13 de mai. de 2009

De que vale um MBA agora?

Em um mês vou concluir meu MBA, mas não tenho emprego. Estudo numa escola conceituada e minhas notas são excelentes. Tenho dois anos de experiência em consultoria em varejo. Passei meses fazendo tudo certo na esperança de ser contratado. O que fazer? (Anônimo, Chicago, Estados Unidos)
Revista EXAME - Por Jack Welch
Que dilema terrível o seu. Aliás, não só o seu, mas de milhares de outras pessoas. Sabe-se que em algumas escolas, inclusive em algumas muito boas, mais de 30% dos formados não têm emprego algum em vista. Os recrutadores não frequentam mais os campi como antigamente - e quando aparecem é só para colher informações. Muitas empresas, cada vez mais prejudicadas e assustadas com as previsões catastróficas, decidiram deixar para depois a contratação de MBAs ou simplesmente cancelaram de vez as oportunidades de emprego. A disputa acirrada deu lugar a um clima de velório.
Mas não é compaixão o que você deseja. Você pediu um conselho. Portanto, vamos lembrar aqui as três recomendações que fizemos a um jovem MBA de 20 e poucos anos que veio nos ver recentemente. Nosso amigo, assim como você, está sem perspectivas e já começa a se desesperar. Nesse caso:
a) Você pode sossegar e aprender a lidar com a situaçãob) Pode fazer alguma loucurac) Ou talvez abrir um negócio próprio
Você já sabe que, provavelmente, não vai conseguir o emprego ideal - na empresa pretendida, com o título desejado e o salário imaginado - com que você sonhou quando foi fazer seu MBA há alguns anos. Na época, parecia que o céu era o limite. No entanto, deve haver um emprego por aí (nos Estados Unidos ou até mesmo no exterior) que pode lhe proporcionar uma boa experiência e um salário razoável. Você poderia aceitar esse emprego e abraçá-lo com vontade. Então, trabalharia duro para inovar processos, melhorar o desempenho de sua equipe e se tornar indispensável para essa companhia graças aos excelentes resultados apresentados.
No seu caso, uma possibilidade seria conseguir trabalho em algum segmento do varejo e chegar, em razão de um desempenho espetacular, a um cargo de gerência - e então chamar a atenção da administração da matriz da empresa. É claro que o dia-a-dia desse ramo pode dar a impressão de um retorno muito pobre para o investimento que você fez em seu MBA. Mas pense no que isso pode significar para sua carreira. Um desempenho muito acima da média em qualquer empresa sólida pode se tornar o passaporte para uma oportunidade melhor em outro lugar. Com o tempo, os bons resultados serão recompensados.
Com relação a uma certa dose de loucura, esse é o tipo de estratégia que achamos mais adequado para MBAs em busca de emprego nas atuais circunstâncias. Isso porque, em nossa opinião, ninguém pode ser bem-sucedido em uma campanha desesperadora em busca de emprego e, ao mesmo tempo, ser sempre agradável.
Escolha um ou dois lugares onde você sempre quis trabalhar ou então pense nos dois executivos com quem você sonha trabalhar. Exponha a eles a razão de seu interesse quantas vezes for preciso. Faça isso da maneira mais criativa e convincente que puder. Envie cartas, e-mails, telefone. Enfim, faça o que for preciso para conseguir uma entrevista de 5 minutos em que fiquem claras sua capacidade e sua energia positiva. É verdade que se trata de uma estratégia arriscada e de longo prazo. Contudo, se funcionar, você terá conseguido dar um grande passo.
Por fim, se as opções anteriores não combinam com seu perfil, o jeito é abrir seu próprio negócio. Pense um pouco no tipo de conhecimento que você tem e naquilo que você faz melhor. Procure um amigo que tenha alguma contribuição a dar - alguém inteligente ou que tenha contatos, capital ou que não precise de muitas horas de sono. Em seguida, como todo empreendedor que se preze, vá à luta. Se, por exemplo, sua área é consultoria, pegue serviços com valores menores que os das grandes concorrentes (entre 5 000 e 10 000 dólares, por exemplo) ou negocie com seus clientes um percentual sobre o volume extra de receita que você proporcionou à empresa ou sobre a economia gerada pelo seu trabalho. Obviamente, é uma estratégia que traz alguns riscos. O contexto econômico atual exige muita coragem do empreendedor - e só você sabe se tem fibra para tanto.
Não queremos parecer duros demais, apenas realistas. Vivemos tempos sem precedentes para os MBAs (e para todos os que estão em busca de emprego). São dias que exigem um conhecimento profundo de si mesmo. A crise econômica global deverá se estender por mais um ou dois anos, por isso não faz sentido ficar parado à espera de algum milagre.
Existem apenas três opções. Faça sua escolha.

