesta pesquisa é bastante, especialmente pelo fato de ter uma aplicação interativa semelhante a uma plataforma de negociação de ações. 

Nesta pesquisa, assim como em qualquer outra que se propuser a participar, suas respostas devem apresentar a maior fidedignidade possível em relação ao seu comportamento decisório.

Os participantes que concluírem a pesquisa estarão concorrendo ao sorteio de um IPad Mini Retina 32Gb.

24 de set. de 2014

Penso, logo invisto?

Divulgando um Blog interessante!

É um blog criado pela CVM para estabelecer um canal de colaboração com a comunidade acadêmica, divulgando artigos científicos e propondo temas para discussão.

A interrogação no título do Blog tem o intuito de provocar o debate sobre a racionalidade das decisões financeiras e assim convocar estudantes, professores, pesquisadores e demais interessados a contribuir sobre o tema.

Para quem se interessa pelo tema, o espaço é bem interessante! E para quem não se interessa ou não conhece, vale a pena dar uma conferida!

4 de set. de 2014

Profissionais que mais fazem falta no país

Profissionais das áreas de finanças, engenharia, TI e vendas estão em falta no Brasil, segundo uma pesquisa realizada pelo ManpowerGroup.
Márcia Almström, diretora de recursos humanos da empresa responsável pelo levantamento, diz que as áreas com maior carência de bons profissionais têm forte apelo técnico e explica que, associadas a competências técnicas, também estão em falta as chamadas 'soft skills' ou habilidades mais 'brandas', ligadas a gestão e liderança, por exemplo. "Para se dar bem num mercado tão sedento, esses profissionais raros precisam construir sua carreira além do conhecimento técnico e buscar outras qualificações", afirma.
Dos 42 países focalizados pela pesquisa, o Brasil é o 4º com maior escassez de talentos, empatando com a Argentina. "Entre outros motivos para essa situação, há um grande aumento da competitividade, avanços tecnológicos e lacunas na formação profissional", explica Almström. No ranking também figuram operários, motoristas, técnicos e trabalhadores de ofício manual.

E quem aparece mais uma vez como área promissora e com carência de bons [bons mesmo!] profissionais: A nossa querida Contabilidade!

7. Contadores e profissionais de finanças
São aqueles que acompanham, medem e garantem a saúde financeira da empresa. Em tempos de exigência por produtividade máxima, cuidam da gestão dos custos e da rentabilidade do negócio.

Por que estão em falta: A realidade no mundo dos negócios mudou. Hoje, as empresas não precisam apenas do profissional que registra dados numéricos e faz apontamentos. "É preciso dominar o aspecto técnico das finanças, mas também ter um perfil de influenciador e consultor interno a respeito do negócio", explica Almström.

Matéria publicada no portal Exame.com

Sete profissionais mais disputados

Um levantamento feito pela consultoria Robert Half mostra cargos em alta neste ano no Brasil.
Todos os profissionais são da área de negócios e a formação em faculdade de primeira linha em Contabilidade é um perfil de pelo menos três dos setes profissionais citados.
E tem estudante querendo levar o curso com a barriga. Não dá para levar a vida profissional com a barriga, pelo menos não por muito tempo!
Let’s study hard!

-- Gerente contábil
Por que está em alta: mercado enfrenta contínua escassez de profissionais que tenham domínio de inglês e perfil “parceiro do negócio”. Aumento da demanda, segundo a Robert Half foi de 17% no número de posições na área.
Perfil de quem é disputado: profissional com formação em contabilidade, CRC ativo, inglês fluente, atualizado com as normas contábeis brasileiras e internacionais, capaz de entender e influenciar o negócio e que tenha boa comunicação.
-- Gerente de riscos (mercado, crédito, liquidez, operacional)
Por que está em alta: bancos, como um todo, têm se readequado às novas legislações e adequado sua estrutura de acordo com as novas regulações do Banco Central. Por isso, a demanda em áreas de controles, compliance e risco tem tido uma demanda muito forte. Alta no número de posições foi de 50% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Robert Half.
Perfil de quem é disputado: formação em cursos como contabilidade, administração, economia e engenharia e com experiência, de preferência, no perfil de cultura do banco que está contratando. Sempre muito analíticos, organizados e voltados para processos. Inglês fluente é mandatório.

