16 de abr. de 2009

Setor contábil lucra com entrada no filão de TI

As consultorias e auditorias do ramo contabilista encontraram, no setor de tecnologia da informação (TI), uma nova oportunidade de negócio, ao começarem a implementar divisões para desenvolver softwares específicos para o segmento contábil, já que a implantação do pacote do Sistema Público de Escrituração Contábil (SPED) tem gerado uma forte demanda de reestruturação tecnológica por parte das empresas. O negócio está tão aquecido que, em alguns casos, a demanda de contratos em consultorias contábeis já aumentou 15% este ano.Há cerca de 20 anos, a Seteco Contabilidade, prestadora de serviços de terceirização contábil, percebeu que os processos internos da própria empresa precisavam ser informatizados e, como não encontrou uma solução compatível no mercado, passou a produzir seu próprio software através da Asplan Sistemas, uma empresa do grupo Seteco que foi criada para cuidar exclusivamente de plataformas tecnológicas na área contábil. "A Seteco sempre teve desenvolvimento próprio, por isso criamos a Asplan", explicou Marcia Alcazar, diretora da Seteco.No mesmo período, a Seteco detectou que seus clientes também necessitavam de um apoio tecnológico, pois não tinham nenhum sistema que os ajudasse a compilar as informações que precisavam ser passadas à contabilidade. "Na maioria das pequenas e médias empresas brasileiras, não encontrávamos uma boa estrutura de tecnologia. Hoje o empresário precisa fazer a opção por um sistema integrado de gestão, se não ele vai passar por dificuldades para atender as novas exigências do governo", explicou a executiva.Percebendo a carência -de seus clientes e de outras empresas de contabilidade- de sistemas que gerissem essas informações contábeis, a Asplan passou a comercializar seus softwares a este mercado, o que acabou se tornando em um grande negócio. "A Seteco viu que os sistemas já estavam avançados e, percebendo a carência do mercado, passamos a comercializar nossos produtos. Hoje, temos sistemas específicos para contabilidade, comércio, indústria, serviços e entidades de classe", explica Fernando Alcazar, diretor da Asplan.Atualmente, a Asplan tem cerca de 50 funcionários diretos e atende cerca de 400 CNPJs, o que significa cerca de 15 mil usuários. De acordo com Fernando, a expectativa da empresa é crescer 40% este ano, um grande avanço se comparado aos 25% registrados no ano passado. "A chegada do pacote SPED, imposto pelo governo, gerou um incremento de 15% nos nossos contratos desde o início deste ano", explicou o executivo.A Terco Grant Thornton consultoria e auditoria contábil criou, em outubro do ano passado, uma divisão que oferece serviços de consultoria contábil, que auxilia as empresas na implantação de sistemas de gerenciamento para atender à demanda do SPED. "Capacitamos cerca de 80 profissionais que já estavam dentro da nossa estrutura para prestar este serviço", explicou