28 de nov. de 2011

O que é mesmo provisão em Contabilidade?


Segundo o CPC 25 (IAS 37) - Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes:

Provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos.

Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos.

Evento que cria obrigação é um evento que cria uma obrigação legal ou não formalizada que faça com que a entidade não tenha nenhuma alternativa realista senão liquidar essa obrigação.

E aí, a Provisão para devedores duvidosos [PDD] se enquadra nesses conceitos? Realmente pode ser denominada de provisão?

Proteção jurídica da provisão contábil
Texto publicado no Valor Econômico em 17/06/2011, por Edison C. Fernandes

Recentemente, foi noticiado que a companhia Lojas Marisa teve uma redução de quase 5% na cotação de suas ações em razão de ter anunciado um ajuste na conta de provisão para devedores duvidosos - PDD. Esse fato nos faz questionar se uma “mera” informação contábil teria capacidade para interferir tão significativamente no valor das ações de uma companhia. A verdade é que as informações inscritas nas demonstrações financeiras deixaram de ser “meras” informações contábeis, impactando decisivamente na geração de valor das empresas. [Na verdade acredito que as informações contábeis nunca foram “meras” informações, mas houve épocas em que a Contabilidade prescindiu de evidenciar a essência econômica dos fatos, para primar pelos interesses de determinados usuários, o que a deixou um tanto desprestigiada... Mas isso já passou!]
Inicialmente, pode-se dizer que, de maneira geral, as informações contábeis são um meio de proteção dos direitos dos sócios (acionistas ou quotistas). Não por acaso, a legislação societária (seja a Lei nº 6.404, de 1976, a chamada Lei das Sociedades por Ações, seja o Código Civil, na parte do direito de empresa) possui capítulo específico sobre escrituração contábil, além de diversos dispositivos sobre fiscalização, prestação de contas e exibição dos livros comerciais, sendo tudo isso relacionado às demonstrações financeiras. Dessa forma, do ponto de vista do direito, o (primeiro) bem jurídico protegido pelas normas contábeis reside na relação societária e na garantia de perenidade da empresa.
É precisamente isso que acontece no caso da mencionada PDD. Se é certo que a contabilidade baseia-se em estimativas (por isso não se pode dizer que seja uma ciência exata, mas humana) [Não só por isso, mas por isso também!!!!], no caso das provisões, a importância das estimativas redobra. Embora a chamada PDD não seja tecnicamente uma provisão, mas um ajuste à conta de clientes (contas a receber), os seus fundamentos são semelhantes aos das provisões em geral e seu efeito contábil, exatamente o mesmo. [Na verdade existe uma discussão no IASB em torno de eliminar o termo “provisão” em relação às contas de ajustes de ativos, uma vez que o conceito de provisão se refere a passivo de prazo e valor incerto. Ora, a PDD, ou melhor dizendo PCLD, não constitui um passivo de prazo e valor incerto, mas efetivamente uma estimativa de perda de créditos a receber]

