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22 de mar. de 2017

XXII Prêmio Tesouro Nacional 2017



O Prêmio Tesouro Nacional é idealizado pela Secretaria do Tesouro Nacional e tem a finalidade de estimular a pesquisa na área de Finanças Públicas, reconhecendo os trabalhos de qualidade técnica e de aplicabilidade na Administração Pública. 
Poderão concorrer trabalhos individuais ou coletivos,  de candidatos de qualquer nacionalidade e formação acadêmica (graduação ou pós-graduação).

Os temas do concurso são:
1. Equilíbrio e Transparência Fiscal
2. Alocação Eficiente do Gasto Público
3. Dívida Pública e Concessão de Garantias

Maiores informações e inscrições: http://www.esaf.fazenda.gov.br/assuntos/premios/pagina-principal-xxii-premio-tn-2017 

Concurso de Monografias - Academia Nacional de Economia

Divulgação:
1º Concurso de Monografias da Academia Nacional de Economia – ANE
Idealizado e instituído pela Academia Nacional de Economia - ANE, o seu 1º Concurso de Monografias, com periodicidade anual, tem por finalidade identificar problemas, propor soluções, estimular a pesquisa e contribuir para o desenvolvimento do conhecimento humano nas áreas das ciências econômicas, políticas e sociais.

Tema geral do concurso: A Economia Verde

Subtemas para as monografias:
1 - A Atualização do Direito Tributário frente a Economia Verde
2 - Economia Verde e Desenvolvimento Sócio econômico
3 - A Economia Verde e o Desenvolvimento de Cidades Inteligentes
4 - A Mudança de Comportamento dos Agentes Econômicos na Transição para a Economia Verde
5 - Economia Verde e os Novos Padrões de Produção, Distribuição e Consumo
6 - Economia Verde: Desafios e Oportunidade de Novos Negócios
7 - A Economia Verde e as Necessidades de Adaptações Jurídicas, Tecnológicas e Sociais
8 - A Amazônia e a Economia Verde

Maiores informações e inscrições: http://www.academia-ane.org/detalhes.asp?id=1&programacao=12 

Moody's: Somos estáveis!(?)

Somos estáveis!(?)

A agência de classificação de riscos Moody’s divulgou que mudou a perspectiva de nota do Brasil. De acordo com a Moody’s, a situação do Brasil passa de negativa para estável [Como será que ela concluiu isso?]. Porém, o país ainda não recuperou o grau de investimento [Que também é atribuído por agências como a Moody’s].

Matéria publicada no jornal Valor Econômico:

A Moody's pegou de surpresa boa parte do mercado, que qualificou como “ousada” a decisão da agência de alterar a perspectiva da nota de crédito do Brasil de "negativa" para "estável". Para justificar a ação, a Moody's citou estabilização econômica [Onde? Quando? Como?], convergência da inflação à meta, melhora da perspectiva fiscal e do ambiente institucional [Não é possível que ela considera o nosso ambiente institucional estável, não... Em tempos em que os principais nomes que estão no comando do país estão envolvidos em escândalos de corrupção] e números mais positivos da Petrobras [Prejuízo menor é positivo!!!]. O rating permanece em “Ba2”, ou dois níveis abaixo do grau de investimento.

Em um período em que o Brasil questiona como são feitos os hambúrgueres e as salsichas nos principais frigoríficos do país, cabe questionar também como são calculados os indicadores que as agências de riscos usam para classificar os países e as empresas.

E vale: a carne é fraca, mas os interesses escusos podem ser muito fortes!

14 de mar. de 2017

12 de out. de 2016

Nobel de Economia

Os ganhadores:
O Prêmio Nobel de Economia 2016 foi concedido a dois professores de economia: Oliver Hart (Universidade de Harvard e Holmström) Bengt Holmström (MIT). Os pesquisadores ganharam o prêmio por suas contribuições para a teoria dos contratos, que têm múltiplas aplicações em diversos contextos da vida real.
O trabalho de Hart tem ajudado a entender quais companhias devem se fundir, além do equilíbrio correto de financiamentos e quando instituições como escolas devem ser privadas ou públicas. Já o de Holmström ajuda a formular contratos para executivos.

O prêmio:
O Nobel de Economia tem uma recompensa de 8 milhões de coroas suecas, equivalente a R$ 3 milhões. O prêmio inclui ainda um diploma e uma medalha de ouro.
O prêmio de Economia é o único que não remonta ao testamento de Alfred Nobel. Denominado oficialmente Prêmio de Ciências Econômicas do Banco Real da Suécia em Memória de Alfred Nobel, foi criado em 1968 pelo Banco Central sueco para comemorar seu tricentenário e concedido pela primeira vez em 1969. As demais categorias do Nobel são concedidas desde 1901.