Wanderlei Ferreira, sócio da Terco Grant Thornton.AjusteA Confirp Consultoria Contábil, por exemplo, percebeu a necessidade de ajustar os seus sistemas para conseguir atender às solicitações do pacote SPED e também às de seus clientes e, por isso, passou a produzir, entre os anos de 2007 e 2008, softwares específicos para otimizar todos os proce-dimentos contábeis da empresa.Richard Domingos, diretor executivo da Confirp, explica que um dos primeiros softwares criados pela companhia foi o Trabalhista On Line, que é um programa de relacionamento para gerir a folha de pagamentos do cliente conectado com a Confirp. "Com os órgãos públicos cada vez mais tecnológicos, sentimos uma grande pressão do governo para a informatização do setor. Estamos sendo obrigados a mudar a forma de fazer contabilidade", explicou o executivo.Domingos afirma que o sistema Trabalhista On Line permite a completa transação de informações via internet, evitando desperdício de tempo, de papel e de mão de obra intelectual tanto para a Confirp como para seus clientes. "Não existe mais transição de papel nesta área, disponibilizamos as informações para o cliente via web", disse.De acordo com o executivo, a área de tecnologia gera contratos de fidelidade para a empresa, pois se o cliente faz opção por seus serviços de consultoria contábil, ele não cobra a parte de tecnologia. "Se o cliente me contrata como contador, eu não cobro pela consultoria tecnológica, criando contrato de fidelidade", disse o executivo, que desta maneira, conseguiu aumentar sua receita em cerca de 5% no ano passado. Em 2008, a Confirp faturou um montante de R$ 11 milhões e tem a expectativa de registrar, no fim, deste ano, cerca de R$ 13 milhões, além de investir R$ 1,5 milhão em tecnologia."Neste ano, investiremos em hardware, software, treinamento de pessoal e na ampliação de infraestrutura de rede", explicou o executivo. Hoje, cerca de 16% do quadro de funcionários da Confirp é composto por profissionais de tecnologia.SpedO pacote do SPED, que vem sendo discutido pelo governo desde 2004 e que só foi oficializado pelo governo este ano, propõe a virtualização de todo o sistema contábil do País, para evitar fraudes, permitindo que o governo controle todas as informações das empresas em tempo real com o objetivo de diminuir a possibilidade de corrupção.O projeto inclui três diferentes sistemas: Nota Fiscal Eletrônica, Escrituração Fiscal Digital e Escrituração Contábil Digital. De acordo com Marcia Alcazar, que além de diretora da Seteco é membro do Conselho Regional de Contabilidade (CRC), por enquanto, apenas as empresas selecionadas pelo governo devem entregar suas informações virtualmente dentro dos três projetos inclusos no SPED. A tendência, porém, é de que, até o 2010, todas as companhias do País que tenham seu faturamento na moeda real entreguem suas informações contábeis virtualmente, para serem processadas pelo SPED.
Fonte: DCI

