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8 de abr. de 2020

Impactos do Covid-19 na Contabilidade e na Auditoria

Olá a todos! Reproduzimos a matéria a seguir, publicada no portal da revista Exame sobre os impactos da pandemia causada pelo COVID-19 no trabalho de contadores e auditores. Vale a pena a leitura.

A pandemia do coronavírus se transformou em uma tremenda dor de cabeça para companhias e auditores. A expectativa de uma forte retração da economia está tirando o sono do empresário e fazendo especialistas em contabilidade duvidarem se os ativos hoje registrados nos balanços valem mesmo o que dizem. A angústia maior dos contabilistas é com o tal do teste da imparidade.

Esse exercício de nome feio – uma tradução livre para o “impairment” – nada mais significa do que conferir se os ativos reportados poderão gerar a riqueza que traduzem nas demonstrações financeiras, seja com lucros futuros, seja pela venda do bem. É uma obrigação das empresas e seus auditores, que deve ser cumprida, pelo menos, uma vez ao ano.

O que tem atormentado os auditores é como fazer essa verificação – ou seja, confirmar a verdade dos fatos – diante de um ‘black swan’ com as proporções da covid-19. De um momento para o outro, a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil da ‘The Economist Intelligence Unit’, por exemplo, passou de um crescimento de 2,4% para 2020 para uma violenta retração de 5,5% – uma variação de quase 8 pontos percentuais e que ninguém sabe se vai parar por aí. E essa mesma crise afetará companhias e setores de maneiras e intensidade diversas.

À primeira vista, esse debate pode parecer perfumaria de contabilista. Mas não é não. O patrimônio líquido, que pode ser reduzido por essas baixas por imparidade, é um parâmetro de solidez e alavancagem financeira das companhias – e de notas de risco de créditos. Ou seja, pode afetar diretamente o custo do dinheiro em tempos em que é o bem mais escasso e caro.

Feita a confusão, a Exame IN foi ouvir um dos papas da contabilidade no Brasil, Eliseu Martins, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). O conselho número 1 de quem já viveu todas as maxi e mini crises brasileiras é: “calma”.

“A melhor coisa que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fez foi organizar com o governo a Medida Provisória que adiou os balanços do primeiro trimestre para julho”, afirmou. Na opinião do professor, a expectativa é que até lá haja mais visibilidade de todo o cenário. Então, não é necessário sair correndo agora para saber o que lançar.

Ainda não está claro nem o tamanho e nem a duração da crise. Nesse sentido, para Martins, por enquanto, há clareza apenas que, de maneiras diversas, duas linhas dos ativos podem sofrer no curto prazo: recebíveis e estoques.

“Será muito importante reavaliar a capacidade de pagamento da cadeia de cada uma das companhias para ver se os recebíveis serão mesmo convertidos em recursos. Essa é uma linha com maior sensibilidade para este momento”.

Já nos estoques, os mais suscetíveis são os perecíveis, em especial, aqueles sem escoamento. “Por exemplo, o que está acontecendo com os produtores de flores em Holambra [interior de São Paulo]. É preciso ver o que pode ser perdido porque estraga. E o que não estraga, precisa conferir se valerá a mesma coisa.”

Mas sobre os ativos fixos, ou seja, máquinas e equipamentos e toda estrutura das empresas, e também sobre os ágios fruto de aquisições – itens onde parecem morar as maiores perturbações e dúvidas – Martins volta para o primeiro conselho, a calma. Na avaliação dele, ainda não é possível dizer se a crise vai afetar os negócios – ou todos eles – ao ponto de retirar valor do ativo fixo, porque é um bem de uso no longo prazo.

Se o longo prazo é o que precisa ser considerado para o ativo fixo, o mesmo vale para os ágios. Quando uma empresa compra outra, a contabilidade permite que parte da diferença entre o valor da aquisição e o valor contábil da adquirida seja lançado como ágio. Caso haja entendimento que essa riqueza não será recuperada, nem com lucros futuros nem por uma eventual revenda, deveria ser deduzido do total.