Justificativas para o prêmio:
-- “As novas ferramentas teóricas criadas por Hart e Holmström são valiosas para a compreensão dos contratos e instituições da vida real, bem como armadilhas potenciais no projeto de contrato”
-- “[O trabalho deles] estabelece uma base intelectual para traçar políticas e para instituições em muitas áreas, da legislação sobre falências a constituições políticas”
-- “A teoria do contrato, desenvolvida pelos premiados, é um amplo marco de análises dos múltiplos aspectos do contrato, como a remuneração dos executivos com base em sua performance, as franquias, os copagamentos nos seguros ou a privatização do setor público”.
-- “Contratos são apenas uma forma incrivelmente poderosa de pensar sobre partes da economia. Eles são fundamentais para toda a ideia de que o comércio é um tomar uma coisa por outra e que há dois lados para uma transação”.
-- O tema de estudo dos premiados talvez seja menos prestigioso que as grandes questões de crescimento, desemprego ou pobreza, razão pela qual não apareciam nas previsões. Mas ambos tiveram o mérito de abrir caminho “a um fértil terreno de pesquisa fundamental”.
-- “Graças à pesquisa de Oliver Hart e Bengt Holmström, temos agora os instrumentos para analisar não apenas os termos financeiros dos contratos, mas também a prestação contratual dos direitos de controle, dos direitos de propriedade e dos direitos de decisão entre as partes”.

Um Nobel de para homens de universidades norte-americanas:
Do total de 78 edições do Nobel de Economia, 56 (72%) foram concedidos a professores que atuam em universidades norte-americanas.
As mulheres permanecem quase ausentes da lista do Nobel de Economia. Apenas uma mulher ganhou a distinção: a norte-americana Elinor Ostrom, em 2009, junto com outro pesquisador dos EUA.

Dez últimos ganhadores do Nobel de Economia:
2016: Oliver Hart e Bengt Holmström, por suas contribuições à teoria dos contratos.
2015: Angus Deaton (Reino Unido-Estados Unidos), por seus estudos sobre “o consumo, a pobreza e o bem-estar”.
2014: Jean Tirole (França), por sua “análise do poder do mercado e de sua regulação”.
2013:  Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre os mercados financeiros.
2012: Lloyd Shapley e Alvin Roth (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre a melhor maneira de adequar a oferta e a demanda em um mercado, com aplicações nas doações de órgãos e na educação.
2011: Thomas Sargent e Christopher Sims (Estados Unidos), por estudos que permitem entender como acontecimentos imprevistos ou políticas programadas influenciam os indicadores macroeconômicos.
2010:  Peter Diamond e Dale Mortensen (Estados Unidos), Christopher Pissarides (Chipre/Reino Unido), um trio que melhorou a análise dos mercados nos quais a oferta e a demanda têm dificuldades para se acoplar, especialmente no mercado de trabalho.
2009: Elinor Ostrom e Oliver Williamson (Estados Unidos), por seus trabalhos separados que mostram que a empresa e as associações de usuários são às vezes mais eficazes que o mercado.
2008: Paul Krugman (Estados Unidos), por seus estudos sobre o comércio internacional.
2007: Leonid Hurwicz, Eric Maskin e Roger Myerson (Estados Unidos), por seus trabalhos baseados nos mecanismos de intercâmbio destinados a melhorar o financiamento dos mercados.


Fonte das informações: G1 

20 de set. de 2016

Profissões em 2025 III

Um matéria divulgada pelo jornal O Globo fala de profissões em alta e em baixa nos próximos anos.
No sistema em que vivemos as pessoas não são seres humanos, são recursos. E a matéria  sinaliza isso, mas não de forma crítica. Os recursos que não colaborarem para o retorno das organizações serão eliminados.

Ocupações que serão populares em 2025, segundo a matéria:

- “Professional triber”: Profissional freelancer, especialista em unir pessoas de diferentes em culturas em torno de um projeto comum. Cada vez mais a diversidade está presente no mercado de trabalho e essa função tem a habilidade de integrar as pessoas para que tenham a melhor performance e harmonia em equipe.

- Professor freelancer: O ensino passa a ser pontual, atendendo às necessidades e demandas específicas de cada indivíduo. Sem falar no incremento do ensino à distância, por meio de tecnologias de vídeo conferências. [Socorro!!! Nada de Educação numa visão ampla para o exercício da cidadania e transformação social, mas conteúdos focados na formação da mão-de-obra! Adeus Filosofia, Sociologia, Ciência Política...]

- Fazendeiros Urbanos: Aumento da conscientização do consumo e produção autônomas de alimentos orgânicos em áreas urbanas. [O latifúndio mudará de lugar!]

- Cuidadores: A diminuição da natalidade e o aumento da idade laboral dos indivíduos vão impulsionar a função dos cuidadores. A elevação da expectativa de vida da população, a aposentadoria tardia e a mudança do comportamento das famílias que passam a ter menos filhos são exemplos que contribuem para esse crescimento. [Será que vou precisar? Em 2025 certamente não, mas quem sabe lá para 2050 em diante...]

- Instaladores domésticos especialistas em tecnologia (Smart house): Maior procura por especialistas em casas inteligentes e aumento da demanda por casas automatizadas. [Eu já utilizo os serviços desses profissionais!]

- Designer especializado em impressão 3D: Maior procura por aplicações em 3D. As impressoras facilitam a transformação da ideia em matéria. Exemplos: próteses e impressão de projetos tridimensionais.

- Designer de realidade virtual: Aumento do acesso ao ambiente de realidade virtual, por meio de especialistas na criação desses ambientes. Exemplos: visitas virtuais a museus, países, pontos turístico, etc.