12 de mai. de 2009

Revista Veja: Acervo Digital

A revista Veja disponilizou todo o seu acervo digital, desde 1969, gratuitamente. O projeto é patrocinado pelo Bradesco e pode ser uma excepcional fonte de pesquisa de boas (ou más) lembranças.

5 de mai. de 2009

Normas atraem interesse público

Por Jennifer Hughes, Financial Times, de Londres.
Do Valor Econômico, 04.05.2009

Contabilidade: Crise leva a aumento de interferência política nas regras contábeis
Como se diz "colchão anticíclico" em 27 idiomas? Este é o termo mais suave - mas aparentemente politicamente aceitável - rondando em Bruxelas para descrever a prática de fazer com que os bancos guardem colchões de liquidez para os dias chuvosos.A contabilidade poucas vezes antes foi tão política. O processo de incluir esses fundos para dias chuvosos nos balanços financeiros levanta todo tipo de questões, altamente suscetíveis.
Nos últimos seis meses, as autoridades em cargos eletivos obrigaram tanto o Conselho de Padrões de Contabilidade Internacional (Iasb, na sigla em inglês) como seu par nos Estados Unidos, o Fasb, a mudar as normas. Na França, sob o comando de Christine Lagarde, as autoridades disseram na semana passada que o voltarão a fazer.
Era de se esperar que isso ocorresse, à medida que os políticos analisam o que saiu errado na crise financeira e o que podem mudar.
A contabilidade como profissão não está sozinha como ímã de atração da atenção dos políticos. Regras em esboço na Europa propuseram grandes mudanças em outros setores periféricos da crise, como os fundos hedge e grupos de investimentos em participações.
A contabilidade, contudo, envolve um conceito fundamental que sustenta os mercados - as empresas precisam apresentar para seus donos o que estão fazendo, com informações confiáveis, de alta qualidade e dentro do prazo.
Não conseguirão fazer isso se o que precisam mostrar e a forma como o mostram estão mudando constantemente como resultado de interferências políticas.
"Fui um político. Entendo o que ocorre em termos de pressão sobre os políticos para fazer algo [para] solucionar esses problemas. É, simplesmente, imensa", diz Hans Hoogersvorst, diretor do órgão regulador de valores mobiliários da Holanda e ex-ministro da Saúde e Finanças.
Hoogersvorst também é co-presidente do Financial Crises Advisory Group (FACG), um agrupamento interessante de ex-autoridades reguladoras e outras pessoas de destaque que assessoram tanto o Iasb como o Fasb sobre tópicos de contabilidade ligados a crises.
Os integrantes, de forma nenhuma, conseguem concordar sobre o que deve ser feito, o que contribui para debates vivos e intercâmbios abertos.
Uma coisa com o que concordam, no entanto, é que os políticos precisam parar de interferir em detalhes do que precisa ser mudado.
"O Iasb e o Fasb não deveriam ser forçados a entrar em uma espiral descendente, uma corrida para baixo, na qual um deles é pressionado a assumir uma posição mais leniente e o outro, então, precisa ajustar-se da mesma forma", diz Hoogersvorst. O FACG escreveu na quinta-feira ao primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brawn, como presidente do Grupo dos 20 (G-20), para reiterar esse ponto.
Por sua vez, também respondeu aos pedidos franceses nesta semana para que o Iasb siga as mudanças feitas pelo Fasb neste mês. Estas e as mudanças que Bruxelas obrigou o Iasb a fazer em outubro passado tiveram como resultado líquido o alívio da contabilidade de instrumentos financeiros de formas que beneficiassem os balanços dos bancos. Isto cheira a interesses especiais de grupos lobistas.
O fato de políticos estarem se envolvendo em contabilidade tem algumas vantagens. Com frequência, os auditores são considerados como alienados com poucos interesses fora de seu próprio mundo. Talvez sejam assim. Mas tal forma de pensar deixa o setor debatendo assuntos que, na verdade, interessam a todos.
A contabilidade de produtos de estrutura complexa nesta crise é ainda mais complicada de entender do que os próprios produtos. O Iasb quer seis meses para remodelar toda a questão inteiramente. Dada a complexidade do assunto, é uma tarefa complicada.
Mas os políticos devem dar aos auditores essa chance. Eles podem, e devem, estar envolvidos, mas não tentando constantemente ajustar as regras. Mudanças fragmentadas que pareciam ser pouco importantes de forma independente, quando se somaram com a incapacidade de compreender o quadro geral, levaram o mundo a esta crise. Certamente, não será com ajustes provisórios que sairemos dela.