Porém, para Martins, é preciso evitar juízos apressados da situação, ainda mais nesse momento sem visibilidade e de muita preocupação. Dessa forma, não se cria uma volatilidade adicional aos balanços. Até mesmo porque uma vez feitas as baixas por imparidade, elas não podem depois simplesmente serem anuladas. Ou seja, a baixa é para sempre.

Para ele, é normal que essas dúvidas existam porque o nível de risco subiu muito. Mas é imprescindível cuidado redobrado para que a objetividade não seja abalada pela falta de visibilidade desse momento.

O professor contou que, na sexta-feira da semana passada, na reunião dos participantes do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) estavam praticamente todos presentes, uma assiduidade que há muito não se via. O “impairment” foi, na visão dele, um dos temas mais comentados.

O CPC foi criado pelo Conselho Federal de Contabilidade em 2005, fruto da iniciativa do próprio e de mais diversas associações e organismos ligados ao mercado de capitais, como CVM, Banco Central (BC), Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) e a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), entre outros. Assim como inúmeras outras instituições, nunca trabalhou tanto.

6 de nov. de 2015

Fraudes Contábeis na Bíblia

As fraudes e manobras contábeis vêm de longa data! 
O trecho apresentado a seguir consta no Evangelho segundo Lucas 16,1-8 e trata, de forma simplificada, de problemas de governança corporativa, de prestação de contas, de assimetria informacional entre proprietário e administrador e ainda expõe práticas de adulteração de registros contábeis, para benefício dos interesses do administrador. Conflitos de agência? 
O trecho é denominado em algumas versões da Bíblia como "Parábola do Administrador Infiel", mas poderíamos denominá-lo hoje de Parábola das Pedaladas Contábeis.

"Jesus disse aos discípulos: 'Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. [Indícios de fraude]
Ele o chamou e lhe disse: 'Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens'. [Demissão do CEO]
O administrador então começou a refletir: 'O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração'. [Busca de maximização dos interesses individuais]
Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: 'Quanto deves ao meu patrão?' Ele respondeu: 'Cem barris de óleo!' 
O administrador disse: 'Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinqüenta!' [Adulteração de registros contábeis]
Depois ele perguntou a outro: 'E tu, quanto deves?' Ele respondeu: 'Cem medidas de trigo'. 
O administrador disse: 'Pega tua conta e escreve oitenta'. [Adulteração de registros contábeis]
E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz."

26 de jun. de 2015

Sobre Notas Explicativas

Neste vídeo, o prof. Eliseu Martins fala sobre as mudanças nas Notas Explicativas para que estas efetivamente prestem informações adicionais, mais detalhadas acerca das demonstrações contábeis.

Uma leitura atenciosa, baseada em um conhecimento razoável de contabilidade e informações financeiras, pode levar a concluir que as notas explicativas nos relatórios financeiros de algumas companhias brasileiras, em diversos casos, não dizem "nada com nada" e consistem em longas e enfadonhas repetições das normas contábeis. 


O Valor Econômico divulgou uma matéria sobre o assunto, baseada em uma pesquisa feita pela Abrasca. O estudo procurou investigar os primeiros resultados da aplicação da OCPC 07 emitida pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que foi referendada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no final de 2014. A OCPC ­07 procura dar maior clareza para a aplicação da relevância na elaboração das notas.

Alguns trechos da matéria do Valor - Companhias cortam notas explicativas:

Segundo o vice­-presidente da Abrasca Alfried Plöger, que também integra o CPC, a iniciativa brasileira [da pesquisa] servirá como referência no projeto que o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb) prepara sobre divulgação de informações pelas companhias abertas de dezenas de países que adotam o padrão contábil IFRS, já que a extensão e a qualidade das notas explicativas são motivo de atenção em todo o mundo. "Há casos em que a empresa copia o pronunciamento inteiro do CPC, para depois dizer que aquela norma não se aplica a ela", diz Plöger.