Na opinião de Celso Georgief, especialista em Recursos Humanos e sócio diretor da DSG Brasil, essas profissões também estarão em alta em 2025:
- Perito forense digital
- Especialistas em energias alternativas
- Direito em geral, principalmente Direito internacional e arbitragem
- Analisa de gestão
- Consultoria estratégica

As profissões voltadas para qualidade de vida também estarão em alta, já que as pessoas vão viver mais e cada vez mais se preocupam com a qualidade de vida que terão.

Profissões em 2025 II

Um matéria divulgada pelo jornal O Globo fala de profissões em alta e em baixa nos próximos anos.
No sistema em que vivemos as pessoas não são seres humanos, são recursos. E a matéria  sinaliza isso, mas não de forma crítica. Os recursos que não colaborarem para o retorno das organizações serão eliminados.

Ocupações que devem deixar de existir em 2015, segundo a matéria:

-- Operador de telemarketing: Hoje em dia você consegue ter autoatendimento online, o atendimento passa a ser digital. Não precisaria ter um interlocutor pessoa física para isso. É a simplificação dos processos.

-- Contador (elaborador de obrigações fiscais): A carreira passará por transformações nesta atribuição, já que os cálculos passam a ser automatizados, a partir da integração das informações disponíveis entre órgãos públicos e privados. [Thanks God! Já está na hora dos contadores se livrarem da escravidão de serem apuradores e escrituradores de tributos.]

-- Reparador de relógios: Com o avanço da tecnologia e a atualização rápida de novos modelos, vai haver uma diminuição gradativa de instrumentos mecânicos.

-- Subscritor de seguros: Redução de intermediários para determinadas transações. Atendimento passa a ser digitalizado.

-- Agente de crédito: As empresas têm investido em simulações de financiamento imobiliário on-line. Os cálculos e comparações passam a ser realizados por sistemas automatizados.

-- Árbitro: Introdução da tecnologia nos esportes para fins de apuração de resultados.

-- Trabalhadores rurais: A tendência é a automação e o advento de máquinas guiadas via satélite. [Senhor, salve a agricultura familiar e os alimentos orgânicos!]

-- Operador de caixa: Tendência de automatização, através do incentivo das relações de confiança entre consumidor e estabelecimento.

-- Corretor de imóveis: A facilidade das relações comerciais, por meio de sistemas menos burocráticos, vem desburocratizando o mercado imobiliário. Exemplo: Zap Móveis.

-- Digitador de dados: Atualmente há plataformas digitais que fazem leitura e digitalização de documentos. Além disso, cada vez mais a indústria está investindo no desenvolvimento e evolução de leitores de informação. Exemplos: captura ótica de dados do cartão de crédito.

Profissões em 2025 I

Um matéria divulgada pelo jornal O Globo fala de profissões em alta e em baixa nos próximos anos.
No sistema em que vivemos as pessoas não são seres humanos, são recursos. E a matéria  sinaliza isso, mas não de forma crítica. Os recursos que não colaborarem para o retorno das organizações serão eliminados.

Os avanços da tecnologia empurram o mercado de trabalho para mudanças cada vez mais drásticas e transformadoras. De acordo com uma análise feita pela consultoria Ernst & Young, com base em diversos estudos, até 2025 um em cada três postos de trabalho devem ser substituídos por tecnologia inteligente.
[...]
O mercado, nos próximos anos, aposta em profissionais que têm facilidade de se relacionar com várias culturas e perfis diferentes ao mesmo tempo. O grande ponto para que você tenha sucesso não está ligado necessariamente ao que você sabe e sim a como você consegue interpretar, analisar e interligar os dados disponíveis — afirma Antonio Gil, sócio da área de Gestão de Pessoas da Ernst & Young no Rio.
[...]
— Não acredito no fim da profissão de contador, por exemplo. A função será aperfeiçoada, e este profissional deverá estar capacitado para maior envolvimento com aspectos de auditoria, departamento financeiro e análise de gestão — afirma Celso Georgief, especialista em Recursos Humanos e sócio diretor da DSG Brasil. 

Especialista em consultoria contábil, o fundador do Grupo Insigne, Sérvulo Mendonça, também acredita na transformação da profissão, fruto de adaptações educacionais, currículos, formas e modelos de atuação e técnica mais vinculada aos mecanismos tecnológicos.

— Essa afirmação pode fazer com que jovens talentos não busquem as tais profissões — alerta ele.
[...]
Em contrapartida, professores, tão desvalorizados no aspecto financeiro, segundo o estudo, terão dias melhores. Antonio lembra que o ensino passará a ser pontual, atendendo às necessidades e demandas específicas de cada indivíduo, além de haver a consolidação do ensino à distância.

26 de mar. de 2016

Nestes tempos tão difíceis

Nestes tempos tão difíceis. postamos aqui uma texto do grande Bertolt Brecht para inspirar nossas análises e percepção da realidade que nos circunda:


“Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. 
E examinai, sobretudo, o que parece habitual. 
Suplicamos expressamente: Não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.” 

                                           

22 de jul. de 2015

O preço do cinema

O Infomoney divulgou esta semana uma matéria [Não existe pipoca grátis! O terror da meia entrada...] sobre a formação do preço do ingresso no cinema, com destaque para a influência da meia entrada estudantil, e também quantas horas, em média, as pessoas precisam trabalhar para pagar o ingresso em alguns países. E adivinhem? 
Em um rol de 19 países, o Brasil tem o 4º ingresso de cinema mais caro do mundo!