Descontração





Descontração


Comemoração!












Fonte: A Charge Online

4 de mai. de 2009

Um taxi ecológico e bem diferente

O Ecotáxi
Primeiro, o taxista João Batista Santos equipou seu carro com caipirinha de frutas vermelhas e vinho italiano. Depois, passou a tocar uma gravação com uma salva de palmas cada vez que um usuário entra no veículo. Na sua última tacada para agradar os clientes, inventou (mais) moda: decidiu ter um táxi amigo do planeta. Segundo ele, o primeiro táxi do mundo a se tornar carbon free – o que significa que toda emissão de carbono (o CO é um dos gases responsáveis pelas mudanças climáticas) gerada pela queima do combustível é compensada com o plantio de árvores.
Com a ajuda de uma consultoria, João Batista fez as contas e descobriu que seu táxi emite 32,8 toneladas de gás carbônico num período de 12 meses. Para neutralizar seu impacto, ele planta 164 árvores por ano (sete por semana), já que cada uma delas, quando adulta, absorve 0,2 toneladas de CO no mesmo período.
Se o cliente for sensível à causa, ele pode contribuir com uma quantia de dinheiro de acordo com o tempo da sua corrida. Funciona assim: se o usuário andou 40 minutos deEcotáxi, vai pagar R$ 0,39, segundo uma tabela desenvolvida pelo próprio empreendedor ecológico.
Com o dinheiro em mãos, lá vai João Batista comprar mudas de Pau Brasil – cada uma custa R$ 40 – e plantar em alguma praça de São Paulo. Se o cliente não pode ir junto, o taxista manda uma fotografia com a árvore já na terra.
No domingo próximo (3 de maio, dia do Pau Brasil!), a decisão de João Batista trocar seu táxi por um Ecotáxi vai completar dois anos. Em comemoração, o idealizador do projeto vai plantar dez árvores em uma praça em Itaquera, na região leste de São Paulo. Nessa brincadeira, o moço já enterrou mais de cem mudas.


E um vídeo que mostra como o Ecotáxi funciona.
Assista aqui

Investment Grade: Um ano de confiança?!

Brasil comemora um ano da concessão do grau de investimento por agência
Melhora da avaliação deve ajudar país a sair da crise mais rápido do que os outros da América Latina
Por Elisa Campos
O Brasil completa hoje o primeiro aniversário da concessão do investment grade. Há exatamente um ano, em 30 de abril de 2008, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s melhorava a nota de avaliação do país. Em 29 de maio, ela seria acompanhada pela Fitch. Com o agravamento da crise mundial, os benefícios do upgrade não puderam ser aproveitados, mas agora a situação começa a mudar de figura, segundo estudo do professor e educador financeiro Mauro Calil.
“O fluxo de capital estrangeiro retornando ao Brasil tem aumentado num ritmo maior do que nos outros países da América Latina que não possuem o grau de investimento”, diz. Na região, apenas Brasil, México, Chile e Peru têm a chancela das agências de classificação. “A nossa recuperação será facilitada por conta disso”. Na data do anúncio da elevação do investment grade, o Ibovespa marcava 67.868 pontos. A bolsa paulista ainda chegou a subir a 73.516 pontos, registrados em 20 de maio, antes de começar a baixar, e atingir, em 27 de outubro, no pior momento da crise, 29.435 pontos. Hoje (30/04), o indicador fechou o dia aos 47.289 pontos, com valorização de 15,55% sobre o mês anterior e de 65,65% na comparação com o momento mais crítico da turbulência internacional, acumulando alta de 25,93% no ano e consolidando a recuperação do mercado de ações brasileiro. “Os investimentos estrangeiros estão retornando. E a prioridade será dada aos países com o grau de investimento”, afirma Calil. México e Peru também tiveram em suas bolsas valorizações na casa dos 60% no mesmo período. O bom desempenho da bolsa se reflete no mercado de câmbio, fazendo com que o real se valorize. O dólar fechou a R$ 2,18 nesta quinta-feira. Em janeiro, a moeda americana era cotada a R$ 2,33.