Nova regra impulsiona curso contábil

As mudanças que vêm acontecendo este ano no setor de contabilidade brasileiro, com a implementação da convergência às normas internacionais (IFRS) e do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), estão provocando grandes movimentações no mercado de educação contábil, em que a demanda por cursos de especialização em alguns casos aumentou cerca de 50%.
Luciana Onusic, coordenadora-geral da Trevisan Escola de Negócios, explica que a graduação no curso de Ciências Contábeis tem sido mais procurada este ano, inclusive por profissionais com formação em outras áreas, em busca de especialização em Contabilidade. "Vamos abrir um novo vestibular de graduação em Contabilidade no dia 21 de junho. Será o único curso que terá um vestibular no meio do ano, pois notamos que esse mercado está muito forte em decorrência das mudanças no setor", explicou a executiva, que notou um aumento de 30% de interessados na graduação em Contabilidade em dezembro de 2008.
De acordo com Luciana, os cursos de pós-graduação em Controladoria, que é uma extensão do curso de contabilidade, tiveram um aumento de 50% de procura por parte dos profissionais. "A profissão contábil esta cada vez mais valorizada, as mudanças na legislação estão impulsionando o profissional a se especializar mais nessa área", explicou a executiva. Ela conta que os cursos de contabilidade podem ser encontrados em todas as divisões da Trevisan: graduação, pós-graduação, cursos In Company e Eventos. "Nos cursos In Company enviamos nossos profissionais para lecionar dentro da empresa, dependendo da especialidade que a companhia escolher", disse.
Nos seminários promovidos com a intenção de oferecer cursos de curta duração, a executiva explica que, de setembro do ano passado até ontem, 325 pessoas participaram dos eventos que tratavam, entre outros assuntos, de IFRS e SPED. Para suportar esta demanda, a Trevisan abrirá, no dia 09 de maio, um curso específico de SPED, que terá cerca de 20 horas de duração. "Esperávamos um decréscimo de matrículas por causa da crise, mas isso não aconteceu: a demanda está cada vez maior", disse a executiva.
Amélia Serra, diretora do Centro de Orientação Profissional (Cenofisco), que existe há apenas três anos, explica que os profissionais estão com dificuldades de se adaptar à novidade do SPED, que é um sistema complexo, e por isso estão procurando cursos de especialização. "O mercado contábil começou a profissionalizar-se agora, depois de perceber que não tinha mão de obra preparada e capacitada para enfrentar as mudanças", explicou a executiva.
De acordo com Amélia, o Cenofisco tem hoje cerca de 22 mil alunos matriculados em seus cursos, e a expectativa de chegar, este ano, a 28 mil. "Em outubro tivemos uma queda de 20% na procura por esses cursos, em consequência da crise. Neste trimestre, o mercado voltou a aquecer-se", disse. O Cenofisco oferece cursos de graduação e de especialização, que são de curta duração.
Adaptação
Luiz Fernando Nóbrega, vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRC-SP), explica que este ano será de adaptação do setor contábil às novas normas impostas pelo governo, com a tendência de que cada vez mais os profissionais busquem por cursos de especialização. "A partir do segundo semestre deste ano, e principalmente no ano que vem, a busca por cursos de especialização deve aumentar mais", explicou.
O Sindicato das Empresas e Serviços Contábeis de São Paulo (Sescon-SP) também realiza um forte trabalho com a finalidade de promover uma maior profissionalização do setor, com ações de responsabilidade social, como o projeto "Desenhando o Futuro", que, de de sua criação, em 2003, até hoje, já formou cerca de 750 jovens na área contábil.
José Maria Chapina Alcazar, presidente do Sescon, afirma que cerca de 80% dos alunos formados pelo Sindicato são absorvidos pelo mercado. "Subsidiamos toda a infraestrutura para que esses jovens possam ter uma formação", disse ele, ao DCI.
O setor
De acordo com dados do Conselho Federal de Contabilidade do Brasil (CFC), apurados em 2008, há mais de 400 mil contabilistas e técnicos em atuação hoje no País, e mais de 69 mil escritórios individuais e sociedades contábeis no mercado, o que significa que há uma grande massa de contadores que deve voltar à escola para se adaptar a todas as novas regras do setor e para se atualizar.
No Brasil, há mais de 1.100 cursos de Ciências Contábeis, que formam cerca de 40 mil profissionais de contabilidade ao ano.
Fonte: DCI

Descontração


12 de abr. de 2009

Reforma Financeira antes da Tributária

Por José Virgolino de Alencar

(Obs. Escrevi este artigo em 1985 (Publicado na Revista Fisco). Republiquei em 2003, com os mesmos termos, porque a discussão era a mesma de 85. Em face do movimento dos prefeitos, agora em 2009 fazendo a mesma reivindicação lá de 1985, republico o artigo, atualizando, apenas, as datas, para mostrar que o Brasil só muda para continuar na mesma).