As informações contábeis são um meio de proteção dos direitos dos sócios
Em poucas palavras, a PDD serve para reconhecer na contabilidade a inadimplência dos clientes, já ocorridas e que provavelmente ocorrerão, normalmente, tomando como critério de estimativa o histórico dos créditos não honrados pelos clientes. Em uma companhia varejista, como a citada, vários fatores podem influenciar na inadimplência dos clientes, como, por exemplo, o aumento da inflação que venha a comprometer o poder aquisitivo dos consumidores. O efeito contábil da PDD é a redução de uma conta de ativo (clientes ou contas a receber), tendo como contrapartida o registro de uma despesa (que, diga-se, é indedutível na apuração dos tributos sobre o lucro), cuja finalidade é ajustar o lucro a ser distribuído aos sócios à provável geração de caixa (recebimento dos clientes) - com isso, resta garantida a perenidade da empresa, elemento essencial do direito de sócio.
A garantia da perenidade da empresa (proteção jurídica dos sócios, especialmente, os minoritários) também é protegida pelas demais provisões, tais como a provisão para garantia e as provisões para contingências (cíveis, tributárias, trabalhistas, ambientais etc.), essas sim, tecnicamente “provisões”. Acontece que essas provisões são, igualmente, proteção jurídica para os credores, e não apenas para os sócios. De um lado, a proteção jurídica de consumidores que estão confortáveis em razão de o fornecedor oferecer assistência técnica aos produtos adquiridos (provisão para garantia), de outro, a proteção jurídica de potenciais credores da empresa, porque as discussões cíveis, trabalhistas, ambientais e tributárias podem ser decididas a seu favor, obrigando a empresa ao pagamento do devido, cujos recursos terão sido garantidos pela provisão e seu efeito contábil.
A constituição de uma provisão contábil não significa reserva física de recursos financeiros, ou seja, que o dinheiro ficará guardado esperando a conclusão da situação litigiosa, carimbado para esse fim, como ocorre no caso dos depósitos judiciais. A empresa poderá, livremente, dispor desse montante em moeda para a condução da sua atividade e dos seus pagamentos cotidianos; ela não poderá, entretanto, entregar esses recursos financeiros aos sócios, transferindo-os do seu patrimônio para o patrimônio dos sócios, porque, nesse caso, o retorno de tais recursos poderá ficar bastante comprometido. Portanto, a finalidade jurídica da provisão contábil é proteger o sócio, por garantir a perenidade da empresa, e também proteger eventuais credores, por assegurar que a empresa (eventual devedora) não vai transferir seus recursos financeiros aos sócios em prejuízo do futuro pagamento da dívida, no caso de decisão que lhe seja desfavorável.

Regras de contabilização da inflação


Gente,
Divulgo aqui o texto a seguir com alguns comentários em homenagem ao Prof. Eliseu Martins pelas discussões feitas nesse semestre na disciplina Teorias do Lucro e da Avaliação Patrimonial, no PPGCC - FEA/USP. A inflação é coisa do passado!! Será mesmo? Não é preciso mais estudar correção monetária!! Tem certeza?

Ressurgimento da inflação traz de volta debate sobre regras de contabilização
Texto publicado no Valor Econômico em 05/05/2011, por Tony Jackson - Financial Times