O gráfico a seguir mostra, em horas de trabalho, o preço do ingresso do cinema nos países pesquisados.
Não existe pipoca grátis! O terror da meia entrada... - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/blogs/terraco-economico/post/4157618/nao-existe-pipoca-gratis-terror-meia-entrada

Gráfico: Horas médias trabalhadas para se comprar um ingresso de cinema.
Não existe pipoca grátis! O terror da meia entrada... - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/blogs/terraco-economico/post/4157618/nao-existe-pipoca-gratis-terror-meia-entrada
Se não existe almoço e nem pipoca grátis, imagina se vai existir cinema efetivamente pela metade do preço!
Não existe pipoca grátis! O terror da meia entrada... - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/blogs/terraco-economico/post/4157618/nao-existe-pipoca-gratis-terror-meia-entrada
Não existe pipoca grátis! O terror da meia entrada... - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/blogs/terraco-economico/post/4157618/nao-existe-pipoca-gratis-terror-meia-entrada

20 de dez. de 2014

Cursos que mais formam milionários

O curso de Contabilidade apareceu numa lista elaborada pela consultoria WealhInsight, em 2013, entre os dez cursos que mais formam milionários.
Então, se você fez/faz contabilidade, ainda resta esperança! Mas não espere, estude, se torne um profissional de alto nível para ter perspectivas de alto nível.
O primeiro curso da lista de cursos que mais formam milionários Engenharia... Daí eu pergunto: Qualquer Engenharia? Sim, porque hoje existe graduação em Engenharia capilar se brincar...
Outra curiosidade da lista é MBA como cursos que mais forma milionários. Eu pergunto novamente: MBA em que? Qualquer coisa? 
A lista, segundo matéria divulgada pelo Infomoney, foi feita a partir do "currículo de algumas das pessoas mais ricas do mundo".
Lista completa divulgada no site da NewStatesman e que considera os cursos tanto em nível de graduação quanto de pós-graduação:

1. Engenharia [Qualquer uma?]
2. MBA [Em que?]
3. Economia
4. Direito
5. Administração de Empresas
6. Comércio [?]
7. Contabilidade
8. Ciência da Computação
9. Finanças
10. Política

18 de set. de 2014

Prêmio Ig Nobel 2014

Prêmio Ig Nobel: A premiação, concedida pela revista de humor científico “Anais da Pesquisa Improvável”, reconhece desde 1991 as dez pesquisas mais incomuns, bizarras ou óbvias publicadas em um ano. Apesar da provocação, o Ig Nobel é levado na brincadeira pelos cientistas e boa parte deles comparece em pessoa para aceitar o prêmio.

A cerimônia do Ig Nobel 2014 aconteceu na prestigiada Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e sempre conta com um punhado de ganhadores do Nobel de verdade – entre os mais famosos e frequentes, o Nobel de Física de 2005 Roy Glauber, cuja nobre função na premiação é varrer aviõezinhos de papel que caem no palco.

Em 2008, os brasileiros Astolfo Gomes de Mello Araujo e José Carlos Marcelino, da USP, se tornaram os primeiros brasileiros a ganhar um Ig Nobel, ao mostrar o impacto do tatu nas pesquisas arqueológicas.

Em 2000, o russo Andre Geim levou o prêmio por fazer um sapo levitar usando o magnetismo. Dez anos depois, Geim ganhou o Nobel de Física por seus estudos com o grafeno. Com isso, ele se tornou o primeiro cientista a ter a honra de ser um ganhador do Nobel e do Ig Nobel.

Entre pesquisas premiadas no passado, estão uma que mostrou que os buracos negros têm os requisitos fundamentais para serem a porta de entrada do inferno, a criação de um sutiã que serve como máscara de gás e um estudo que provou que massagens no reto curam o soluço.

Estou pensando em sugerir aos organizadores do Ig Nobel para incluir a categoria Contabilidade! Estamos precisando analisar melhor a (ir)relevância do que andamos pesquisando e as contribuições que temos dado para a área.

Os ganhadores do Ig Nobel 2014 em cada categoria foram:

Neurociência: Experimento de cientistas chineses que descobriu como funciona o cérebro de uma pessoa que enxerga a imagem de Jesus Cristo em um pedaço de torrada.

Ciência Ártica: Investigação de cientistas da Noruega que queriam saber se as renas da região de Svalbard se assustavam com humanos vestidos de urso polar.

Medicina: Experimento que fez médicos inserirem tiras de carne de porco no nariz de um paciente para conter hemorragia nasal – tentativa que funcionou, segundo a médica Sonal Saraiya, responsável pela prática inusitada.

Nutrição: Estudo uma equipe da Espanha que teve a ideia de usar bactérias encontradas nas fezes de bebês para fazer linguiça. [Espero que ninguém tenha se alimentado com essas linguiças...]

Psicologia: Teoria de que pessoas que dormem muito tarde podem se tornar psicopatas. [Será que isso é tão bizarro mesmo?]

Saúde Pública: Duas equipes estudaram se é ou não perigoso um ser humano conviver com um gato. [Perigoso eu não sei, mas trabalhoso deve ser para se livrar de tanto pelo que eles soltam...]