A reforma tributária é urgente, todos nós reconhecemos e desejamos, mas não deve vir com açodamento. Não há como se conseguir uma reforma tributária já. Se é reforma tributária responsável e séria, não é já. E se é já, não será reforma tributária séria.
Será mais um remendo na rasgada vestimenta institucional do país, coisa absolutamente inadequada nestes novos tempos O sistema tributário atual converteu-se num emaranhado de normas legais conflitantes, competências coincidentes, regulamentos indecifráveis e definições insondáveis. Num fértil assoreamento, leis, decretos e portarias foram se juntando para formar verdadeira montanha de confusão fiscal. Isto para falar somente no seu aspecto jurídico-operacional.
Quanto à filosofia do sistema, outros pecados podem ser apontados, como o fato de ser um instrumento da própria estrutura de poder vigente, concentrando as decisões numa só esfera de Governo e devidamente ajustado às diretrizes do domínio central.
Com isso, as receitas são carreadas em maior volume para a União, ficando Estados e Municípios na dependência do Governo Federal. Além do mais, quando se analisa a carga tributária e sua distribuição entre os cidadãos, verifica-se que a contribuição é inversamente proporcional à renda de cada um. Nesse caso, o sistema tributário dá um mau exemplo econômico, ao inverter a distribuição da renda nacional. Quando o pobre compra feijão, financia o caviar do rico.
Todas essas distorções oferecem um pesado desafio, agora jogado nos ombros do Governo Federal, que não se mostra motivado a enfrentá-lo. Mexer nessa teia de aranha exige muitos cuidados, um estudo profundo, passando por um debate amplo e aberto, o que não nos parece estar sendo feito. Para se chegar a um projeto perfeito e acabado é possível que se consuma, no mínimo, todo exercício de 2009, entrando por 2010. Assim, o projeto que deverá ser votado pelo Congresso só poderá vigorar no exercício de 2011, consoante o princípio da anualidade. Até lá, Estados e Municípios estarão, com certeza, na insolvência.
É por isso que insistimos numa medida de emergência (caso em que o remendo se justifica), traduzida por uma reforma financeira que contemple Estados e Municípios com mais recursos, retirados estes do Orçamento Fiscal da União.
De imediato, a reivindicação municipal e estadual defende um aumento do percentual de transferências sobre todas as receitas tributárias federais, incluindo algumas não atualmente compartilhadas. Feita através de emenda constitucional, com poucos artigos e pouca exigência técnico-jurídica, a reforma financeira pode vigorar no próprio exercício de sua promulgação, o que amenizará a situação ainda no corrente ano.
Como a intenção claramente demonstrada pela União é não atender Estados e Municípios, achamos que, entre outros, o procedimento emergencial da reforma financeira, via Emenda Constitucional, é o melhor indicado para as circunstâncias atuais. A reforma tributária terá que vir, no futuro, como solução definitiva, mas não deve, agora, servir de pretexto para a protelação de uma medida de socorro a Estados e Municípios, necessária e inadiável.

8 de abr. de 2009

Descontração (Feliz Páscoa!)


Fonte: A Charge Online

Descontração


Fonte: A Charge Online

Será o fim do lucro líquido?