As perspectivas para a inflação no mundo desenvolvido podem ser turvas, mas em algumas economias emergentes o quadro é comparativamente mais nítido. Considere a Índia, com uma inflação estimada em 12,1% em 2010 ou a Argentina com 10,9%.
Isso levanta uma questão interessante para as multinacionais do Velho Mundo que estão se esforçando para construir sua presença nesses países. O que elas estão fazendo para corrigir o efeito distorcedor da inflação local em suas demonstrações de resultados?
Não muito, ao que parece. As normas contábeis internacionais e americanas especificam que a contabilização da inflação deve ser usada em subsidiárias em países com hiperinflação – genericamente definida como 100% em três anos, ou 26% acumulados ao ano [e se for 99% ou ainda 98% ou algo próximo disso não existiria hiperinflação???]. A única economia que satisfaz o critério é da Venezuela.
Em outros países de inflação elevada, nenhuma ação é exigida. E de acordo com auditores e empresas que consultei, nenhuma ação é tomada.
Isso não deveria, talvez, surpreender-nos. As distorções causadas pela inflação são, principalmente, para cima [O prof. Eliseu Martins sempre defende que as distorções causadas pela não consideração na Contabilidade das variações no poder aquisitivo da moeda são imensas]. Por que deveriam as empresas negar-se um modesto incremento no lucro, por ilusório que seja, quando ninguém diz que elas têm de fazer correções?
Quanto aos próprios países, a questão é outra. Alguns países latino-americanos estão discutindo possíveis mudanças nas regras com o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (IASB, na sigla em inglês). O conselho deverá incluir a contabilização da inflação entre as questões para discussão nos próximos 12 meses.
Há basicamente três vias pelas quais a inflação afeta os valores apresentados: depreciação, estoques e ativos/passivos financeiros.
A primeira é óbvia. Se você depreciar uma máquina durante sua vida de cinco anos por seu custo, mas o preço de uma máquina nova dobrar, seu lucro resultará inflado.
Estoques são menos óbvios, mas possivelmente, mais importantes. Para calcular o lucro bruto é preciso conhecer o custo dos materiais consumidos. Ou seja, tudo que é comprado durante o ano mais estoques iniciais – que são consumidos durante o período – menos os estoques finais, não consumidos.
Disso resulta que um aumento nos custos de estoques incrementará os lucros reportados. Mas, ao mesmo tempo, isso reduz o dinheiro em caixa.
Em meados da década de 1970, quando a inflação de preços ao consumidor no Reino Unido ficou em torno de 25%, a inflação dos custos industriais estavam mais próximos de 50%. As empresas ficaram sujeitas a grandes ônus tributários sobre lucros inexistentes e o governo introduziu apressadamente isenções sobre valorizações de estoques para evitar falências.
Próximo item: ativos e passivos financeiros. Evidentemente, o efeito líquido da inflação sobre devedores e credores pode ser positivo ou negativo, conforme o balanço patrimonial.
Os efeitos sobre o patrimônio são mais sutis. As empresas precisam ter certeza de que, ao pagar dividendos, não estejam, na realidade, distribuindo capital. A solução óbvia é indexar esse capital. Mas a questão é qual índice usar.
Para itens em caixa, o índice de preços ao consumidor é suficientemente bom. Mas a taxa de inflação referente a ativos físicos, como vimos no exemplo britânico dos anos 1970, pode ser bastante distinta, e o valor dos ativos físicos, evidentemente, afeta o cálculo do patrimônio.
Então, como poderiam ser as novas regras para contabilização da inflação? No Reino Unido na década de 1970, toda essa ideia foi tão controvertida que no momento em que uma norma contábil foi finalmente formulada, a inflação tinha cedido.
A natureza dos argumentos, naquela época, poderia, então, servir como advertência. Para muitos contadores ortodoxos, a ideia de abandonar a contabilidade histórica de custos era um anátema. Eles preferiam falsidade precisa a verdade imprecisa.
Quem pensa que essa atitude dissipou-se deveria lembrar a hostilidade generalizada ainda gerada por regras mais recentes relativas à marcação de ativos financeiros a mercado. Imaginemos aplicar esse princípio a hardware e software, e compreenderemos como fica o cenário.
Tendo em vista as complexidades, o resultado provável é que os números serão ajustados por um simples índice de preços ao consumidor, como segundo as regras atuais para economias hiperinflacionárias. O resultado seria rudimentar, mas poderia ser o preço para obter uma adesão generalizada. E, afinal de contas, algo precisa ser feito. Tomados como uma categoria, os países emergentes podem não chegar a 100% de inflação em três anos. Mas o percentual atual é de 28% para a Argentina, 35% para a Índia e 36 na Rússia.
Quem pensa que, nesses casos, custos históricos representam a realidade está se iludindo. Um exame superficial das contabilidade gerencial das companhias multinacionais mostra que elas não trabalham com tais custos históricos. A questão é se elas compartilham a realidade com seus proprietários.
Faz 30 anos que Warren Buffett descreveu a inflação como sendo uma “gigante lombriga empresarial… que simplesmente limpa o prato”. Não estamos de volta à década de 1970, mas não custa nada tomar precauções.

Custos e benefícios das IPSAS


Pessoal,
Para quem atua na área de Contabilidade aplicada ao Setor Público, segue uma notícia interessante acerca da adoção das IPSAS.
Boa leitura!

Custos são principal obstáculo para a reforma da contabilidade pública no Brasil, aponta Ernst & Young
Fonte: Revista Fator  [25/11/2011]

Estudo global mostra que País vê muitos benefícios na adoção do regime por competência baseado nas IPSAS, as Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público; no entanto, esses padrões ainda não são conhecidos em detalhes por membros do governo.

Apesar de o Brasil estar se preparando para a adoção das IPSAS (International Public Sector Accounting Standards), conhecidas por aqui como Normas Internacionais da Contabilidade para o Setor Público, os custos da reforma são tidos como um dos principais obstáculos para a adoção de um regime por competência. O dado consta do estudo Toward transparency: A comparative study of governamental accounting around the world, elaborado pela Ernst & Young.

O prazo de convergência do Brasil para as IPSAS foi fixado inicialmente para 2012 [Inicialmente para o Governo Federal e posteriormente para as outras esferas de Governo]. Atualmente, o País utiliza um sistema contábil que é uma versão modificada do regime de caixa, mas move-se gradualmente para a aplicação do regime de competência baseado nas IPSAS.