A orientação feita pelo CPC não inova em relação ao que dizem as normas, mas deixa as empresas mais seguras sobre a primazia da relevância na decisão de se divulgar uma informação. Isso significa que, mesmo que um pronunciamento contábil estabeleça níveis mínimos de divulgação sobre determinado assunto, a empresa está dispensada de informar esses itens se aquele assunto for irrelevante para o conjunto das demonstrações financeiras.

De acordo com a Abrasca, a redução do tamanho dos balanços decorreu da simplificação e resumo de informações que antes eram detalhadas em excesso, retirada de notas sobre saldos que não eram representativos ou referente a temas que não se aplicavam à empresa e junção de informações que apareciam de forma repetitiva em diferentes notas do balanço.

Na pesquisa, a associação também questionou as empresas se elas tiveram dificuldades com alguns de seus públicos alvo por conta da redução das notas. No relacionamento com os analistas, nenhuma das 30 empresas reportou qualquer problema.

Em relação aos auditores externos, 24 informaram que tiveram dificuldade "pequena" nesse processo, enquanto 5 relataram dificuldade média e, uma, alta.

Nas visão de Plöger, os analistas não reclamam porque quando não entendem algum ponto normalmente tem liberdade para entrar em contato com a área de relações com investidores e questionar a companhia.

Já os auditores, segundo ele, demonstram mais preocupação em aceitar mudanças nas notas porque temem eventuais cobranças do regulador. "Os auditores tem medo que a CVM vá para cima deles", afirma, com a ressalva de que acredita que o temor é infundado, já que a autarquia tem sido "parceira" nesse processo.

O presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), Idésio Coelho, reconhece que esse é um processo de adaptação para os profissionais da área de auditoria, e calcula que vai levar de dois a três anos para haver um resultado mais claro da nova orientação do CPC.

Ele destaca que a CVM tem o hábito de questionar os auditores no Brasil sobre determinadas práticas, mas que, até agora, não houve questionamentos sobre os balanços de empresas que já iniciaram o processo de redução das notas explicativas.

Contudo, Coelho destaca que alguém tem que ser o fiel da balança, e acredita que caberá ao auditor e ao regulador atuar como freio, para evitar excessos, que ainda não estão ocorrendo.

O presidente do Ibracon destaca que também será importante observar o comportamento de outros agentes, como os investidores e as entidades que premiam as empresas pela qualidade da informação do balanço. "Se forem premiadas empresas que não fizeram redução nenhuma será um tremendo desincentivo", afirma Coelho.

10 de jun. de 2015

Artigos de Periódicos

Estamos retomando as postagens relativas à divulgação de artigos publicados em periódicos da área contábil e afins.
A Revista Ambiente Contábil publicou recentemente o volume 7, número 2, referente ao período de julho a dezembro  de 2015. 

Foram publicados 15 artigos, dos quais dois me chamaram a atenção: 

Autores: Karinne Custódio Silva Lemos, Gilberto José Miranda

O estudo teve como objetivo identificar, entre as variáveis analisadas pelo SINAES, que influenciam o desempenho acadêmico dos discentes. A amostra utilizada foram os cursos de graduação em Ciências Contábeis que obtiveram conceitos 1 e 2 versus 4 e 5 no ENADE dos anos de 2009 e 2012. As variáveis analisadas foram: nota dos ingressantes no Enem, escolaridade dos pais, nota infraestrutura, nota organização didático pedagógica, regime de trabalho docente e quantidades de mestres e doutores. Segundos os autores, a única variável que não apresentou influência na nota obtida pelas IES no ENADE foi escolaridade dos pais.
Eu sugiro uma variável dummy para pesquisas futuras: a realização, por parte das IES, de curso preparatório ou aula de reforço para os estudantes que fazem o ENADE.  Eu suponho que deve impactar na nota! Afinal o que as IES exibem com orgulho é a nota do ENADE [se for boa!],  não importando se a nota realmente reflete a qualidade e condições do curso!
E uma pergunta: Quem dá a nota infraestrutura e a nota organização didático pedagógica? Salvo engano são os alunos! Conheço uma instituição de ensino que praticamente não tem biblioteca nem laboratório de informática e os alunos declararam que a estrutura era excelente.