'Botox' no lucro líquido tira credibilidade dos balanços
Valor Econômico (08/4/2009)
Por Jonathan Weil, Bloomberg, de Nova York
Não se pode ter um índice preço/lucro (P/L) sem lucros. E por um importante referencial financeiro, o índice de ações Standard & Poor's 500 não tem nenhum.
A medida de lucros à qual estou me referindo é chamada de lucro abrangente. Embora exista uma boa chance de você nunca ter ouvido falar disso, trata-se de uma medida de lucratividade bem mais completa que o seu primo mais conhecido, o lucro líquido.
O lucro abrangente é a mudança no patrimônio dos acionistas de uma companhia em um determinado período, excluindo os efeitos de novas injeções de capital e pagamentos de dividendos. Por essa medida, as companhias do índice S&P 500 tiveram perdas combinadas nos últimos quatro trimestres de cerca de US$ 200 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg e minha própria análise dos relatórios das empresas. Em outras palavras, não há um P/L porque não há L.
Por outro lado, as empresas do S&P 500 tiveram lucro líquido de US$ 295 bilhões no período, o que revela um P/L de 25 vezes os lucros para o índice. Isso não é barato pelo padrão histórico . E é muito o que se pagar por lucros "botox", que são artificialmente firmes e cosmeticamente melhorados.
Os investidores podem não prestar muita atenção ao lucro abrangente. Mas deveriam. O lucro líquido, independentemente de sua reputação de última linha do balanço, tornou-se tão poluído que não é mais uma medida confiável. Nome mais apropriado seria lucro abrangente excluindo coisas que a administração não quer que você perceba.
A partir do primeiro trimestre, após as pressões do setor bancário e seus lobistas no Congresso Americano, o Financial Accounting Standard Board (Fasb) propôs permitir às empresas reportarem os números de lucro líquido que ignoram quedas graves e de longo prazo nas ações e títulos de dívida que possuem. Do jeito que as regras estão, as empresas precisam registrar despesas no lucro líquido sempre que decidirem que essas perdas não são temporárias.
Na maioria dos casos, as companhias poderão manter as perdas não temporárias fora do lucro líquido. Isso está ligado a várias outras coisas que o lucro líquido já exclui, como os ganhos e perdas com planos de benefícios a aposentados, certos contratos de derivativos e flutuações cambiais. Tudo isso continuará sendo levado em conta no lucro abrangente.
O abismo entre o lucro líquido e o lucro abrangente normalmente não é tão grande. Segundo a Bloomberg, os resultados de 2007 das companhias que fazem parte do S&P 500 mostram um lucro abrangente combinado de US$ 784 bilhões, comparado a um lucro líquido de US$ 660 bilhões. Isso foi quando os planos de pensão eram comparativamente mais ricos, por causa das baixas taxas de juros e da alta dos mercados, e as companhias tinham uma probabilidade maior de mostrar ganhos do que perdas com as posições em títulos.
A onda de prejuízos do último ano, especialmente nas instituições financeiras, vem cobrando seu preço sobre as duas medidas de lucro. Em certos casos, a diferença entre as duas foi enorme.
Certamente, se excluíssemos os bancos, o lucro abrangente combinado do resto das empresas do S&P 500 teria sido ligeiramente positivo. Mesmo assim, as instituições não foram as únicas com grandes diferenças entre seus resultados líquidos e abrangentes.
O lucro abrangente tem os mesmos problemas do lucro líquido. Ele depende de muitas estimativas subjetivas - desde reconhecer a receita ao tamanho das reservas para perdas com empréstimos e as despesas de depreciação de ativos. Ainda assim, é mais próximo, sob os princípios contábeis aceitos, da realidade econômica da empresa. O maior desafio para os investidores sempre é encontrá-lo.
As empresas americanas são obrigadas a revelar o número nas demonstrações trimestrais que enviam às autoridades reguladoras, mas elas não o colocam nas demonstrações de resultados. Normalmente, elas o colocam no patrimônio ou o escondem nas notas explicativas. A maioria das companhias não menciona o número em seus releases de resultados.
Nada disso vai mudar, a menos que os investidores comecem a exigir a informação com mais destaque. Com a nova safra de balanços já iniciada, o momento de se manifestar é agora.

Será o fim das lembranças e hábitos negativos?