-- Gerente de vendas
Por que está em alta: Com a economia menos aquecida, as empresas acabam apostando mais na força de vendas para alavancar os resultados e a rentabilidade. O movimento de profissionalização de alguns setores, especialmente os relacionados a serviços, tem tido impacto na demanda na área de vendas das empresas, segundo a equipe da Robert Half.
Perfil de quem é disputado: consultivo, com foco na necessidade do cliente e visão global de negócios. Segundo a equipe da Robert Half, estes são os profissionais que tendem a conquistar melhor remuneração dentro das organizações. O nível da formação acaba ficando em segundo plano e a experiência conta, principalmente, quando se trata de um produto e serviço específico e com relacionamento prévio com clientes-chave.

-- Gerente de marketing
Por que está em alta: com estruturas de marketing mais enxutas, as empresas têm apostado na figura do gerente dando a ele mais responsabilidade. Essa reestruturação em muitas empresas deu mais sinergia e resultou em equipes menores deve-se aos resultados abaixo do esperado em 2014 e a necessidade de readequação de metas.
Perfil de quem é disputado: formação em faculdade de primeira linha. Experiência internacional e domínio de idiomas são valorizados, sobretudo em multinacionais.

-- Engenheiro de vendas
Por que está em alta: engenheiro consultivo e integrado ao negócio ganha destaque em indústrias com área comercial técnica. É que a formação técnica do engenheiro permite que ele entenda a necessidade do cliente de forma mais efetiva sendo capaz de propor soluções completas e não apenas produtos.
Perfil de quem é disputado: conhecimento técnico aliado a habilidades de comunicação e negociação, visão estratégica e bom relacionamento interpessoal. Inglês fluente é uma exigência. Formação em faculdade renomada é diferencial, mas não é mandatório.

-- Gerente comercial/novos negócios para seguradoras
Por que está em alta: mercado de seguros vem amadurecendo no Brasil, segundo Fernando Mantovani, diretor de operações da Robert Half. “Cada vez mais os seguros têm se tornado um produto de consumo”, diz. Aumento no número de posições de gerente comercial, com foco em desenvolvimento de relacionamento em novas contas, foi de 20% em 2014, na comparação com 2013.
Perfil de quem é disputado: profissional com capacidade de gerar e conquistar novos clientes para aumentar a carteira. Experiência, capacidade estratégica para identificar as melhores oportunidades no mercado e foco em trazer negócios mais rentáveis.

-- Advogado sênior especializado em consultivo tributário
Por que está em alta: preocupação das empresas em fazer planejamento tributário que permita economizar dinheiro. De acordo com a Robert Half, a demanda cresceu tanto em empresas quanto em escritórios de advocacia terceirizados.
Perfil de quem é disputado: formação de primeira linha em cursos de direito e contabilidade. Experiência em empresas de auditoria - como PricewaterhouseCoopers, Deloitte Touche Tohmatsu, KPMG e Ernst & Young - é bastante valorizada.


Matéria publicada no portal Exame.com

1 de set. de 2014

Doações para Campanhas Eleitorais

O que construtoras, cervejarias, frigoríficos e empresários têm comum? 
Que tal o espírito cívico e a crença em programas de governo sérios, que os motivam a doar alguns milhares ou milhões de reais para campanhas eleitorais? 
Eu sugiro que há outros pontos que não são revelados com facilidade, mas podem ser facilmente deduzidos, principalmente quando as doações são de igual montante para candidatos com posições declaradamente antagônicas!

A processadora de carnes JBS, dona da marca Friboi, é a maior doadora da campanha presidencial entre as companhias abertas. De acordo com a primeira prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral, até o fim de julho a empresa colocou R$ 5 milhões na campanha de Dilma Rousseff (PT), o mesmo valor na de Aécio Neves (PSDB) e mais R$ 1 milhão na do então candidato Eduardo Campos (PSB). No segundo trimestre, a JBS lucrou R$ 254 milhões. O caixa da presidente Dilma foi reforçado ainda com R$ 4 milhões provenientes da CRBS, empresa do grupo Ambev.

Como nos anos anteriores, as construtoras figuram entre as principais financiadoras. A OAS deu R$ 3 milhões para a campanha de Aécio e outros R$ 600 mil para Campos. O candidato do PSB, cuja morte no mês passado deixou Marina Silva à frente da chapa, recebeu também dinheiro de nomes conhecidos do mercado.

