31 de ago. de 2010

Poderosos da Convergência Internacional (II)

Mudança nos EUA causa surpresa
Texto de Rachel Sanderson (Financial Times, Londres) publicado no Valor Econômico em 26/08/2010


Bob Herz, presidente do Conselho de Padrões de Contabilidade Financeira (Fasb), anunciou na noite de terça-feira, inesperadamente, que vai se aposentar, abrindo espaço para uma sacudida no poderoso e também controverso órgão, responsável pelas normas contábeis nos EUA.
A saída de Herz - dois anos antes do previsto para sua aposentadoria - significa que os dois cargos mais elevados da contabilidade global estão abertos para renovação. Já se estava a procura de um substituto para David Tweedie, presidente do Conselho de Padrões Internacionais de Contabilidade (Iasb), órgão que emite as normas IFRS, usadas no Brasil, que deve se aposentar em junho de 2011.
Os dois exerceram a presidência durante um controverso período para a contabilidade, especialmente pelas regras de marcação a mercado de instrumentos financeiros complexos, que críticos responsabilizam por exacerbar os efeitos nos resultados dos bancos durante a crise, ao turbinar os valores de ganhos ou perdas não realizadas.
Herz gerou nova controvérsia este ano quando admitiu que o Fasb e o Iasb não conseguiriam cumprir o prazo estabelecido pelo Grupo dos 20 países mais industrializados do mundo (G-20) para criar um único padrão global de contabilidade, em junho de 2011, a fim de aumentar a transparência após a crise.
Jack Brennan, presidente da fundação de curadores responsável pelo Fasb, disse, após o anúncio da saída de Herz, que o conselho terá o número de assentos aumentado de cinco para sete, para "reforçar o investimento do Fasb na agenda da convergência". O Iasb tem quinze conselheiros.
Herz, que presidiu o Fasb desde 2002, quando o setor contábil tentava se reeguer após o escândalo da Enron, tinha a aposentadoria marcada para junho de 2012. Leslie Seidman, atual conselheira do Fasb e ex-executiva do J. P. Morgan, será a presidente em exercício do órgão a partir de 1º de outubro.
Contadores graduados nos dos lados do Atlântico disseram que estavam confusos e surpresos com a decisão. Uma fonte dos Estados Unidos se disse assustado, já que o vazio deixado por Herz representa uma "potencial crise" para o Fasb.

Poderosos da Convergência Internacional

Os últimos dias no poder do "aiatolá da contabilidade"

Texto de Rachel Sanderson e Adam Jones (Financial Times, Londres) publicado no Valor Econômico em 19/08/2010

Normas internacionais: Perto da aposentadoria, Sir David Tweedie, presidente do Iasb, ainda tem vários desafios pela frente.

Sir David Tweedie diz que seu pessoal está preocupado com o que ele será capaz de fazer nos seus últimos meses como presidente do Comitê Internacional de Normas Contábeis (Iasb, na sigla em inglês), o poderoso formulador de normas globais que ele chefiou por uma década.

"Acredito que as pessoas estão muito preocupadas sobre como me sairei nos meus seis últimos meses aqui, com todas as minhas vendetas e todos esses ressentimentos que venho acumulando... Penso que eles estão preocupados que eu possa deixá-los escapar", diz, rindo.

Sir David, que deverá se aposentar em junho de 2011 e ter um sucessor atuando muito antes disso, é uma das figuras mais francas e controversas nas finanças internacionais.

Se por um lado um jornal francês já o descreveu como o "aiatolá da contabilidade", sir David, por outro, presenteia visitantes com histórias da "Christian Aid" (agência cristã de ajuda do Reino Unido e Irlanda) protestando diante do seu escritório sobre contabilidade na África e as batalhas que travou com a Comissão Europeia na confusão da crise. Sobre sua parede há uma tira cômica dele duelando com Gordon Brown, quando o ex-premiê britânico era ministro da Fazenda. Seus defensores dizem que ele é insubstituível.