Pesquisas analisam a possibilidade de apagar lembranças e hábitos negativos

Nova York, 8 de Abril de 2009
Imagine que os cientistas possam apagar certas memórias manipulando uma única substância no cérebro. Eles poderiam fazer você esquecer uma fobia, uma perda traumática, ou um hábito nocivo. Os pesquisadores do Brooklyn realizaram, recentemente, façanhas comparáveis, com uma única dose de droga experimental injetada em áreas do cérebro decisivas para reter tipos específicos de memória, como associações emocionais, conhecimento espacial ou habilidades motoras. A droga bloqueia a atividade de uma substância que o cérebro aparentemente necessita para reter boa parte das informações. E se for intensificada, a substância pode ajudar a afastar a demência e outros problemas de memória.
Até agora, a pesquisa foi realizada só em animais. Mas os cientistas dizem que esse sistema de memória provavelmente funcionará de forma quase idêntica nas pessoas.
A descoberta de uma molécula de memória aparentemente decisiva, e seus muitos possíveis usos, são parte das conversas que cercam um campo que, nos últimos anos, tornou o aparentemente impossível repentinamente provável: a neurociência, o estudo do cérebro.
"Se esta molécula for tão importante quanto parece ser, podemos ver as implicações possíveis", disse Todd C. Sacktor, neurocientista que coordena uma equipe no Suny Downstate Medical Center, no Brooklyn, que fez a demonstração do efeito que produz na memória. "Para o trauma. Para o vício, que é um comportamento adquirido. Finalmente para aprimorar a memória e a capacidade de aprendizado."
Os artistas e os escritores dominaram a exploração da identidade, consciência e memória por séculos. Mas mesmo quando os cientistas enviaram homens para a lua e sondas para Saturno ,o instrumento responsável por essas façanhas, a mente humana, permanece quase inteiramente misterioso, um universo tão vasto e na maior parte inexplorado quanto era o Novo Mundo no passado.
Agora a neurociência, um campo praticamente inexistente há uma geração, está correndo na frente, atraindo bilhões de dólares em novos financiamentos e grupos de pesquisadores. O National Institutes of Health gastou, em 2008, US$ 5,2 bilhões, perto de 20% do total de seu orçamento, para projetos relacionados ao cérebro, conforme dados da Society for Neuroscience. Os fundos como o Wellcome Trust e a Kavli Foundation investiram centenas de milhões de dólares mais, estabelecendo institutos nas universidades do mundo inteiro.
A entrada de recursos, talento e tecnologia significa que os cientistas estão pelo menos encontrando respostas reais sobre o cérebro - e levantando questões, tanto científicas quanto éticas, mais rápido do que qualquer pessoa pode responder a elas. Milhões de pessoas podem ser tentadas a apagar memórias severamente dolorosas, por exemplo - mas e se, no processo, perderem outras memórias, pessoalmente importantes, que estavam de alguma forma relacionadas? Um tratamento que só "eliminasse" os hábitos adquiridos do vício não tentaria as pessoas a experimentar mais amplamente?
E talvez ainda mais importante, quando os cientistas encontram uma droga para fortalecer a memória, todos não se sentirão compelidos a usá-la? "Nesse campo estamos só no pé da colina de uma enorme montanha", disse Eric R. Kandel, neurocientista da Universidade de Columbia.
Sacktor está entre os centenas de pesquisadores que tentam encontrar a resposta para a questão que tem deixado os filósofos perplexos desde o início da investigação moderna: Como pode um grupo de tecido capturar e armazenar tudo - poemas, reações emocionais, localizações dos bares? A idéia de que a experiência deixa algum traço no cérebro remonta à metáfora Theaetetus, de Platão, de um selo na cera, e, em 1904, o acadêmico alemão Richard Semon deu um nome para esse traço fantasmagórico: o engrama. O que poderia ser, na verdade, esse engrama?
A resposta, sugere a pesquisa anterior, é que as células cerebrais ativadas por uma experiência mantêm uma a outra em veloz comunicação, como um grupo de pessoas unidas pelo testemunho comum de algum evento. Ative uma delas e a mensagem correrá rapidamente para a rede maior de células, cada uma aparentemente acrescentando algum detalhe. O cérebro parece reter uma memória criando linhas de comunicação mais espessas, ou mais eficientes, entre essas células. A pergunta de bilhões de dólares é como.

Fonte: Gazeta Mercantil (The New York Times)