Autores: Abner Ribeiro Salaroli, José Elias Feres de Almeida, Janyluce Rezende Gama

Esse trabalho teve como objetivo analisar o processo de criação da norma contábil internacional sobre ativos intangíveis públicos. 
Um fato interessante foi a participação da Accounting Standards Board (África do Sul) e da KPMG como os entes que mais forneceram contribuições. 
A gigante da auditoria deve estar de olho nos futuros clientes! Afinal, como escreveu Eliyahu Goldratt, "a meta de uma empresa é ganhar dinheiro hoje e no futuro".

Os demais artigos publicados na última edição da Revista Ambiente Contábil foram:

Márcio Nunes da Silva, José Alexandre Soares de Oliveira Lima, Maurício Assuero Lima de Freitas, Lucivaldo Lourenço da Silva Filho, Umbelina Cravo Teixeira Lagioia

Rodrigo Vicente Prazeres, Jaqueline Arruda dos Santos, Juliana Gonçalves de Araújo, João Gabriel Nascimento de Araújo, Umbelina Cravo Teixeira Lagioia

Ruth Carvalho de Santana Pinho, Leonardo Brandão Bezerra

Ramon Santiago Magalhães, Leonor Bernadete Aleixo dos Santos, Miguel Carlos Viana Negreiros, Luiz Augusto de Carvalho Francisco Soares, Adenes Teixeira Alves

Antônio Carlos Brunozi Júnior, Angela Maria Haberkamp, Tiago Wickstrom Alves, Clóvis Antônio Kronbauer

Lara Núbia Silvestre, Rodrigo Fernandes Malaquias

Matheus Tumelero Dornelles, Clóvis Antônio Kronbauer, João Luis Peruchena Thomaz, Antônio Carlos Brunozi Júnior

Eduardo Gonçalves Moura, José Alves Dantas

Josevaldo Amaral de Sousa, Rodrigo José Guerra Leone, Anailson Marcio Gomes

Paula de Souza, Jéssica Kopak Castro, Altair Borgert, Leonardo Flach, Rogério João Lunke

Harlan de Azevedo Herculano, Geovanne Dias de Moura

Redvânia Vieira Xavier, Manoel Martins do Carmo Filho

Thamirys de Sousa Correia, Orleans Silva Martins

16 de jul. de 2014

Imigração australiana

Imigração australiana divulga lista de profissionais em falta no país: dentistas, gerentes de projetos, médicos, cirurgiões, advogados, chefs, engenheiros, AUDITORES e CONTADORES estão entre eles

A Austrália tem excelentes salários para todos os tipos de trabalho, não importa o setor, e, assim como o Canadá, é um país que importa muitos profissionais por falta de mão de obra local. Tais fatores vem atraindo cada vez mais trabalhadores de outras nacionalidades. Isso vale para aqueles já consolidados no mercado, como também para estudantes, que aproveitam a estadia para conciliar estudo e algum trabalho. [...]
A falta de profissionais qualificados faz com que a Austrália tenha uma demanda altíssima de trabalhadores em determinadas carreiras, e a Skilled Occupation List (SOL), válida de julho deste ano a julho de 2015, é usada pelo governo australiano para selecionar profissionais de diversas áreas que estejam em falta na região.

Ao todo, são 192 carreiras na lista, entre elas, advogado, gerentes de projetos em construção civil, arquitetos, engenheiros (em diversas modalidades, como químico, ambiental, biomédico, telecomunicações e de petróleo), auditores externo e interno, cirurgião (geral e cardíaco),dentistas, osteopatas e médicos em diferentes especialidades. Chefs e pedreiros foram adicionados este ano à lista de ocupações qualificadas em demanda. E, de acordo com o site BrazilAustralia.com, houve conversações sobre a carreira de CONTADOR ser removida da SOL, mas na lista publicada ela continua lá.

Caso uma determinada profissão esteja em demanda na Austrália, o profissional daquela área tem a possibilidade de se candidatar para o visto de residência australiano ou mais chances de conseguir um emprego na função.