Seus derradeiros meses no cargo, antes da vinda - ainda não decidido - do seu substituto, e quando assumir um cargo de aposentadoria, como dirigente do Instituto dos Auditores da Escócia, porém, deverão ser um dos mais atarefados e de maior notoriedade.

Ele e seu colega nos EUA, Bob Herz, do Conselho de Padrões de Contabilidade Financeira (Fasb), precisam terminar um plano para convergir uma série de normas consideradas falhas desde a crise financeira. Sir David também acredita que uma reestruturação na governança do Iasb seja iminente, para levar em consideração o poder econômico crescente das economias asiáticas.

Ele considera que a maior fonte de tensão, que provavelmente o colocará mais uma vez em conflito com os órgãos reguladores do sistema bancário europeu, poderá decorrer da revisão na forma como os bancos contabilizam seus prejuízos em vista da crise financeira.

O Iasb propôs passar de um modelo de prejuízo "incorrido" para um modelo de prejuízo "esperado" para ajudar a moderar fortes altos e baixos nos lucros dos bancos ao longo do ciclo econômico.

Os reguladores do sistema bancário nacional na Europa, porém, incluindo alguns dos que estão no Comitê da Basileia, prefeririam que os auditores considerassem exigir que as companhias coloquem de lado parte dos seus lucros para servir de proteção em tempos de recessão econômica.

A reação a essa sugestão - que ele descartou como "auditoria de potinho de biscoitos", no sentido de que a medida permitiria aos dirigentes de bancos guardar e ocultar lucros - é brusca.

"Nós não mostraremos bancos dando lucro quando estiverem dando prejuízo", disse. "Deixaremos o lucro claro e depois dependerá do órgão regulador dizer 'essa parte não pode ser distribuída, essa parte deve ser retida'. Essa não é a atribuição da auditoria."

Ele mantém a mesma fala grossa quando o Iasb e o Fasb são criticados por seu fracasso em cumprir uma data limite concedida a eles pelo G-20 para convergir as normas contábeis até junho de 2011. A realização dessa meta deveria ser o ápice da glória de sir David antes da sua aposentadoria. Em vez disso, o conselho admitiu em junho que eles não cumprirão a data limite e publicaram um plano de trabalho limitado, à medida que o Iasb e o Fasb mostraram sinais de divergir, não convergir, em torno de importantes mudanças de regras envolvendo uma controversa contabilidade por valor justo.

"A palavra que preocupou o G20 foi 'atraso'", diz, dando de ombros. "Mas sabíamos que era iminente. Podíamos enxergar isso. Então estivemos em regime de Plano B por algum tempo."

Nas palavras de sir David, depois de passar dez anos lidando com demandas concorrentes da Europa e depois nos EUA, ele fica muito empolgado quando descreve as mudanças que ele acredita que deveriam ser incorporadas à missão do Iasb e à sua governança como consequência do crescente poder econômico da Ásia.

Ele diz que a estrutura do conselho de monitoramento - no qual apenas Europa, EUA, Japão e a Organização Internacional de Comissões de Valores Mobiliários possuem assentos - pode ser "temporária". As discussões entre os membros, sobre conceder assentos para as economias emergentes, especialmente Brasil, China e Índia, prosseguem.

Além disso, Tweedie acredita que, no fim das contas, o resultado será uma "mudança no equilíbrio" no Iasb - com a Ásia surgindo como "voz decisiva" - em comparação com a situação atual na qual as decisões tendem a ficar divididas entre Europa e EUA.

Isso, por sua vez, resultará em uma mudança no foco do Iasb, do prazo de 2011 para as normas contábeis defendidas pelos países emergentes, como as centradas nas operações de câmbio e nos setores de extrativismo, agricultura e silvicultura, incluindo regras tão específicas como, por exemplo, a contabilização do valor das seringueiras na Malásia. Seu maior pesar é que ele não será a pessoa que supervisionará isso. "Vou sentir falta", afirma.