“A adoção das IPSAS permite a comparação das demonstrações contábeis entre instituições governamentais nos mais diversos países e, de quebra, propicia um ganho enorme de transparência”, afirma Julio Braga Pinto, sócio de Auditoria da Ernst & Young Terco. “Com o prazo para a convergência se aproximando, é importante conhecer práticas bem sucedidas sobre o tema e debater os avanços que o Governo brasileiro vem alcançando para sua adoção.”

O estudo, resultado de uma pesquisa com autoridades financeiras de 33 países – Brasil, França, Alemanha, Índia, China, Japão, Reino Unido, EUA, entre outros –, tem como objetivo identificar tendências e desenvolvimentos na contabilidade do setor público, incluindo uma avaliação da transição, no mundo, do regime de caixa para o regime de competência, e depois para o objetivo final que é a adoção integral das IPSAS.

Segundo a pesquisa, o governo brasileiro é um dos oito que utilizam uma base modificada e um dos 11 que têm planos concretos de melhorar o sistema contábil nacional. Mesmo acreditando que os custos da reforma são altos e podem ser empecilhos, os participantes brasileiros da pesquisa disseram reconhecer os benefícios de se adotar a contabilidade por competência ou as IPSAS.

Informação para quem? O estudo conclui ainda que instituições financeiras internacionais, agências de rating e o público em geral não são vistos como os principais usuários de declarações financeiras governamentais em muitos países. Uma maioria significativa (84%) listou governos e parlamentos como os principais usuários dessas informações. Um terço (33%) dos entrevistados citou agências de rating, 39% mencionaram instituições financeiras internacionais e 51% veem os cidadãos como os principais usuários das declarações divulgadas pelos governos.

“Essas conclusões sugerem que muitos governos ainda não estão divulgando seus status financeiros de forma eficaz para o público externo”, diz Julio Braga Pinto. “Os governos deveriam estar motivados, após a crise financeira, para colocar em prática as condições para uma gestão moderna e para reformar suas metodologias contábeis. Porém, ainda é necessário progredir para responder a preocupações sobre transparência, responsabilidade e sustentabilidade em nível global”, completa.

O G20 e muitos outros países vêm pedindo uma convergência regulatório-financeira global para criar estabilidade para mercados de capital e investidores. O estudo da Ernst & Young constatou que padrões de demonstrações financeiras nacionais ainda são, na maioria, únicos, tornando comparações entre governos muito difíceis. A grande maioria dos países pesquisados usa seu próprio sistema de demonstrações contábeis e financeiras, o que significa que na maioria dos casos não é possível comparar seus níveis de eficiência com outros países.

A maioria das entidades pesquisadas – 52% – já fez a conversão para a contabilidade por competência e, ao fazê-la, identificou benefícios claros: uma maior facilidade na tomada de decisões, a melhora na gestão de bens e fundos e o aumento da eficiência. Muitos governos não planejam, no entanto, novas reformas em seu sistema contábil. Particularmente preocupante é que um terço dos 55% que não planejam mudanças está baseado na Europa, onde há uma contínua instabilidade fiscal e orçamentária.

Uma grande maioria dos países – 75% – identificou “apresentação justa” como o principal foco das informações colocadas em relatórios financeiros. O fato de que os países que também utilizam o regime de caixa tenham respondido o mesmo pode ser visto como contraditório, porque esse tipo de contabilidade não está, segundo especialistas, em linha com uma representação justa da situação financeira de um país. Entretanto, pode-se concluir que, de uma perspectiva global, não há um entendimento comum sobre o tema. Por fim, a maioria das administrações financeiras dos governos tem conhecimento sobre a adoção das IPSAS, mas apenas três dos países pesquisados no estudo já implementaram as normas (do regime por competência).

“Analistas de finanças públicas e políticos acreditam cada vez mais que os complexos desafios fiscais e orçamentários que seus países enfrentam são mais complicados de serem resolvidos devido à sua continuada dependência de sistemas contábeis de caixa defasados”, afirma Thomas Müeller-Marqués Berger, líder global da área de Contabilidade do Setor Público. “É encorajador ver, entretanto, que a modernização da contabilidade do setor público está sendo gerada dentro dos governos e que a crise financeira não parece ter mudado essa decisão. O setor privado teve que incorporar medidas para dar mais transparência para declarações financeiras – e o setor público necessita fazer o mesmo urgentemente.”