Guilherme Leal, sócio e fundador da Natura, contribuiu com R$ 400 mil. O valor está longe dos R$ 11,8 milhões doados em 2010, quando disputou a eleição como vice de Marina. Também fizeram transferências ao PSB José Olympio Pereira, presidente do Credit Suisse no Brasil (R$ 30 mil), e Luis Terepins, diretor-presidente e presidente do conselho de administração da construtora Even (R$ 5 mil).

Companhias e empresários fortalecem o caixa de partidos políticos - Texto de Yuki Yokoi - Revista Capital Aberto - ed. 133 set/2014 -  Governança Corporativa

Notas mais explicativas

Em agosto, a CVM e o Comitê Pronunciamentos Contábeis (CPC) lançaram atualizações das normas brasileiras que seguem o padrão internacional, estabelecido pelos IFRS. No pacote, foi emitido o OCPC 7, sobre a elaboração de notas explicativas.

O documento agrega todas as regras que já tratam do tema e traz orientações a respeito. Com isso, pretende ajudar a resolver um problema antigo, que veio a se acentuar após a adoção das normas contábeis internacionais: as notas são compridas demais e não focam nos dados realmente interessantes ao leitor.

O CPC recomenda que as notas explicativas comecem pelos itens relativos ao contexto operacional e à declaração de conformidade e, em seguida, tratem os assuntos de acordo com a relevância. Dados que influenciam a tomada de decisão de investidores e credores devem ser evidenciados. O uso de linguagem simples e sem terminologias técnicas é recomendado. [Mas o mercado não é simples e envolve conceitos muito técnicos, o que é acentuado em alguns segmentos, principalmente os que sofrem forte regulação].

Além disso, a orientação é retirar do documento informações com potencial de desviar a atenção do usuário, como a reprodução de textos de atos normativos [Vamos aguardar!]. Comentários e sugestões sobre o OCPC 7 podem ser enviados até 15 de setembro.

Orientações para notas mais explicativas - Texto de Yuki Yokoi - Revista Capital Aberto - ed. 133 set/2014 - Contabilidade e Auditoria.

10 de jun. de 2014

Bolsa de valores e pesquisas eleitorais

O Jornal Valor Econômico publicou hoje, 10/06/2014, uma matéria assinada por Téo Takar sob o título Bovespa opera sem tendência, à espera de novas pesquisas eleitorais.
Li o texto e me perguntei: Será que aquele pessoal que tem pesquisado fatores relevantes nas negociações e liquidez de ações nas bolsas de valores tem considerado o componente eleitoral na volatilidade dos preços das ações.
Se a Bolsa de valores realmente não apresentou  nenhuma oscilação relevante porque não houve divulgação de pesquisas eleitorais, isso deve ser considerado de alguma forma.
A despeito dos dias exatos da coleta de dados para a pesquisa eleitoral, estamos às vésperas da abertura da Copa do mundo de Futebol no Brasil. Quem está pensando em eleição?

Eis o texto do Valor!
Depois de dois dias de forte alta, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu fôlego, mas não chega a assumir claramente uma tendência de correção técnica nesta terça-feira. O mercado já passeou tanto por terreno positivo como negativo, mas sem grandes oscilações.

E na falta de notícias ou indicadores relevantes, o foco do mercado continua em cima das próximas pesquisas eleitorais sobre a corrida presidencial. Hoje está prevista a divulgação de pesquisa Ibope encomendada pela União dos Vereadores do Estado de São Paulo (Uvesp).

“O que me deixa preocupado é que o mercado está muito dependente das pesquisas. Os fundamentos ficaram em segundo plano”, observa o novo chefe de análise da CM Capital Markets, Marco Aurélio Barbosa. “O fato é que, nas ruas, ninguém está sequer pensando em eleições neste momento. Só se fala de Copa. Portanto, as pesquisas ainda vão oscilar muito daqui até novembro. E essa volatilidade será respondida rapidamente pelo mercado.”

Às 15h55, o Ibovespa recuava 0,01%, aos 54.266 pontos, com bom volume, de R$ 4,9 bilhões. Entre as principais ações do índice, Itaú PN recuava 1,29%, a R$ 33,43, Vale PNA perdia 1,46%, para R$ 26,22; e Ambev ON caía 1,15%, cotada a R$ 16,21.