Crise não derruba valor de marcas

São Paulo, 8 de Abril de 2009
A crise financeira internacional, deflagrada em setembro, não impediu que as marcas se valorizassem em 2008 no Brasil. Levantamento da Brand Finance divulgado ontem mostra que, na soma geral das 100 maiores marcas do País, enquanto o valor de mercado das empresas listadas em bolsa caiu 25,3% no ano passado, a soma do valor das marcas aumentou 5,7%. Bancos, empresas de telecomunicações e de alimentos influenciaram a alta - uma vez que as de commodities (matéria-prima exportável) perderam valor de mercado e de marca. Pelo segundo ano consecutivo, a marca mais valiosa do Brasil é a do Bradesco: R$ 16,2 bilhões, mais que o dobro de 2007, quando estava avaliada em R$ 7,3 bilhões.
Os bancos lideram o ranking: Itaú em segundo lugar (R$ 11,8 bilhões) e Banco do Brasil (R$ 7,4 bilhões) em terceiro. Gilson Nunes, sócio da Brand Finance América do Sul, explica que o desempenho extraordinário dos bancos ocorreu porque houve migração de clientes. Segundo ele, muitos saíram de pequenas e médias instituições, com medo que quebrassem. Além disso, segundo ele, o sistema financeiro é bem desenvolvido no Brasil. Ele acrescenta que os três primeiros têm marcas que traduzem confiança.
Domingos Abreu, diretor-executivo do Bradesco, acredita que uma série de fatores tenha influenciado para que a instituição seguisse na liderança. "É um conjunto de coisas: o modelo de negócio, que valoriza e se vale do valor da marca e a gestão com ética e com relação próxima ao cliente, entre outros. O trabalho agora é de manutenção", diz. Ele acrescenta que os bancos brasileiros se mantiveram bem porque têm um modelo de gestão que consistente.
A subida no ranking da Vivo e a entrada da Claro no top das 100 maiores marcas do País mostra o bom desempenho do setor de telecomunicações. A Vivo ficou em 6º lugar - ante a 9º do ano passado -, avaliada em R$ 5,9 bilhões (no ano anterior foi de R$ 5,8 bilhões). Segundo ele, a portabilidade movimentou o mercado. Além disso, há uma demanda reprimida no setor. Das telefônicas, apenas a Tim perdeu valor de marca. Na avaliação de Nunes, isso ocorreu porque em 2008 a empresa perdeu muitos clientes e foi a segunda na lista de reclamações do Procon. A marca saiu da 29ª para a 37ª posição, passando de um valor de R$ 2,3 bilhões para R$ 2 bilhões - perda de 14%.
Outro setor em destaque, de acordo com o sócio da empresa, foi o de alimentos, cujo consumo manteve-se constante. Neste segmento, Nunes destaca as não-exportadoras, uma vez que empresas de alimentos como a Sadia, por exemplo, perderam valor. "Há uma parcela do público consumidor que é leal, que não troca de marca mesmo na crise", afirma. E observa que foi este o tipo de empresa (com consumidor fiel) que elevou o seu valor em 2008.
Perdas
Mas nem tudo foram flores para as marcas brasileiras. Aquelas que trabalham com produtos exportados tiveram depreciação no seu valor. É o caso, por exemplo, da Petrobras, cujo valor caiu de R$ 6,2 bilhões para R$ 5,9 bilhões. Apesar disso, a empresa passou de 8ª para 7ª no ranking. Isso porque, segundo Nunes, algumas empresas perderam mais, o que ajudou a Petrobras a subir. No entanto, quando se compara com 2006, a perda da empresa é muito maior. Naquele ano, a Petrobras era a marca mais valiosa do Brasil. Mas Nunes lembra que o valor do petróleo hoje é cerca de um quarto o daquela época. Outro fator é que a empresa enfrentou problemas ambientais que repercutiram negativamente.
Nunes diz que, em empresas de commodities, o valor da marca é naturalmente menor e, além disso, o preço do produto é determinado pelo mercado internacional, reduzindo desta forma também o valor de mercado da empresa. Entre as companhias do setor de commodities, a que mais perdeu valor de marca foi a Sadia. Em 2007, ela era avaliada em R$ 4 bilhões e, no ano passado, ficou em R$ 2,1 bilhões - variação negativa de 47%. Com isso, a empresa caiu da 17ª posição para a 32ª no ranking. Ele acredita que, apesar do problema em todo o setor de commodities, a Sadia foi influenciada pelas notícias negativas a respeito da organização. "A exportação menor e o prejuízo impactaram no valor da marca", analisa Nunes. Empresas nestes casos, para o especialista, vão demorar entre três e quatro anos para recuperarem seu valor de marca. "A pancada foi muito grande". Nos demais casos, em 2009 já haverá recuperação, na avaliação dele, pois "o pior momento da crise já passou".
Fonte: Gazeta Mercantil (Neila Baldi)
“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)