Juros menores e alta na provisão afetam lucro líquido da Caixa

Por Iolanda Nascimento

São Paulo, 4 de Maio de 2009
A política de praticar juros menores, as despesas extraordinárias e o aumento da provisão contra crédito de liquidação duvidosa foram os principais fatores que derrubaram em 48,22% o lucro líquido da Caixa Econômica Federal (Caixa) no primeiro trimestre de 2009. O banco público registrou no período ganhos de R$ 452 milhões, comparativamente aos R$ 873 milhões apurados entre janeiro e março do ano passado. Bolivár Tarragó Moura Neto, vice-presidente de gestão de ativos da instituição, disse que a decisão do banco de reduzir por quatro vezes a taxa de juros no trimestre, para estimular o crédito nesse cenário de crise e em consequência a atividade econômica, pesou nos números.
Também pesaram no desempenho os R$ 400 milhões com "outras despesas operacionais" (não recorrentes), que incluem, por exemplo, efeitos do Plano de Saúde Caixa que não existiam em igual intervalo do ano passado. O aumento de R$ 360 milhões - passou de R$ 365 milhões no primeiro trimestre de 2008 para R$ 725 milhões este ano - no provisionamento contra crédito de liquidação duvidosa também contribui para a queda.
Entretanto, o executivo
observou que a elevação das provisões decorreu do crescimento do volume de empréstimos e financiamentos e não dos índices de inadimplência que, acima de 90 dias, caíram 0,8 ponto percentual na carteira comercial e 0,25 ponto percentual na carteira habitacional. "Em ambiente de crise e de retração da atividade é de se esperar um aumento da inadimplência, mas na Caixa isso não ocorreu, o que mostra a qualidade da carteira e a política acertada de risco e de expansão na concessão, mas com responsabilidade." Na pessoa jurídica, o índice de inadimplência na Caixa, para dívidas vencidas há mais de 90 dias, ficou em 2,17% do total do saldo; na pessoa física, em 5,77%; e no financiamento habitacional, em 1,88%, disse. Do total, 70,6% dos financiamentos do banco neste início de ano estão classificados nas faixas AA a B (consideradas de risco muito baixo), ante 67,9% verificados no primeiro trimestre de 2008.
O executivo ressaltou que o grande destaque da Caixa no trimestre foi o crescimento da carteira de crédito, com alta de 52,2% em um ano e de 11,4% sobre dezembro - no final de março o saldo das operações atingiu R$ 89,2 bilhões. As contratações e os repasses totalizaram R$ 29,9 bilhões, 60,6% a mais em comparação com o mesmo período do ano passado, sendo que para o crédito comercial (pessoas físicas e pessoas jurídicas) foram liberados R$ 21,2 bilhões; para habitação, R$ 7 bilhões; e para saneamento, R$ 1,7 bilhão. Tarragó Moura Neto disse que a carteira de crédito comercial cresceu 65% em 12 meses, para R$ 33,4 bilhões.
No segmento de pessoas jurídicas, o estoque de crédito da instituição foi a R$ 17,6 bilhões, valor que mais do que dobrou - aumento de 104,5% - em um ano e avançou 16,4% em relação ao último trimestre do ano passado. O saldo de pessoas físicas apresentou uma evolução de 36,2% no comparativo anual e de 15% em relação a dezembro, atingindo R$ 15,8 bilhões em março. "Foi um avanço muito forte, bem acima do crescimento do mercado. Nosso crédito vem crescendo mais do que o esperado."
As novas contratações de crédito imobiliário, afirmou, também mais que dobraram, com alta de 110% sobre igual período do ano passado, para R$ 7 bilhões. O desempenho elevou a carteira de financiamento habitacional para R$ 49,2 bilhões em março, 9,1% superior ante dezembro e 45,2% maior comparativamente ao primeiro trimestre de 2008. Na última quinta-feira, quando apresentou os resultados trimestrais em São Paulo, a Caixa aproveitou a oportunidade para divulgar também um balanço do programa "Minha Casa
, Minha Vida", plano habitacional do governo federal. Segundo o banco, 580 municípios já manifestaram o desejo de participar do programa e 218 já assinaram o termo de adesão. "Somente nos primeiros 18 dias do plano nacional de habitação, 268 projetos de obras foram apresentados ao banco, o que garante a construção de 50.648 moradias, num investimento de cerca de R$ 3,6 bilhões", informou.
As captações da Caixa também subiram no trimestre. Os depósitos foram a R$ 232,9 bilhões, alta de 21,3% em um ano e de 6,7% em relação a dezembro. Os depósitos a prazo somaram R$ 53,3 bilhões e os depósitos à vista, R$ 12,5 bilhões. O saldo da poupança alcançou R$ 95,8 bilhões, com alta de 21,1% ante março de 2008. Os fundos de investimentos administrados pela instituição foram a R$ 87,5 bilhões, com captação líquida de R$ 3,7 bilhões, alta 39,3% em relação ao trimestre de 2008.
Tarragó Moura Neto avalia como excepcional a performance dos fundos da Caixa em um período em que esse mercado se deteriorou com a migração dos recursos para o certificados de depósitos bancários. "A Caixa tem uma gestão muito boa em fundos de renda fixa e é muito forte também no mercado de fundos de varejo." Conforme o executivo, com o desempenho o banco passou de uma fatia de 5,77% para 7,35% do mercado brasileiro de fundos de investimentos.
CaixaPar
O vice-presidente da instituição afirmou que a CaixaPar, braço da Caixa recém-criado para administrar participações de outras empresas adquiridas pelo banco, já está plenamente constituída e tem analisado atentamente algumas oportunidades no mercado. Segundo o executivo, o foco da CaixaPar é o segmento financeiro, principalmente bancos que possam agregar negócios nos quais a instituição não é tão forte e que tenham atividades complementares. "Mas ainda não temos negociação
alguma encaminhada." A Caixa fechou o trimestre com ativos totais de R$ 312,5 bilhões e o patrimônio líquido de R$ 13 bilhões, alta de 22,8% e 15%, respectivamente, em um ano.