Física: Pesquisadores japoneses testaram se as cascas de banana são tão escorregadias como nos desenhos animados.

Biologia: Estudo que descobriu que os cães defecam de acordo com o campo magnético da Terra.

Arte: Cientistas da Itália mediram a dor sofrida por uma pessoa quando ela é atingida por laser enquanto olha para um quadro feio. 

Economia: Pesquisadores italianos do Instituto Nacional de Estatística do Governo [Tipo o nosso IBGE] realizaram estudos incluindo a prostituição e o tráfico de drogas no cálculo do crescimento do país. [Também imagino que pode não ser nada irrelevante considerar a "riqueza" gerada pela prostituição e pelo tráfico de drogas na formação do PIB... Mas imagino que não temos dados confiáveis no Brasil]

Matéria sobre o Ig Nobel no G1

1 de set. de 2014

Salário Mínimo na LOA

Às vezes penso que se eu não tivesse estudado Ciências Contábeis, estudaria Comunicação Social. Mas acho que eu não iria muito longe, pois não sei até que ponto conseguiria escrever textos frios e desprovidos de compromisso com a informação de qualidade para a sociedade. Muitos, muitos jornalistas mesmo não tem coragem de criticar, nos textos que publicam, meia frase do que os entrevistados dizem. E, nas poucas vezes que o fazem, são motivados por interesses muito pouco neutros ou imparciais.

Salário mínimo previsto no Orçamento de 2015 é de R$ 788,06
Texto de  Vandson Lima | Valor Econômico - 28/08/2014

O salário mínimo previsto para 2015 é de R$ 788,06, um aumento de 8,8% sobre o valor atual, de R$ 724 mensais, conforme o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2015. "Está dentro da regra de valorização do salário mínimo", afirmou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior (...) 

Pela Constituição, a LOA deve ser entregue pelo Executivo até o dia 31 de agosto de cada ano e compreende o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público; o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; e o orçamento da seguridade social, abrangem do todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo poder público.

A expectativa é que o projeto da LOA seja aprovado até o fim do ano. [Expectativa? E os prazos legais?] "Coloquei toda a equipe do Ministério do Planejamento à disposição do Congresso, para todos os esclarecimentos, para que possa se fazer uma análise rápida e votar o orçamento até o fim do ano. O presidente do Senado confirmou que esse é um prazo possível", sustentou a ministra. [Possível? Também está na CF que o orçamento deve ser devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa, portanto, votado até o final do ano!!! ADCT, art 35, § 2º, III].

Miriam Belchior sublinhou ainda que o orçamento prioriza as áreas de saúde, educação, combate à pobreza e infraestrutura (...).
Como no ano passado, o projeto chega antes da aprovação final, pelo Congresso, da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015. [Que por sua vez, está fora do prazo previsto na CF, ADCT, art 35, § 2º, II, em que o PLDO deveria ser devolvido para sanção até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa]. Fala sério!!!

Destaques e inserções por nossa conta e risco! 

9 de jun. de 2014

Melhores e Maiores

Os professores Nelson Carvalho e Ariovaldo dos Santos, responsáveis pela edição técnica de Melhores e Maiores (publicado pela revista Exame), pediram para divulgar nas redes sociais o seguinte texto:

Há quase duas décadas o Administrador Stephen Kanitz cessou de compilar os dados técnicos para a publicação anual Melhores e Maiores, da Revista EXAME, e a continuidade da mesma foi contratada com a FIPECAFI – Fundação de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, sob responsabilidade direta dos Contadores Professores Ariovaldo dos Santos e Nelson Carvalho.

Recentemente, Kanitz postou comentários não apenas desairosos e ofensivos à qualidade da publicação atual como também aos responsáveis por seu preparo, e cumpre que nos posicionemos perante tal conduta imprópria e pouco ética da parte dele.

Lamentável saber que o Administrador Kanitz, aposentado, continua, exatamente igual quando na ativa, tratando/estudando certas questões com pouca ou nenhuma profundidade. Senão vejamos:

· O Administrador questiona se alguém sabe o total de impostos pagos pelas 500s maiores empresas do Brasil e adiciona que esse era um dado que (ele) compilava para MM e que deixou de ser publicado.

· Pois bem, no tempo em que o questionador/Administrador era responsável por Melhores e Maiores, até 1995, a revista não publicava valores dos impostos. Só passou a publicar a coluna com valores de impostos sobre vendas a partir de 1997, com a compilação de dados técnicos já sob a gestão da FIPECAFI.

· A partir de 2012, na lista das 500 maiores, visando um maior aperfeiçoamento da informação que já vínhamos há anos divulgando após – e apenas após – assumirmos a coordenação técnica da Revista - substituímos a coluna “impostos sobre vendas” pela mais ampla, de “tributos”, mas é provável que o referido Administrador não tenha, mais uma vez, atentado para isso com a profundidade minimamente necessária. Aliás, na página 65 da edição de 2013, até destacamos as 10 empresas que mais pagaram tributos dentre as que examinamos. Cabe esclarecer ao Senhor Administrador que “tributos” incluem impostos e contribuições sobre vendas e lucros, além de outros (veja exemplos listados na página 276 dessa mesma edição).