TCC e Mercado de Trabalho

Como utilizar o TCC para abrir portas no futuro?
"Um bom trabalho de TCC pode ser usado como portfólio do candidato a uma vaga de trainee ou emprego, valendo mencioná-lo no currículo", diz supervisora do CIEE

Por Equipe InfoMoney
Fonte: Portal Administradores.com

O último desafio do estudante na universidade pode ser encarado como uma porta de entrada para o seu futuro. O TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) por muitas vezes é usado como principal chamariz no currículo para se conseguir um emprego.
"Um bom trabalho de TCC pode ser usado como portfólio do candidato a uma vaga de trainee ou emprego, valendo mencioná-lo no currículo. A avaliação se dará em função da relevância do tema do TCC para a atividade da empresa", afirma a supervisora de relacionamento com instituições de ensino do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), Laura Alves.
Segunda a profissional, o estudante deverá ter cuidado com a estruturação, a fundamentação, o texto, as ilustrações e a formatação, enfim, empenhar-se ao máximo em apresentar um projeto de qualidade, lembrando que existem técnicas específicas para essa tarefa.
O próprio CIEE, por exemplo, mantém em seu site um curso gratuito de Educação à Distância, que visa apresentar subsídios teóricos e práticos referentes às etapas que compõem o desenvolvimento de um trabalho científico, seja um TCC, uma monografia, uma dissertação ou tese, por meio de exemplos e estruturas de fácil entendimento.

TCC na empresa
O TCC pode, inclusive, ser aplicado em uma empresa. "Ao abrir suas portas para um estudante fazer uma análise de caso, a empresa vê a oportunidade de iniciar um bom relacionamento com futuros profissionais ou parceiros; de ter sua corporação analisada em ambiente acadêmico; de identificar pontos positivos e negativos de sua atuação; e, em alguns casos, a possibilidade de adotar o projeto com vistas à melhoria de processos e produtos", reconhece a especialista do CIEE.
Contudo, Laura recomenda que, se a empresa for objeto exclusivo do TCC do estudante, ele terá de procurá-la para desenvolver o projeto. Caso a companhia seja apenas parte do trabalho ou uma das fontes, é importante (tanto para o projeto quanto para o contato) que o jovem se informe antes sobre ela, por meio de seu site ou dos noticiários.
"É importante também estar munido de uma carta de indicação do professor-orientador. Depois de concluído o TCC, o jovem deve encaminhar cópias para a pessoa que o atendeu e para o presidente da empresa, com cartas de agradecimento", avalia a especialista.
De fato, a contratação, a partir de um TCC, pode ou não acontecer e dependerá do fato da existência ou não de vagas na companhia. Entretanto, é importante demonstrar interesse em trabalhar ou em ser efetivado, revela Laura.

Trabalhando para o futuro
A mesma regra do trabalho de conclusão eficiente se enquadra no curso de Sistemas para Internet, da Veris Faculdades, onde, por meio do projeto "TCC Profissionalizante", os alunos ganham a chance de se prepararem para o mercado de trabalho praticando responsabilidade social.
Coordenado pelo professor Jefferson Pezeta, o projeto, que possui parceria com diversas ONGs (Organizações Não-Governamentais), proporciona ao estudante a chance de desenvolver ou reformular um site para uma destas instituições.
“A elaboração do TCC começa no segundo semestre do curso com a orientação de professores especializados. Os alunos desenvolvem o projeto com foco nas necessidades da instituição selecionada e, durante esse período, apresentam sugestões e melhorias, fazendo os ajustes necessários de acordo com as orientações da entidade para quem estão trabalhando”, afirma Pezeta.
De acordo com o professor, a iniciativa ajuda o aluno a se colocar no mercado de trabalho, já que o produto desenvolvido por ele poderá ser utilizado como parte de seu portfólio de apresentação. Cerca de cem alunos já passaram pelo projeto, segundo ele.