As ações da Vale aindam sofrem com o recuo do preço do minério de ferro, que hoje fechou abaixo do patamar de US$ 94 por tonelada, valor que vinha sustentando nas últimas quatro sessões. Preocupações com restrições de crédito ao setor imobiliário na China continuam a gerar temores sobre uma desaceleração do consumo de aço no país e, consequentemente, das compras da matéria-prima. Em média, o minério vem sendo negociado a US$ 114,10 por tonelada neste ano, 15% abaixo da média de US$ 135 por tonelada no ano passado. O Santander cortou a recomendação dos papéis da Vale, de compra para neutra.

Papeis da Ambev também sofre com corte de recomendação. O Credit Suisse rebaixou o papel da companhia de bebidas de compra para neutra e reduziu o preço-alvo das ações de R$ 20 para R$ 18, por conta da preocupação em relação ao crescimento do Brasil no médio prazo. O novo preço-alvo indica um potencial de alta de 8% em relação ao valor atual do ativo. “Acreditamos que o crescimento superior da Ambev nos últimos anos [em relação à AB Inbev] foi impulsionado por reajustes de preços excessivamente acima da inflação, o que consideramos insustentável”, diz o banco em relatório.

Do lado positivo estavam Petrobras PN (0,16%, a R$ 18,10) e Banco do Brasil ON (2,58%, a R$ 25,76). Ambas estatais se sustentam em função da expectativa de queda nas preferências de voto de Dilma Rousseff nas pesquisas. Além disso, o Banco do Brasil também anunciou na sexta-feira uma operação de recompra de ações de até 3,5% do capital em circulação.

No topo do Ibovespa aparecem Light ON (3,21%), Natura ON (3,12%) e Eletropaulo PN (2,76%). As distribuidoras de energia seguem em alta desde ontem, ainda reagindo à queda no preço da energia de curto prazo, que estava no patamar de R$ 800 por MWh em março, para nível abaixo dos R$ 400 por MWh.

Entre as maiores baixas estão Energias do Brasil ON (-2,66%), Klabin Unit (-2,35%) e Duratex ON (-1,98%). O Brasil Plural iniciou cobertura de Duratex com recomendação de venda e preço-alvo de R$ 9,00 em 12 meses, o que significa um potencial de desvalorização da ação de 6% em relação ao fechamento de ontem. “Ao contrário da maioria no mercado, adotamos uma postura mais realista em relação às atividades no curto prazo da empresa”, diz o banco em relatório. A conclusão é apoiada por um cenário de desaceleração na demanda e do real desvalorizado em relação ao dólar.

9 de jun. de 2014

Melhores e Maiores

Os professores Nelson Carvalho e Ariovaldo dos Santos, responsáveis pela edição técnica de Melhores e Maiores (publicado pela revista Exame), pediram para divulgar nas redes sociais o seguinte texto:

Há quase duas décadas o Administrador Stephen Kanitz cessou de compilar os dados técnicos para a publicação anual Melhores e Maiores, da Revista EXAME, e a continuidade da mesma foi contratada com a FIPECAFI – Fundação de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, sob responsabilidade direta dos Contadores Professores Ariovaldo dos Santos e Nelson Carvalho.

Recentemente, Kanitz postou comentários não apenas desairosos e ofensivos à qualidade da publicação atual como também aos responsáveis por seu preparo, e cumpre que nos posicionemos perante tal conduta imprópria e pouco ética da parte dele.

Lamentável saber que o Administrador Kanitz, aposentado, continua, exatamente igual quando na ativa, tratando/estudando certas questões com pouca ou nenhuma profundidade. Senão vejamos:

· O Administrador questiona se alguém sabe o total de impostos pagos pelas 500s maiores empresas do Brasil e adiciona que esse era um dado que (ele) compilava para MM e que deixou de ser publicado.

· Pois bem, no tempo em que o questionador/Administrador era responsável por Melhores e Maiores, até 1995, a revista não publicava valores dos impostos. Só passou a publicar a coluna com valores de impostos sobre vendas a partir de 1997, com a compilação de dados técnicos já sob a gestão da FIPECAFI.