Nesta última lista, o governo australiano retirou cinco carreiras. São elas: farmacêutico de hospital, farmacêutico de loja, engenheiro de manutenção de aeronaves (aviões), engenheiro de manutenção de aeronaves (mecânica) e engenheiro de manutenção de aeronaves (estruturas).

Lista completa: Link

Fonte: O Globo

23 de mai. de 2014

Experiências de uma Coleta de Dados

Parecer prévio do tribunal de contas

O voto do conselheiro de um determinado tribunal de contas (que em muitos casos são ex-deputados, ex-vereadores, políticos em fim de carreira, ex-presidentes de clubes de futebol e por aí vai...) foi introduzido pelas seguintes palavras:

“Preliminarmente, devo frisar que são parte integrante deste Voto os pareceres e conclusões do Corpo Instrutivo, naquilo que não conflitar com o meu entendimento. Nos casos em que ocorra a discordância de posicionamento, tecerei minhas justificativas no próprio tópico, alvo da discussão.”

Ou seja: o entendimento do conselheiro, mesmo sem formação técnica (embora devesse ter notório saber na área) prevalece sobre as conclusões do corpo técnico do tribunal (auditores com formação na área e aprovados em concurso público).

E isso se observa em muitos tribunais, com muitos conselheiros, na emissão de parecer prévio sobre as prestações de contas de muitos municípios desse nosso Brasil varonil.

Assim não dá, brava gente brasileira!


#ProjetoMinhaTeseMinhaVida

15 de abr. de 2014

Problemas com auditorias

Auditorias ao redor do mundo estão cheias de problemas

Descoberta levanta grandes questões políticas sobre se já foi feito o bastante em termos de legislação global para melhorar a qualidade das auditorias

Auditorias em companhias públicas e em bancos conduzidas ao redor do mundo por unidades afiliadas às seis maiores empresas de contabilidade do mundo estão persistentemente cheias de problemas, afirmou um grupo internacional de reguladores.

A descoberta, divulgada em pesquisa do Fórum de Reguladores de Auditores Independentes (IFIAR, na sigla em inglês), levanta grandes questões políticas sobre se já foi feito o bastante em termos de legislação global para melhorar a qualidade das auditorias desde a crise financeira de 2007-2009.

Pouco antes do estouro da crise, muitos bancos listados pintaram quadros positivos sobre seus registros contábeis apenas para depois sofrerem grandes perdas com títulos atrelados a hipotecas de alto risco que estavam em suas carteiras.

"A alta taxa de deficiências e suas gravidades em aspectos críticos das auditorias (...) é um alerta para as companhias e para os reguladores", disse Lewis Ferguson do Conselho de Supervisão de Contabilidade de Companhias Públicas, órgão que fiscaliza auditores nos Estados Unidos.

"Mais precisa ser feito para melhorar a confiabilidade do trabalho de auditoria que é executado globalmente em nome dos investidores." A pesquisa global sobre a performance de auditorias foi divulgada ao final de um encontro de três dias em Washington que incluiu a participação de reguladores de várias partes do mundo.

Juntos, os 50 reguladores formam o IFIAR, uma coalizão formada em 2006 para melhorar o compartilhamento e coordenação de informações.

As descobertas do levantamento discutidas derivam principalmente de inspeções conduzidas em 2013 por companhias afiliadas às seis maiores empresas de contabilidade do mundo. Isso inclui as "quatro grandes" do setor: PricewaterhouseCoopers, KPMG, Deloitte e Ernst & Young, bem como BDO e Grant Thornton.

Fonte: Exame

21 de ago. de 2011

Auditoria: rodízio ou não?