· O Administrador também afirmou que é triste ver a equipe de Melhores e Maiores comparar valor adicionado com patrimônio e questiona a comparação de fluxo com estoque – esquece o Administrador que o “estoque” Patrimônio é formado, dentre outras origens, por acumulação de “fluxos” de valores adicionados, dentre os quais está o que o jargão contábil consagrado denomina de “lucro”

· Pois é, triste não é comparar valor adicionado com patrimônio (fluxo com estoque), triste é ver que o Administrador esqueceu-se que em Melhores e Maiores de 1995, do tempo que ele compilava, já se calculava, e nós continuamos fazendo isso porque está correto, o giro nos estoques. Isso é o que? Fluxo com fluxo, estoque com estoque ou fluxo com estoque?

· Reiteramos lamentar termos sido vítimas de afirmações gratuitas, incorretas e desprovidas de qualquer conceito técnico/lógico em redes sociais. Devem tais manifestações ser entendidas como incompetência, desonestidade intelectual ou simplesmente má intenção?

(Nelson Carvalho e Ariovaldo dos Santos)
Fonte: AQUI


As declarações que motivaram o texto dos professores Nelson Carvalho e Ariovaldo dos Santos são as seguintes:


Alguém sabe qual o total de impostos pagos pelas 500s maiores empresas do Brasil?
Era um dado que eu compilava para Melhores e Maiores, mas que deixaram de publicar, além de dezenas de outros benchmarks administrativos.
Uma pena.

Fonte: Facebook do Stephen Kanitz 

25 de abr. de 2014

Dívida pública e Copa do Mundo

Dívida pública sobe mais em cidades-sedes da Copa


As 12 capitais que receberão evento elevaram débitos em 51%, em média. Municípios investiram principalmente em projetos de transporte desengavetados com o pretexto do Mundial

Às vésperas da Copa do Mundo, o torneio apresenta mais uma conta: as cidades que receberão os jogos se endividaram em ritmo bem superior ao de capitais que ficaram fora do evento. Levantamento da Folha em dados do Banco Central aponta que, em dois anos, as dívidas das 12 sedes do Mundial com o Tesouro Nacional ou bancos públicos cresceram, em média, 51%. Nas capitais sem Copa, no mesmo período, a taxa cresceu 20%. Dos municípios com jogos, apenas um –Salvador– conseguiu baixar sua dívida com o governo federal no período. Nas demais capitais, quatro reduziram.

No período pré-Copa, os municípios investiram, sobretudo, em projetos de transporte desengavetados com o pretexto do Mundial.

O governo federal estima os custos dessas obras em aproximadamente R$ 8 bilhões –valor equivalente ao que foi gasto na construção e na reforma dos 12 estádios. A construção das arenas ficou majoritariamente com os governos estaduais. Já na área de mobilidade urbana, a maior parte dos gastos é financiada com recursos do governo federal.

MAIOR PROPORÇÃO

Em 11 capitais, o endividamento com a União subiu entre 3% e 256% desde o início de 2012. Em cinco das 12 cidades também houve expressiva mudança na proporção da dívida em relação à receita. Em Fortaleza, por exemplo, o município tem hoje débito equivalente a 15% de sua receita corrente. No fim de 2011, o índice era zero. Em Porto Alegre, a dívida zerada foi bandeira da campanha do prefeito reeleito José Fortunati (PDT). Agora o débito caminha para alcançar 30% da receita –o próprio balanço do município atribui a alta ao “crescimento nos financiamentos visando a Copa”.

CONSEQUÊNCIAS

Para o professor de administração pública José Matias-Pereira, da Universidade de Brasília, o endividamento preocupa porque as capitais terão pouca capacidade de investimento à frente. “São muitos anos para pagar, e débitos ficam para gerações futuras. Por isso, é preciso um freio para que, no futuro, não paguem por descontrole de um ou outro gestor”, afirmou Aécio Prado Júnior, vice-presidente do Conselho Federal de Contabilidade. O caso mais emblemático é o de Curitiba, governada por Gustavo Fruet (PDT).

Com o empenho de recursos nas obras, a prefeitura contraiu outros empréstimos para bancar dívidas com fornecedores. O endividamento foi de 3,2% da receita no fim de 2011 para 9,8% hoje. O Planalto diz que as intervenções em mobilidade urbana serão o legado do evento. A lista de obras, contudo, sofreu sucessivas alterações nos últimos anos. Projetos foram excluídos e outros continuam pendentes a menos de dois meses do evento.

DEBATE POLÍTICO

Se durante a eleição de 2012 o tema Copa foi destaque nos debates municipais, passada a onda de protestos de 2013, as prefeituras tentam evitar a vinculação dos gastos com o Mundial. “O BRT passa a um quilômetro do [estádio] Mineirão. Não tem sentido dizer que [a obra] é por causa da Copa”, disse o secretário das Finanças de Belo Horizonte, Marcelo Piancastelli. Em Porto Alegre, durante o auge das manifestações do ano passado, o município tirou do pacote para o evento a maior parte dos projetos –a liberação de recursos atrasou e a cidade passou meses com vias interditadas devido a obras paralisadas. Nas 12 cidades, a única que ultrapassa o limite de endividamento previsto em lei é São Paulo. A cidade hoje tem dívida equivalente a 200% da receita corrente líquida, enquanto o limite é de 120%. A prefeitura, no entanto, não buscou financiamento federal para as obras de mobilidade urbana.