· A partir de 2012, na lista das 500 maiores, visando um maior aperfeiçoamento da informação que já vínhamos há anos divulgando após – e apenas após – assumirmos a coordenação técnica da Revista - substituímos a coluna “impostos sobre vendas” pela mais ampla, de “tributos”, mas é provável que o referido Administrador não tenha, mais uma vez, atentado para isso com a profundidade minimamente necessária. Aliás, na página 65 da edição de 2013, até destacamos as 10 empresas que mais pagaram tributos dentre as que examinamos. Cabe esclarecer ao Senhor Administrador que “tributos” incluem impostos e contribuições sobre vendas e lucros, além de outros (veja exemplos listados na página 276 dessa mesma edição).

· O Administrador também afirmou que é triste ver a equipe de Melhores e Maiores comparar valor adicionado com patrimônio e questiona a comparação de fluxo com estoque – esquece o Administrador que o “estoque” Patrimônio é formado, dentre outras origens, por acumulação de “fluxos” de valores adicionados, dentre os quais está o que o jargão contábil consagrado denomina de “lucro”

· Pois é, triste não é comparar valor adicionado com patrimônio (fluxo com estoque), triste é ver que o Administrador esqueceu-se que em Melhores e Maiores de 1995, do tempo que ele compilava, já se calculava, e nós continuamos fazendo isso porque está correto, o giro nos estoques. Isso é o que? Fluxo com fluxo, estoque com estoque ou fluxo com estoque?

· Reiteramos lamentar termos sido vítimas de afirmações gratuitas, incorretas e desprovidas de qualquer conceito técnico/lógico em redes sociais. Devem tais manifestações ser entendidas como incompetência, desonestidade intelectual ou simplesmente má intenção?

(Nelson Carvalho e Ariovaldo dos Santos)
Fonte: AQUI


As declarações que motivaram o texto dos professores Nelson Carvalho e Ariovaldo dos Santos são as seguintes:


Alguém sabe qual o total de impostos pagos pelas 500s maiores empresas do Brasil?
Era um dado que eu compilava para Melhores e Maiores, mas que deixaram de publicar, além de dezenas de outros benchmarks administrativos.
Uma pena.

Fonte: Facebook do Stephen Kanitz 

15 de mai. de 2014

Em busca do Valor Justo

Em busca de consistência para o 'valor justo'

Duas iniciativas recentes, uma internacional, e outra lançada pelo Banco Central brasileiro, pretendem aumentar a consistência sobre o controvertido uso do "valor justo" nos balanços.

Fora da Venezuela, onde o governo de Nicolas Maduro recentemente aprovou a Lei Orgânica de Preços Justos, que limita a margem de lucro das empresas e define valores máximos a serem cobrados por alimentos, eletrodomésticos e veículos, entre outros produtos, não costuma existir 100% de certeza sobre o preço das coisas.

Valores padronizados costumam valer temporariamente para tarifas públicas, em setores em que há monopólio de serviço em determinada cidade ou região, tal como abastecimento de água, fornecimento de energia e transporte público. Um bilhete de metrô em São Paulo, por exemplo, é comprado e vendido a R$ 3,00.

Quando se parte para combustível, itens de supermercado e veículos, já começa a existir variação de loja para loja e de bairro para bairro, com a diferença podendo ser ainda maior entre cidades, regiões e países distintos. Até mesmo commodities e ativos financeiros como dólar ou ações bastante negociadas na bolsa podem ter o preço debatido.

Além de as cotações mudarem a cada milissegundo, no mínimo sempre haverá o preço da oferta de compra e o de venda, além do preço médio do dia e também o de fechamento, para causar confusão. Isso sem falar no preço considerado justo (ou preço-alvo), que aparece nos relatórios de corretoras, ou do prêmio pago pela ação que pertence o bloco de controle.

A discussão engrossa quando alguém quer saber qual o valor justo de um imóvel, de uma marca, de uma obra de arte vendida em um leilão ou de um título público ou privado pouco negociado. E, já que perguntar não ofende, quanto vale uma refinaria em Pasadena, no Texas? (ver mais ao lado)

Como se nota, a discussão sobre o que é valor justo transcende o mundo da contabilidade. Mas mesmo entre os homens de negócio há bastante dúvida sobre a aplicação desse conceito.