Enquanto o IBRACON pede fim do rodízio de auditorias à CVM, Estados Unidos estudam adotar rotação de firmas, assim a CVM ganha aliado em defesa do rodízio e as empresas de auditoria têm que buscar outros argumentos contra o rodízio.
A discussão sobre o assunto está ativa no Brasil e nos Estados Unidos. Nos dias 17 e 18 de agosto de 2011, o Valor Econômico publicou três matérias sobre o assunto.
Seguem alguns trechos:

IBRACON pede fim do rodízio de auditorias à CVM (Texto de Marina Falcão, publicado no Valor Econômico em 17/08/2011)

O Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON) pediu que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abra mão do rodízio compulsório de firmas de contabilidade nas companhias que instalarem um comitê estatutário de auditoria.
Essa foi uma das sugestões que a CVM recebeu durante uma audiência pública sobre o assunto.
A CVM estuda transformar em norma uma minuta de instrução em que amplia de cinco para dez anos o prazo para as empresas abertas fazerem a rotação de firmas. Obrigatório também na Itália, Índia, Cingapura, Coreia do Sul, o rodízio no Brasil só não é exigido nos bancos, que ficaram livres da tarefa após determinação do Banco Central.

Estados Unidos estudam adotar rotação de firmas (Texto publicado no Valor Econômico (Bloomberg) em 18/08/2011)

O Public Company Accounting Oversight Board (PCAOB) decidiu abrir um período de comentários públicos sobre a ideia de estabelecer limites de duração para as auditorias. Os proponentes afirmam que essas restrições poderão eliminar a influência inadequada que as empresas podem exercer no longo prazo sobre seus auditores.

"A associação prolongada das grandes firmas de auditoria com seus grandes clientes é uma questão que precisa ser resolvida para que o PCAOB possa cumprir sua missão", disse o presidente do órgão, James R. Doty, antes da votação. O rodízio obrigatório dos auditores deveria ser considerado por causa "do tamanho, complexidade e risco sistêmico encontrados hoje na população de emissores".

CVM ganha aliado em defesa do rodízio (Texto de Fernando Torres publicado no Valor Econômico em 18/08/2011)

Com os Estados Unidos abrindo a discussão sobre a aplicação do rodízio obrigatório de auditorias naquele país, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ganhou um aliado de peso na sua batalha para defender a troca periódica em vigor para as companhias abertas não financeiras no Brasil.

Um dos principais argumentos daqueles que são contra o rodízio - incluindo auditores independentes e empresas - é o fato de a rotação obrigatória de firmas ser uma espécie de jabuticaba, que só existe no Brasil e, no caso do rodízio, também na Itália, entre os países de maior peso na economia global.

Esse ponto é citado na carta enviada pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) à CVM como comentário à recente audiência pública aberta pela autarquia sobre o tema.

A minuta proposta pela autarquia tem como objetivo induzir as companhias abertas a constituir um comitê de auditoria estatutário em troca de um prazo mais longo para o rodízio de auditor externo. Para essas empresas, o período de rotação subiria de cinco para dez anos.

Embora esse fosse o desejo dos auditores, a proposta da CVM não coloca em questão a desistência da troca obrigatória, sendo que o próximo giro deve ocorrer em 2012. "Não pensamos em mudar a figura do rodízio. Falamos só do prazo, no caso de haver o comitê, mas não da prática em si", diz Alexsandro Broedel, diretor da CVM, sobre a minuta.

Na carta enviada à autarquia, o Ibracon propõe que empresas que criarem comitês de auditoria sejam dispensadas do rodízio.

Nesse caso, a decisão do PCAPOB (sigla em inglês para Conselho de Supervisão de Contabilidade de Companhias Abertas) de discutir o tema também favorece o argumento da CVM, já que lá o rodízio não seria uma opção ao comitê, mas se somaria a ele. "Estamos na mesma tecla, a preocupação é exatamente a mesma", afirma Broedel, lembrando que na União Europeia o tema também foi colocado em audiência pública. Na Europa, a maior parte dos comentários recebidos foi contrária à prática.

13 de jun. de 2011

Mudanças no Parecer de Auditoria

Auditores planejam mudança em parecer

Contabilidade: Divulgação de mais informações poderia reduzir expectativa sobre o trabalho dos profissionais.