Texto de Felipe Bächtold, publicado na Folha - 25.04.2014

4 de nov. de 2013

Contabilidade e Cinema

Como diria a Isabel Sales, do Blog Contabilidade Financeira: #VejoContabilidadeEmTudo
Parece que o prof. Eliseu Martins também vê!

O que têm a ver as bilheterias de cinema com contabilidade?

Você assistiu Avatar? Sabe que foi o filme com maior bilheteria até hoje? US$ 760 milhões! Bem, pode ser que não tenha visto E.T. – O extraterrestre; coitado, faturou apenas US$ 435 milhões! Ou 43% a menos.

Só que o meu colega Ariovaldo dos Santos, da FEA-USP, não concorda: diz que Avatar é bilheteria de 2009 e E.T. é de 1982. Ele insiste em dizer que dólar não é dólar, ou melhor, que não se comparam os dólares de datas tão diferentes. Corrigindo pelo índice de inflação ao consumidor americano, conclui: em valores atualizados, Avatar faturou US$ 807 milhões e E.T…. US$ 1,026 bilhão! Ou seja, 27% a mais. Tudo bem que são 27 anos de diferença, mas também é enorme a diferença entre as cifras, não?

E se fossem números contábeis? Receitas, lucro, imobilizado, depreciações, etc.? O professor Ari vem nos lembrar: a inflação acumulada americana dos últimos dez anos chegou a 30%. Será que isso distorce as demonstrações contábeis deles? Um capital investido de US$ 100 milhões há dez anos que hoje, a valor justo, valesse US$ 200 milhões, teria propiciado 100% de retorno nominal na década; descontando-se a inflação (2/1,3), o aumento real seria de pouco mais de 50%! E o imposto, teria sido pago sobre qual lucro: o nominal ou real
Para discutir os efeitos da inflação sobre as demonstrações contábeis, o IASB vai promover uma reunião específica em dezembro próximo.

Será que vale a pena nos preocuparmos com isso?

Fonte: Capital Aberto - Prof. Eliseu Martins

15 de set. de 2011

Neuroeconomics & Neuroaccounting


A matéria trata de um estudo inovador e muito interessante: a busca de entender o cérebro humano nas decisões econômicas, contábeis, adminstrativas, de investimentos... Na matéria foi denominada de Neuroeconomia, mas já existe também a Neuroaccounting! No III Congresso ANPCONT (Associação Nacional do Programas de Pós Graduação em Ciências Contábeis) realizdo em São Paulo, foi apresentado o trabalho NEUROACCOUNTING: MODELANDO A TOMADA DE DECISÃO EM AMBIENTESCONTÁBEIS. Mas já existem diversas outras publicações sobre o tema no exterior e também pesquisas em andamento no Brasil sobre o assunto.

 Neuroeconomia busca desvendar a cabeça do investidor

Matéria de Nikhil Hutheesing ( Bloomberg) publicada no Valor Econômico em 12/09/2011