Com o objetivo de uniformizar o entendimento sobre o que é valor justo e de aumentar a consistência desse tipo de mensuração, o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (IASB) e o Conselho Internacional de Normas de Avaliação (IVSC) firmaram em março um protocolo de entendimentos para estreitar relações e afinar o discurso sobre o tema.

O IVSC emite princípios que servem de base para os avaliadores atribuírem preços para itens como propriedades para investimento e ativos biológicos. Em seus documentos, o órgão não detalha as premissas que devem ser usadas, mas enumera as metodologias mais usadas e os pontos principais que devem ser considerados em cada tipo de avaliação.

Paralelamente, no Brasil, o Conselho Monetário Nacional determinou, por meio da resolução nº 4.277, que a partir de julho deste ano os bancos passem a documentar e justificar quais critérios seguem para determinar o preço de ativos financeiros em carteira.

"Mesmo no mercado financeiro, é bastante comum a área de contabilidade usar um parâmetro para calcular o valor justo, que é diferente daquele usado pela tesouraria ou pela área de risco", diz Eric Barreto, professor do Insper e da Cinecorp.

A regra do CMN e do Banco Central permite que os bancos usem tanto o valor de mercado divulgado por terceiros como também modelos de apreçamento próprios que tenham como base informações de mercado.

"A ideia é sistematizar melhor processos que estão na cabeça das pessoas, mas que podem ser divergentes entre as áreas da instituição", afirma Barreto.

Conforme o Valor apurou no mercado, bancos grandes já têm esses processos dentro de suas rotinas, mas instituições menores ainda teriam trabalho a fazer.

Um mal-entendido quando se fala de valor justo é confundi-lo com valor de mercado. Em alguns casos, pode haver uma coincidência entre esses dois "valores". Mas nem sempre o preço disponível do mercado é aquele considerado como valor justo, conforme a definição contábil. "O valor de mercado é um pedaço do valor justo. Se há um título público cujo preço 'de mercado' divulgado pela Anbima reflete um número pequeno de negociações, aquele não é necessariamente o valor pelo qual ele seria vendido", explica Barreto.

Nesse caso, diz ele, pode ser melhor usar um modelo de apreçamento, ainda que alimentado por informações de mercado. "O preço de mercado tem a vantagem de ser mais observável. Mas a norma de valor justo prima mais pela qualidade da informação", afirma o especialista.

Outra falha comum é confundir uma das ferramentas usadas na apuração do valor justo, como o modelo de fluxo de caixa descontado, com o próprio conceito. Ou seja, nem toda avaliação feita por meio do fluxo de caixa descontado, que consiste em calcular o valor presente de um fluxo futuro de caixa, resultará em um número que passe no crivo do que se considera valor justo contábil.

Isso ajuda a esclarecer também a diferença entre as definições de valor justo e de "valor em uso" de um ativo, sendo este último é usado de forma adicional quando se realizam testes para saber se o valor investido em um ativo (ou gasto na sua compra) será recuperado, em um exercício conhecido como teste de "impairment". "O fluxo de caixa descontado pode ser usado tanto para apurar o valor em uso, usando preços e custos praticados pela sua empresa, como para o valor justo, usando critérios comuns para o mercado como um todo", diz Ana Cristina França de Souza, vice-presidente da Apsis, consultoria especializada em avaliação de ativos.

Em relação a esse último ponto, os especialistas destacam que precisa ficar claro que o valor justo é um valor de "saída". Traduzindo, na hora de calcular o "valor justo", não interessa quanto aquele ativo vale para a própria entidade, mas quanto um terceiro estaria disposto a pagar por ele. "Num leilão de obra de arte, o valor justo não é o da oferta vencedora, mas o último preço de quando ainda havia dois participantes", explica Ana Cristina, da Apsis. Segundo ela, se o vencedor pagou mais caro é porque ele vê nela alguma característica que as outras pessoas não veem.

Barreto lembra ainda que o conceito de valor justo prevê que se considere o melhor uso para determinado ativo, que pode não ser o uso pretendido pela empresa. "Para uma entidade, um terreno que ela possui vale quanto ele pode gerar de fluxo de caixa dentro do negócio dela. Mas numa visão de mercado, o melhor uso pode ser vender o terreno para fazer um estacionamento ou construir um prédio."


Texto de 
Fernando Torres, publicado no Valor Econômico, em 15/05/2014.
“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)