Congresso de Informação de Custos e Qualidade do Gasto Público

I CONGRESSO DE INFORMAÇÃO DE CUSTOS E QUALIDADE DO GASTO NO SETOR PÚBLICO
A organização do I Congresso “Informação de Custos e Qualidade do Gasto no Setor Público” informa que, além de vários palestrantes consagrados na área, no dia 1º de setembro de 2010 o evento contará, também, com a participação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda, Guido Mantega, abrindo as atividades do dia (9h às 9h15), em seguida acontecerão as palestras do Prof Eliseu Martins da FEA/USP com o tema: “Custos e Contabilidade como Instrumento Gerencial” e do Delfim Neto, com o tema: “Uma Visão Macro da Qualidade do Gasto no Setor Público”, de 10h34 às 11h35.

O Congresso será realizado nos dias 31 de agosto, 1 e 2 de setembro de 2010 no auditório da ESAF, em Brasília/DF, e será retransmitido para todos os estados brasileiros via TV do Governo Federal (EBC), via videoconferência e via tecnologia vídeo streaming, caso você queira receber o certificado de participação acesse o site e se inscreva em algum ponto de retransmissão oficial do evento localizado em seu estado. Caso você queira assistir em sua residência ou no trabalho poderá fazê-lo, não obstante não terá direito ao certificado. O link para acesso remoto poderá ser acessado por meio do site: http://www.custosnosetorpublico.info
Fonte: Blog do Prof. Lino Martins da Silva

23 de ago. de 2010

Petróleo e Preservação

Equador troca petróleo por preservação
Acordo com PNUD prevê que país não explore poços em reserva na Amazônia e, como compensação, receba recursos de países ricos

Fonte: PrimaPagina

O governo do Equador e o PNUD assinaram um acordo que prevê não explorar um campo de petróleo em uma área de proteção ambiental na Amazônia. Como compensação por deixar intacto o equivalente a 13% de suas reservas de óleo, o país pretende receber pelo US$ 3,5 bilhões de nações ricas.
O acordo engloba um dos campos petrolíferos do Parque Nacional Yasuní, o ITT, que abriga 846 milhões de barris de petróleo. As reservas totais do país somam 6,5 bilhões de barris, segundo dados da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).
Sem produzir petróleo, principal item da pauta de exportação equatoriana, o ITT deixará de emitir mais de 400 milhões de toneladas de carbono. Em troca, o Equador buscará junto com o PNUD contribuições da comunidade internacional para proteger o parque, prevendo receber ao menos metade dos US$ 7 bilhões que obteria caso o petróleo fosse explorado. O país pretende reverter o dinheiro para desenvolvimento de energias renováveis.
“Estamos assistindo à inauguração de novos instrumentos de cooperação que servirão de base para o apoio a outros esforços nacionais e internacionais voltados para a busca de economias que estão em harmonia com a sociedade, a natureza e o planeta.”, afirmou a administradora associada do PNUD, Rebeca Grynspan, que esteve presente na assinatura do termo, em Quito.
O Parque Nacional Yasuní, onde ficam os campos de petróleo, está localizado no vale do Napo Superior da Amazônia Ocidental e abrange 982 mil hectares. A região possui uma enorme biodiversidade (150 espécies de anfíbios, 120 de répteis e 4 mil plantas por hectare)e abriga a tribo indígena tagaeri-taromenane. O parque é considerado Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO desde 1982.

Valor contábil e de mercado: Vale e Petrobras

Essas e outras discussões confirmam como os profissionais de Contabilidade e Finanças trabalham com normas que levam a conclusões diferenciadas, provando que não estamos lidando com uma ciência exata!
Vale não passou a Petrobras, diz Economática