John Coates, um pesquisador sênior de neurociências e finanças da Universidade de Cambridge, tem uma teoria. Ele diz que haveria menos bolhas e crashes no mercado de ações se mulheres e homens mais velhos conduzissem a maioria dos negócios. "Há menos diversidade no mundo financeiro que no militar", ironiza ele. "Em Wall Street, temos uma parcela da população - homens jovens - conduzindo os pregões. Isso leva a um comportamento extremo: eles ficam selvagens."
Isso não é bom para as ações. Tal comportamento provavelmente contribuiu para o crash da internet em 2000 e o crash de 2008-2009, alimentado pelas hipotecas subprime. Portanto, Coates, que passou 12 anos negociando derivativos de renda fixa para o Goldman Sachs e o Deutsche Bank em Nova York, está agora examinando os hormônios dos operadores, em busca de pistas sobre o grau de risco que as mulheres e os operadores mais velhos se dispõem a assumir.
Em 2007 Coates dirigiu-se a um pregão e recolheu repetidas vezes amostras de saliva de 250 operadores, a maioria homens jovens. Ele constatou que no período da manhã, quando seus níveis de testosterona estão altos, a confiança dos operadores também é alta. Na medida em que fazem negócios bem-sucedidos, seus níveis de testosterona sobem ainda mais, levando a lucros na parte da tarde.
Os homens jovens começam a se sentir infalíveis, assumindo um comportamento cada vez mais arriscado, como comprar ações a preços sobrevalorizados. Mas, em algum momento, testosterona demais e um excesso de julgamentos equivocados levam os mercados a níveis de alta insustentáveis. Então o ciclo termina. As ações sobrevalorizadas sofrerão um crash e os níveis de testosterona voltarão ao normal. "A testosterona é a molécula que explica a exuberância irracional", afirma Coates. "Uma certa quantidade de testosterona pode ser saudável, mas o excesso pode levar a uma bolha."
Para a maioria dos pesquisadores que trabalham com a neurociência, o "Santo Graal" é descobrir como regenerar os neurônios do cérebro. Tal feito ajudaria os cientistas a acabar com doenças como o mal de Parkinson e o mal de Alzheimer. Mas outros estão usando as técnicas desse campo em crescimento nas finanças comportamentais, que por si só é uma mistura de economia com psicologia. O resultado é um novo campo chamado neuroeconomia, que tenta explicar como as pessoas gerenciam riscos e por que elas sempre tomam decisões irracionais.
A importância das emoções não é nenhuma novidade. Benjamin Graham, considerado o pai do "value investing", certa vez disse: "Os indivíduos que não conseguem dominar suas emoções estão mal adaptados para lucrar com o processo de investimento". Mas as principais teorias do campo hoje conhecido como finanças comportamentais foram desenvolvidas por Richard Thaler, professor de economia e ciências comportamentais da Booth School of Business da Universidade de Chicago, e Daniel Kahneman, da Universidade Princeton, cujos trabalhos sobre essas questões, com o falecido Amos Tversky, lhes renderam o Nobel em Ciências Econômicas em 2002.
Kahneman e Tversky constataram que as pessoas sofrem mais com a perda de dinheiro do que sentem prazer ganhando dinheiro. Portanto, elas tendem a se agarrar a ações perdedoras, ao invés de vendê-las e evitar uma perda maior.
A irracionalidade também pode assumir a forma de um afeiçoamento emocional a um determinado ativo. R. J. Weiss, o fundador de 26 anos do blog Gen Y Wealth, recentemente postou que foi pego em uma armadilha de comportamento. Quando seu avô faleceu, ele herdou ações que eram negociadas a US$ 25. As ações caíram para US$ 20, US$ 10 e depois para US$ 5, mas Weiss não conseguiu se desfazer do presente que recebeu do avô. Finalmente, em abril, ele vendeu as ações por US$ 3,04, arcando com uma perda de 90%. "O tempo todo que o mercado caía eu sabia que manter as ações era a coisa errada a ser feita, mas eu não conseguia vendê-las", escreveu Weiss.
Dan Ariely, um economista comportamental do Massachusetts Institute of Technology (MIT), diz que as pessoas precisam ser cautelosas com essa irracionalidade, e que talvez seja até mesmo preciso estabelecer mecanismos que impeçam as pessoas de agir de maneira imprudente. "Sabemos que precisamos criar um mecanismo que impeça as pessoas de enviar mensagens de texto pelo celular enquanto estão dirigindo", afirma Ariely. "Mas, no mercado, não estamos levando em conta o caráter humano, e isso está nos levando para o mau caminho."
Primeiro, porém, os neuroeconomistas precisam entender o papel da emoção nas tomadas de decisões. Brian Knutson, um neurocientista da Universidade Stanford, e Camelia Kuhnen, uma professora de finanças da Kellog School of Management da Northwestern University, rastreiam os cérebros dos investidores enquanto eles tomam decisões de compra e venda. Eles constataram que os investidores com o maior apetite pelo risco aumentam a atividade cerebral em uma área chamada núcleo acumbente. Esta é a parte que é ativada em um animal quando ele encontra comida, ou em um predador quando ele parte para uma caçada.
Ao mesmo tempo, há um aumento da dopamina, responsável pela sensação de bem-estar. Ela inunda nosso cérebro quando antecipamos algo prazeroso ou excitante como ouvir música, fazer sexo ou pular de paraquedas. Um aumento da dopamina pode levar os investidores a adotar comportamentos de risco.
Os investidores que são mais avessos ao risco - e menos inclinados a comprar uma ação em grande demanda - mostram um aumento da atividade em uma parte diferente do cérebro, a ínsula anterior, que tem um papel muito importante em emoções como ansiedade e dor. Ela é a parte que é ativada quando sentimos o cheiro de um ovo podre ou o silvo de uma cobra. "Ao desconstruir os motivos que levam os investidores a ficarem entusiasmados, e por que eles fazem o que fazem, vamos desenvolver ferramentas que poderão ajudar as pessoas e tomar decisões melhores", afirma Knutson.
Uma das ferramentas em que Knutson está trabalhando é uma maneira de ajudar a impedir os investidores de se tornarem vítimas de fraudes financeiras. Knutson, cujo trabalho é bancado pela Financial Industry Regulatory Authority (FINRA), está usando a tecnologia de imagens cerebrais para ver o que acontece quando os investidores são seduzidos por golpistas. Ele diz que pode parecer que as vítimas são simplesmente pessoas ignorantes. No entanto, pode ser que as vítimas sejam pessoas cujos cérebros ficam tão animados com os ganhos em potencial que não conseguem evitar a tomada de risco. Ou talvez essas vítimas não sintam medo. Suas constatações poderão levar a uma ferramenta para salvaguardar os investidores.
Para onde tudo isso vai? Talvez um dia investidores e operadores tenham um dispositivo biométrico conectado aos seus computadores. Ele poderá escanear o córtex pré-frontal do cérebro, determinar os níveis de testosterona e medir a quantidade de suor nas palmas das mãos em microssegundos, antes de alertar você para não fazer determinado negócio. Ou as pesquisas atuais poderão resultar em medicamentos que tornarão as pessoas mais racionais.
"Dentro de poucas décadas, medicamentos que reforçam o desempenho serão uma parte integrante de nosso mundo", afirma Hersh Shefren, professor de finanças comportamentais da Santa Clara University. "No momento isso é ficção científica, mas a ficção científica sempre acaba virando ciência."
“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)