Por que as empresas fecham?

As empresas (públicas, privadas, com ou sem finalidades lucrativas, pequenas, médias e grandes, nacionais ou estrangeiras, comerciais, de prestação de serviços, industriais, virtuais, modernas, tradicionais...) são o campo de atuação dos profissionais de Contabilidade. Sem elas, essa área de conhecimento não tem razão de ser. Porém as empresas, assim como os seres humanos, têm o seu ciclo de vida. Algumas duram décadas ou até mesmo séculos, outras duram meses. O estudo abaixo se propõe a eslarecer alguns dos fatores que contribuem para o fim de muitas empresas. Vamos ao texto!!!
Por que as empresas fecham?
Por Marcos Hashimoto
As pequenas e médias empresas têm inúmeras dificuldades para se estabelecer nos seus primeiros anos de vida. Sofrem por não conhecer direito o setor, por não saber lidar com clientes ou por não dominar aspectos financeiros básicos para gerir seu caixa. Um grupo de pesquisadores do Ibmec São Paulo e do Sebrae São Paulo estudou quase 2 mil empresas abertas e registradas na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) entre os anos de 1999 e 2003, em busca de evidências dos principais motivos que justificam a alta mortalidade das empresas nascentes - e as características comuns das empresas que sobrevivem a este período mais crítico. A seguir, as principais conclusões do estudo.
>>> Um dos fatores que levam à sobrevivência da empresa é o seu tamanho. Quanto maior o tamanho da empresa, menor a probabilidade de fechamento. As empresas maiores estruturam melhor práticas gerenciais. Elas também gozam de maior facilidade para obtenção de linhas de crédito e têm mais flexibilidade para suportar incertezas do ambiente externo.
>>> Empresas que se relacionam com governos têm menor probabilidade de fechar. Uma possível explicação para esse resultado é que, para satisfazer uma série de requisitos legais associados a licitações públicas, a empresa precisa ter uma maior capacidade de organização - o que se reflete na sua habilidade de sobreviver. Além disso, ao ganhar uma licitação, a empresa passa a contar com um fluxo certo de vendas durante o período de contrato. Reduz-se assim a incerteza e a volatilidade das vendas.
>>> O estudo não demonstrou diferenças significativas no fato de o empreendedor ser movido pela necessidade ou pela oportunidade. O setor a que pertence o negócio (indústria, comércio, serviços) e a idade do empreendedor também não apresentaram efeitos significativos na probabilidade de fechamento.
>>> A existência de grandes empresas concorrentes no mercado do empreendedor aparentemente reduz, em vez de aumentar, o risco de fechamento. É possível que as pequenas empresas que tenham grandes concorrentes sejam obrigadas a adotar práticas de gestão mais eficazes ou que elas aproveitem brechas no mercado que não são atendidas ou são ignoradas por companhias maiores. Essa explicação ficou demonstrada com a constatação de um relacionamento positivo entre concorrentes. Eles trocam informações entre si e recebem indicações feitas pelas grandes empresas.
>>> A probabilidade de um empreendedor que possui pelo menos o segundo grau encerrar as atividades é significativamente menor do que aquele que possui até o primeiro grau de escolaridade. No entanto, parece não haver grande diferença na chance de fechamento do negócio de um empreendedor que possui o nível superior ou apenas o segundo grau. Apesar de parecer uma contradição ao senso comum, isso é justificado pelo fato de que o estudo contemplou o escopo de sobrevivência de pequenas empresas e não, necessariamente, o seu sucesso. É possível imaginar que, para ser bem-sucedida, a empresa precise crescer, e, para isso, uma formação superior seja necessária.