A Economática fez novas contas e desmente a informação de que a Vale tenha passado a Petrobras em valor de mercado.
Pelos números divulgados hoje nos jornais, a Petrobras tinha perdido o posto de maior empresa na Bovespa. Segundo esses cálculos, a Petrobras valia ontem US$ 144,6 bilhões, e a Vale, US$ 145,5 bilhões.
A Economática tem outros números.
Segundo a consultoria, o valor de mercado da Petrobras é de R$ 253,1 bilhões, enquanto o da Vale é R$ 251,4 bilhões.
A Economática esclarece que o cálculo do valor de mercado não deve incluir as ações em tesouraria, e por isso não devem ser computadas as 77 milhões de acoes que a Vale tem em tesouraria.
“Se o valor de mercado é, em teoria, o quanto um investidor gastaria para comprar todas as ações da empresa, as ações na tesouraria da empresa não devem ser computadas porque ao comprar todas as outras ações este investidor automaticamente passaria a ser dono também das ações que estão na posse da empresa (ações em tesouraria)”, afirma Fernando Exel, presidente da Economatica.
A consultoria acrescenta ainda que o cálculo sem as ações em tesouraria é o modelo adotado pelas bolsas americanas Nyse e Nasdaq.
Fonte: iG

10 de ago. de 2010

Um português

Foi lançado um site chamado Um português (http://www.umportugues.com) com o intuito de nos ajudar nesta transição entre a antiga e a nova ortografia.

O site possui um verificador ortográfico.

Você copia ou digita o texto a ser analisado e ele, além de corrigir as palavras que estão escritas de modo incorreto, também te explica o porque dos erros.

Esta é uma iniciativa muito interessante e útil.


Créditos: Blog Análise de Balanço (Prof. Alexandre Alcantara)

Links

Links de Blogs indicados
1.
As Dívidas dos Clubes Brasileiros em 2009
2. Fora do Balanço (Off Balance sheet)
3. Contabilidade Pública Seguirá Padrão Global

A vez das Pequenas

Entidades pleiteiam criação do Ministério da Pequena Empresa
Fonte: DCI
Entidades empresariais vão levar aos presidenciáveis a proposta de criação do Ministério das Micro e Pequenas Empresas. Querem também inserir esses e outros temas semelhantes na pauta das campanhas eleitorais em todos os níveis, como a proibição de práticas tributárias consideradas prejudiciais ao segmento.
Essas ações foram anunciadas ontem por dirigentes da Confederação Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Comicro) e da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon).
Assuntos que deverão rechear a pauta de sugestões aos candidatos foram discutidos esta semana, em Brasília, durante o seminário Agenda Estratégica das Micro e Pequenas Empresas. O evento foi realizado entre terça-feira e ontem para apresentar propostas para os próximos dois, cinco e 10 anos. É uma iniciativa do Fórum Permanente da Micro e Pequena Empresa, que reúne entidades empresariais, órgãos governamentais e entidades de apoio, como o Sebrae.
"O Ministério das Micro e Pequenas Empresas será um marco para inaugurar uma nova fase de políticas públicas voltadas para o segmento", disse ao DCI o presidente da Comicro, José Tarcísio da Silva. A ideia já foi defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela candidata do PT Dilma Rousseff, na forma do Ministério do Empreendedorismo. "Queremos que todos os candidatos se comprometam com a proposta para torná-la irreversível", justificou Silva.
A Comicro correspondeu ao apelo manifestado durante abertura do evento pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Durante o discurso, o ministro destacou que os pequenos empresários devem se organizar para tentar colocar na pauta eleitoral a questão da criação de um novo ministério. "Sou contra a criação de ministérios porque já são muitos, mas acho que a criação de um para as pequenas e microempresas é fundamental para o País", afirmou.
Aos presidenciáveis, a Fenacon vai pedir a eliminação da substituição tributária. Trata-se de prática pela qual os governos estaduais cobram da indústria a alíquota integral do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Com isso, anulam a redução do impostos, prevista para o segmento, pela Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas.
"Vamos cobrar o compromisso dos candidatos para eliminar essa prática", disse o presidente da Fenacon, Valdir Pietrobon.
Segundo ele, a entidade pretende apresentar aos presidenciáveis e demais candidatos um levantamento sobre a adoção da prática em pelo menos 22 governos estaduais.