Os auditores têm consciência de que o alcance real de seu trabalho nem sempre é bem compreendido pelo público e que isso contribui para a existência do que eles chamam de "vão de expectativas" em relação à profissão. O termo se refere à distância que existe entre o que de fato é assegurado pela serviço de auditoria e o que os leitores de balanços esperam que um parecer sem ressalvas represente.

Em entrevista ao Valor, o presidente do Iaasb (órgão internacional que representa os auditores), Arnold Schilder, disse que parte desse vão de expectativas se explica pela falta de informação sobre o trabalho do auditor e cita como um exemplo a responsabilidade sobre fraudes, que sempre geram bastante polêmica.

Assim, o órgão que ele representa decidiu abrir uma discussão, em nível mundial, com intuito de mudar a comunicação com os usuários das demonstrações financeiras.

Com base em discussões conduzidas por órgãos reguladores, pesquisas acadêmicas e em resultados de consultas públicas, o Iaasb concluiu o que, na verdade, quase todo mundo já sabia: os usuários dão valor ao parágrafo de opinião do auditor sobre as demonstrações financeiras, mas o resto do texto do parecer não é útil como poderia ser.

Como resposta, o Iaasb divulgou um texto de 35 páginas com discussões e sugestões sobre o que poderia mudar no relatório de auditoria ou, de forma mais ampla, na comunicação sobre o trabalho dos auditores. O órgão espera receber comentários do público até 16 de setembro.

Uma das propostas apresentadas, explica Schilder, envolveria a apresentação de um relatório elaborado não pelo auditor, mas pelo comitê de auditoria ou conselho de administração da companhia auditada sobre os temas debatidos com os auditores. "O conselho da empresa levaria para o público parte dessa discussão, que hoje é confidencial. E o auditor, por sua vez, faria um comentário para dizer se o relato apresentado é fiel ou não", afirma o presidente do Iaasb, que esteve em São Paulo nesta semana para a Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria, em comemoração aos 40 anos do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon).

Ele destaca que o Iaasb não teria como obrigar as empresas a fazer isso, já que só tem ligação direta com os auditores. Mas se a proposta for bem recebida durante a audiência pública ela pode ser levada a órgãos reguladores como sugestão.

No Brasil, os comitês de auditoria dos bancos divulgam um resumo de relatório sobre o trabalho realizado - sem muitos detalhes sobre eventuais discussões -, mas não existe obrigação semelhante para as companhias abertas de forma geral.

Outra proposta colocada em discussão pelo Iaasb tem como base o modelo usado na França. Além de dar a opinião sobre as demonstrações financeiras, os auditores franceses precisam justificar pontualmente, nota por nota, a avaliação e os testes feitos sobre as contas mais sensíveis dos balanços, que envolvam mais estimativas ou julgamentos. Isso vale para provisões e cálculo de valor recuperável de ativos ("impairment"), por exemplo.

Embora alguns leitores dos balanços de lá considerem relevantes as informações, há o entendimento de que a linguagem usada é muito técnica e pouco acrescenta para os "não iniciados" em normas contábeis.

Ao comentar o exemplo da França, Valdir Coscodai, sócio da PricewaterhouseCoopers (PwC) no Brasil, diz que é preciso encontrar um equilíbrio. "Para alguns usuários, por mais que você divulgue mais informações, elas nunca serão o bastante", diz.

Em relação ao trabalho de auditoria, Coscodai destaca o fato de o Brasil ter adotado a partir deste ano as novas normas internacionais para a profissão, antes mesmo de países como França, Alemanha, Espanha e Itália. "Realmente isso é algo para nos orgulharmos", afirma.

Schilder foi questionado sobre a possibilidade de se pagar mais ao auditor e exigir que ele assegure que todas as informações do balanço são verdadeiras e corretas - em vez de dizer apenas que, nos aspectos relevantes, elas estão de acordo com as normas. E ele respondeu: "Mesmo se isso fosse possível, o balanço acabaria saindo atrasado, meses depois do que sai hoje, e continuariam as incertezas. Além disso, não somos polícia e não podemos obrigar a administração a nos mostrar documentos secretos."