>>> A probabilidade de fechamento de uma empresa cujo proprietário gastou até cinco meses planejando o negócio é maior do que daquele que gastou um ano ou mais nesse planejamento. Esse resultado indica que, mesmo que o empreendedor não tenha experiência no ramo, ele pode compensá-la capacitando-se antes de abrir o negócio, buscando informações e novos conhecimentos que podem ser úteis na antecipação de problemas e na inclusão no mercado. Outra constatação interessante, por contradizer o senso comum, é que mais anos de planejamento não aumentam as chances de sobrevivência do negócio. Podemos justificar isso com a revelação de que planejamento é necessário, mas planejamento demais pode 'engessar' o negócio e deixá-lo refratário às mudanças ambientais necessárias que se apresentem.
>>> O fato de alguém na família possuir uma atividade relacionada com o negócio do empreendedor ajuda a diminuir a chance de fechamento da empresa. Isso demonstra a importância de relações sociais no âmbito da família como constituintes do capital social do empreendedor. Por meio dessas relações, o empreendedor pode acessar informações ou se beneficiar da experiência prévia de familiares.
>>> Por outro lado, o estudo verificou que o uso de contatos pessoais não faz diferença na probabilidade de sobrevivência das empresas pesquisadas. Aparentemente, o capital social do empreendedor é mais útil no momento em que ele constrói sua ideia de negócio e se mostra importante na hora de implementá-lo. Uma vez estabelecido, porém, o negócio recebe influência cada vez menor desta rede social do empreendedor.
>>> Do conjunto de práticas gerenciais adotadas pelos empreendedores, o aproveitamento de oportunidades, a antecipação de acontecimentos, a preparação para enfrentar os problemas antes que eles aconteçam, a busca intensa por informações que auxiliem na tomada de decisões e o cumprimento persistente dos objetivos demonstraram ser significativamente relevantes nas chances de sobrevivência, sobretudo a capacidade de se adequar ao mercado rapidamente.
Com isso, concluímos que não existe um fator que, sozinho, explique por que as empresas fecham com poucos anos de vida. Também é importante notar que esse estudo se refere a aspectos relacionados com sobrevivência e mortalidade de empresas nascentes e não ao crescimento e sucesso dos negócios. O fato de uma empresa apresentar as características que demonstraram ser importantes para sua sobrevivência não garante que ela seja bem-sucedida no futuro, muito embora, nos dias atuais, sobreviver já seja sinônimo de sucesso para algumas empresas.
Artigo baseado no estudo "O Impacto de Capital Humano, Capital Social e Práticas Gerenciais na Sobrevivência de Empresas Nascentes: um Estudo com Dados de Pequenas Empresas no Estado de São Paulo" - Autores: Fábio Matuoka Matsumoto, Sérgio Giovanetti Lazzarini, Marcos Hashimoto, Rinaldo Artes, Marco Aurélio Bedê - Publicação: Anais do 32º Enanpad (Encontro da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Administração), Rio de Janeiro, set/08
“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)