“A crise da dívida tem trazido à tona a necessidade por mais transparência das finanças governamentais na Europa, em particular, mas é importante que países de todo o mundo garantam que suas declarações sejam as mais acuradas possíveis ao usar métodos modernos de contabilidade que, com certeza, darão uma ideia mais completa sobre as situações fiscais contábeis e econômicas dos governos”, finaliza Julio Braga Pinto.

Relatório: O estudo Toward transparency: A comparative study of governamental accounting around the world foi feito em 33 países: Austrália, Áustria, Brasil, Canadá, Croácia, Egito, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Israel, Itália, Japão, Quênia, Lituânia, Moçambique, Nepal, Holanda, Nova Zelândia, China, Polônia, Senegal, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Uganda, Ucrânia, Emirados Árabes Unidos (Abu Dhabi), Reino Unido, EUA e Zimbábue. Eles foram escolhidos por sua representação balanceada, tanto pela geografia quando pelo desenvolvimento dos países.

11 de nov. de 2011

Pesquisa Inflação

Prezados,
Divulgo um questionário de pesquisa sobre a percepção da INFLAÇÃO.
Perfil dos respondentes: Público em geral, sem restrições de formação. Quem puder colaborar, por favor, responda e repasse: https://www.surveymonkey.com/s/inflacao

8 de nov. de 2011

Uma blogueira ausente


Olá pessoal!
Disponibilizo o texto a seguir do André Rocha, publicado no Valor Econômico de 24 de outubro de 2011, que retrata um pouco da realidade dos profissionais de análise de investimentos. Mas confesso que o que mais me chamou a atenção no texto foi o trecho da canção “Capitão de Indústria”, dos Paralamas do Sucesso: “Ah! Eu acordo pra trabalhar/ Eu durmo pra trabalhar/ Eu corro pra trabalhar”.
Essa é a minha vida, essa é a minha história [no momento]. Por isso ando tão ausente desse Blog. Mas dias melhores, mais tranquilos e mais produtivos virão!

Carta a um jovem analista de empresas

Os Paralamas do Sucesso na canção “Capitão de Indústria” retrata a angústia de um cidadão cuja jornada de trabalho ocupa espaço excessivo na sua rotina. É melancólico escutar o refrão: “Ah! Eu acordo pra trabalhar/ Eu durmo pra trabalhar/ Eu corro pra trabalhar”. Será que a rotina do analista de empresas é mais excitante? Quais os atributos requeridos? Qual a área de atuação? Como anda o mercado de trabalho?

Com a revitalização do mercado de capitais brasileiro a partir de 2004, o mercado de trabalho para o analista de empresas se alargou. Atualmente o mercado de capitais - que envolve os mercados de ações, de dívida e de operações societárias - é uma alternativa de carreira viável para os jovens.

Ele pode trabalhar em: (i) área de pesquisa de corretoras (conhecido como “sell side”); (ii) gestoras de recursos (o chamado “buy side” que engloba gestoras de recursos, fundos de pensão); (iii) área de crédito dos bancos;  (iv) agências de classificação de risco; (v) fundos de “private equity” que investem em companhias de capital fechado; (vi) bancos de investimento, responsáveis por operações societárias, de dívida e por processos de abertura de capital e (vii) área de relações com investidores das companhias.

O enfoque da análise é distinto em cada área de atuação. O “sell side” e o “buy side” buscam descobrir o que pode influenciar o desempenho das ações. O analista de crédito se preocupa com a capacidade de pagamento, logo a análise sobre a geração de caixa é primordial. Os fundos de “private equity” atuam junto às empresas para que essas se estruturem, cresçam e possam atingir o mercado acionário ou ser alvo de aquisição de concorrentes. Como esses fundos participam do capital das empresas, o trabalho dos analistas acaba sendo mais profundo, pois eles têm acesso a todas as informações das companhias. Já os analistas de “sell side”, “buy side” e de crédito possuem apenas acesso as informações públicas, logo a profundidade da análise é menor.

A carreira do analista de empresas é tipicamente uma carreira em Y e não em linha. Nessa última, o profissional ascende na hierarquia da companhia, galgando cargos de supervisão na hierarquia corporativa. A carreira em Y também permite mobilidade ascendente aos profissionais, mas sem obterem cargos de chefia ou supervisão. Como possuem perfil mais técnico podem não ter a competência específica para gerenciar equipes nem perfil generalista.