As grandes da Auditoria

Alta concentração
Texto de Fernando Torres (Jornal Valor Econômico) em 10.08.2010

Os três maiores contratos do setor garantiram à PricewaterhouseCoopers (PwC) 69% do total de R$ 132,1 milhões que ela faturou fazendo a auditoria de 33 companhias abertas entre as 200 maiores do país em 2009. Isso dá uma ideia de como os grandes clientes são importantes nesse mercado. O Itaú Unibanco foi o que mais gastou com auditoria dos balanços no ano passado: R$ 38,7 milhões. O Bradesco aparece em segundo, com despesa de R$ 31,4 milhões, e é seguido pela mineradora Vale, que desembolsou R$ 21,1 milhões.
Petrobras, auditada pela KPMG, e Santander, pela Deloitte, completam a lista das cinco empresas abertas que mais pagaram aos auditores no ano passado.

Os dados foram obtidos com informações divulgadas pela primeira vez pelas companhias abertas brasileiras e que constam dos Formulários de Referência enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O estudo considera a soma do que as empresas pagaram pela auditoria dos balanços e também em outros serviços.

Antes da divulgação desses dados no formulário, a única informação que havia sobre a divisão do mercado de auditoria era o ranking da CVM, que mostra as maiores do setor por número de clientes, entre as mais de 500 companhias abertas do Brasil.

Os números obtidos com base nos Formulários de Referência mostram que os bancos são destaque em termos de custo de auditoria. Além de terem centenas de bilhões de reais em ativos e milhares de agências, eles ainda demandam serviços específicos por questões regulatórias ligadas à gestão de risco. Há ainda uma certa correlação entre porte e gasto com auditoria, embora haja algumas distorções.

É importante destacar que, entre as instituições financeiras, não existe mais rodízio de auditorias a cada cinco anos. Nas demais empresas abertas, sob fiscalização da CVM, a troca periódica de firmas está suspensa ao menos até o fim do processo de mudança contábil para o padrão internacional, chamado de IFRS.

Além de mostrar concentração maior entre as quatro grandes, o levantamento do Valor aponta uma configuração de mercado diferente daquela que aparece no ranking elaborado pela CVM. Enquanto a KPMG lidera o ranking oficial, com 99 clientes entre as companhias abertas, ela aparece na terceira posição na pesquisa feita pelo jornal. A maior participação de mercado entre as 200 empresas da lista do Valor está com a Deloitte, com 51 contratos. Somada com a Terco, a Ernst & Young encosta na líder, com 50 contas.

Já a PwC, líder em receita, fica no quarto lugar tanto no levantamento do jornal como no da CVM em número de clientes.

No ranking por receita, a Deloitte ficou em segundo por esse quesito, com R$ 89,4 milhões. A KPMG veio em terceiro lugar por esse critério, com R$ 74,6 milhões, mas deve ser superada pela soma da Ernst & Young (R$ 68,7 milhões) com a Terco (R$ 11,1 milhões), que alcança R$ 79,8 milhões.

Segundo Henrique Luz, sócio da PricewaterhouseCoopers, o mercado de capitais ainda incipiente no Brasil tira representatividade do ranking da CVM. "Nos EUA, das 500 maiores empresas, 99% são companhias abertas. No Brasil, das 500 maiores, só 40% são cotadas em bolsa", afirma.

Já Charles Krieck, sócio de auditoria da KPMG, que lidera o ranking da autarquia, tem outra visão. "É claro que não é coisa mais importante do mundo, porque nem todas as empresas são abertas. Mas ele é interessante porque mostra o quanto de experiência você tem nesse mercado e qual foi o crescimento nos últimos anos", afirma.

Sobre o movimento da concorrente Ernst & Young com a Terco, os dois disseram ver a transação como uma consequência da disputa pelo mercado, especialmente do segmento de pequenas e médias empresas, que eles também garantem que estão disputando. "Seria totalmente inaceitável não olhar esse segmento no Brasil emergente", diz Luz, da PwC.

Para Krieck, da KPMG, é uma visão errada achar que as quatro grandes do setor só têm clientes de grande porte. "Mais da metade dos nossos clientes são pequenas e médias", diz o executivo.
“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)