Texto publicado no Valor Econômico em 09/06/2011, por Fernando Torres

14 de abr. de 2011

Papel e Responsabilidade da Auditoria

Qual o papel da auditoria nas organizações? A resposta pode parecer simples: emitir um parecer sobre as demonstrações contábeis, mas quais as consequências do trabalho da auditoria no mercado de capitais? Tem-se noticiado muitos escândalos envolvendo auditoria de empresas privadas e agora o discurso é que a auditoria é correta e não tem poder de polícia!

Auditorias não podem atuar como polícia, afirma IBRACON

Matéria publicada no DCI em 12/04/2011

As empresas de auditoria tiveram sua competência e até mesmo idoneidade colocadas em dúvida nos últimos meses, especialmente nos casos de rombos descobertos no Carrefour Brasil e no caso mais recente, das fraudes contábeis do Banco PanAmericano. Mas o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON), mesmo sem comentar estes casos em especial, defende que o trabalho feito pelas auditorias no Brasil é correto.

Segundo Ana Maria Elorrieta, presidente da diretoria Nacional do IBRACON, as firmas de auditoria não têm poder de polícia. "Este trabalho é feito com base nas informações passadas pela própria empresa, e só ela mesma pode apurar se estas informações estão corretas ou não. Nós só podemos comunicar o Comitê de Auditoria ou o Conselho de Administração quando percebemos algum tipo de dado muito fora da curva do que percebemos nas empresas do mesmo setor", explica.

Ana Maria afirma que a própria legislação não permite que as empresas de auditoria e a IBRACON se manifestem sobre casos específicos. Mas quando questionada sobre os problemas descobertos nos balanços de empresas, especialmente as de capital aberto, a presidente do IBRACON responde com números. "São 16 mil balanços analisados todos os anos pelas empresas de auditoria, a maioria delas pelas maiores do País. Então o índice de erro é muito pequeno, o trabalho, de um modo geral, é bem feito".

A executiva afirma que as auditorias não têm poder para fiscalizar os indicadores das empresas. "Nós não temos poder de polícia. As informações são mantidas dentro das empresas, e os diretores e acionistas, por meio do conselho de administração, tomam as atitudes que acham devidas. Nosso dever é coletar os dados e comparar com outras empresas do setor. Se, por exemplo, uma empresa consegue lucro enquanto todas as outras registram prejuízo, vamos tentar saber a causa dessa diferença".

Ana Maria lembra ainda que fraudes contábeis não são episódios tipicamente brasileiros. "Tivemos vários casos em todo o mundo. Quando uma pessoa tem a intenção de cometer uma fraude, ela geralmente faz de um jeito que é muito difícil prevenir. E infelizmente, as empresas de auditoria podem fazer muito pouco".

No que diz respeito a concentração deste segmento, a presidente da IBRACON afirma que atuar como auditor não é fácil, nem barato. "Primeiramente há a questão da credibilidade, do tempo de atuação no mercado de uma empresa de auditoria. As empresas, principalmente as de capital aberto, levam muito em conta este lado. Depois, existe um custo muito alto por trás desta atividade", afirma.

Ela ressalta que as auditorias dependem muito da qualidade dos profissionais que atuam na análise dos números de uma empresa, o que demanda investimento alto e constante. "Você imagina que um novo profissional, por exemplo, passa por um mês de treinamento antes de começar a atuar efetivamente. Só isso já demanda um custo muito alto, já que esse profissional está sendo pago sem gerar um retorno imediato. Mas ele vai trabalhar dentro das empresas, então precisa estar muito bem treinado". Atualmente, o mercado brasileiro é dominado pela PricewaterhouseCoopers, KPMG e Delloite e Ernst & Young, conhecidas no mercado como "Big Four".

Mesmo com essa justificativa, Ana Maria afirma que o IBRACON tem um programa de incentivo para as pequenas auditorias. "Nós promovemos formação para os profissionais destas empresas, e achamos saudável uma competição maior. Mas é um objetivo de longo prazo, isso não acontece de um dia para o outro", finalizou a executiva.

“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)