Não é o que tem ocorrido, especialmente, em algumas administradoras de recursos. Os analistas, para ascenderem na hierarquia, precisam se transformar em “portfolio manager” ou gestores de carteira. Além de administrar o fundo de investimento, esses profissionais podem gerenciar equipes.   Muitas vezes essas promoções são um fracasso. A gestora, além de desfalcar sua área de análise, promove um profissional com baixa capacidade de liderança. Outro efeito negativo é que, com tal configuração, os analistas desde cedo buscam uma migração, interna ou externamente, o que não é benéfico para a equipe.

No Brasil, a maioria dos analistas é formada em Engenharia, Administração de Empresas ou Economia. A atividade requer conhecimentos em matemática financeira, macroeconomia, contabilidade e direito societário. Os analistas que produzem relatórios para terceiros necessitam ter a certificação chamada CNPI (Certificado Nacional do Profissional de Investimento) emitida pela APIMEC (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais).

Duas características podem ser vinculadas ao bom profissional do mercado financeiro, incluindo os analistas: alta empregabilidade e boa remuneração. Este mercado em geral apresenta alta mobilidade. O bom trabalho feito por qualquer profissional do mercado de capitais acaba chamando a atenção não somente de seu empregador, mas também dos concorrentes. Com isso, ele tem sua empregabilidade aumentada. Além disso, a remuneração do profissional é vinculada ao desempenho. Logo um bom trabalho pode gerar uma gratificação generosa.

Então, a função do analista de empresas é mais excitante do que a do protagonista de “Capitão de Indústria”? Você é o juiz.

6 de out. de 2011

O novo zelador dos números

Na Revista Capital Aberto de Outubro/2011 tem uma matéria falando do novo perfil dos profissionais de Contabilidade nas empresas.
A iniciativa da matéria é legal e me trouxe uma oportunidade de discussão: O contador realmente é o "zelador" dos números?
Significado de Zelador: adj. que zela; pessoa responsável pelo zelo, cuidado de algo ou alguma coisa; cuidador. S.m. Bras. Porteiro de edifício de apartamentos ou de escritórios.
É mais ou menos por aí o papel dos profissionais de Contabilidade nas empresas?
Segundo a atual Estrturua Conceitual para preparação e apresentação das demonstrações contábeis, a contabilidade tem como principal objetivo gerar informações úteis para a tomada de decisão por diversos usuários.
Gerar essas inormações úteis é o papel dos profissionais de Contabilidade nas empresas e não apenas cuidar dos números. A informação contábil deve ser relevante, compreensível, comparável, confiável, fazer a diferença em uma decisão... Não deve apenas ser bonita. O fato de uma empresa ter apresentado resultado negativo (prejuízo) ou fluxo de caixa baixo em um período não quer dizer que o contador não foi zeloso! Os números de uma empresa dependem de muitos outros fatores.
E uma outra coisa que não acho "bonito" na matéria é quando diz que "Chego à empresa e faço reuniões. Mexo com contabilidade apenas depois das 18 horas." Embora isso reflita uma realidade, às 18 horas acaba o expediente e a vida não é só Contabilidade!!

O novo zelador dos números 

Os IFRS mudaram a rotina do profissional de contabilidade: agora ele faz reuniões o dia todo e só se debruça sobre os balanços quando acaba o expediente 

Derick Almeida 

"O contador era aquele sujeito estranho", brinca Rodrigo Vilella Ruiz, chefe de contabilidade da Eletrobras. "Sempre falava de uns negócios que ninguém entendia." Pois acredite: no mundo dos padrões internacionais de contabilidade (IFRS, na sigla em inglês), essa fama de ermitão começa a desaparecer. Impostas pela Lei 11.638, de 2007, essas regras chegaram ao País, nos últimos anos, na forma de princípios emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Mas foi ao longo de 2010, primeiro ano de adoção obrigatória dos IFRS, que os operários das demonstrações financeiras tiveram, literalmente, de se mexer. O perfil sóbrio e solitário do contador deu lugar, por força das novas exigências do ofício, a um estilo muito mais entrosado com os demais departamentos da companhia. "Chego à empresa e faço reuniões. Mexo com contabilidade apenas depois das 18 horas", conta Ruiz.
“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)