8 de nov de 2011

Uma blogueira ausente


Olá pessoal!
Disponibilizo o texto a seguir do André Rocha, publicado no Valor Econômico de 24 de outubro de 2011, que retrata um pouco da realidade dos profissionais de análise de investimentos. Mas confesso que o que mais me chamou a atenção no texto foi o trecho da canção “Capitão de Indústria”, dos Paralamas do Sucesso: “Ah! Eu acordo pra trabalhar/ Eu durmo pra trabalhar/ Eu corro pra trabalhar”.
Essa é a minha vida, essa é a minha história [no momento]. Por isso ando tão ausente desse Blog. Mas dias melhores, mais tranquilos e mais produtivos virão!

Carta a um jovem analista de empresas

Os Paralamas do Sucesso na canção “Capitão de Indústria” retrata a angústia de um cidadão cuja jornada de trabalho ocupa espaço excessivo na sua rotina. É melancólico escutar o refrão: “Ah! Eu acordo pra trabalhar/ Eu durmo pra trabalhar/ Eu corro pra trabalhar”. Será que a rotina do analista de empresas é mais excitante? Quais os atributos requeridos? Qual a área de atuação? Como anda o mercado de trabalho?

Com a revitalização do mercado de capitais brasileiro a partir de 2004, o mercado de trabalho para o analista de empresas se alargou. Atualmente o mercado de capitais - que envolve os mercados de ações, de dívida e de operações societárias - é uma alternativa de carreira viável para os jovens.

Ele pode trabalhar em: (i) área de pesquisa de corretoras (conhecido como “sell side”); (ii) gestoras de recursos (o chamado “buy side” que engloba gestoras de recursos, fundos de pensão); (iii) área de crédito dos bancos;  (iv) agências de classificação de risco; (v) fundos de “private equity” que investem em companhias de capital fechado; (vi) bancos de investimento, responsáveis por operações societárias, de dívida e por processos de abertura de capital e (vii) área de relações com investidores das companhias.

O enfoque da análise é distinto em cada área de atuação. O “sell side” e o “buy side” buscam descobrir o que pode influenciar o desempenho das ações. O analista de crédito se preocupa com a capacidade de pagamento, logo a análise sobre a geração de caixa é primordial. Os fundos de “private equity” atuam junto às empresas para que essas se estruturem, cresçam e possam atingir o mercado acionário ou ser alvo de aquisição de concorrentes. Como esses fundos participam do capital das empresas, o trabalho dos analistas acaba sendo mais profundo, pois eles têm acesso a todas as informações das companhias. Já os analistas de “sell side”, “buy side” e de crédito possuem apenas acesso as informações públicas, logo a profundidade da análise é menor.

A carreira do analista de empresas é tipicamente uma carreira em Y e não em linha. Nessa última, o profissional ascende na hierarquia da companhia, galgando cargos de supervisão na hierarquia corporativa. A carreira em Y também permite mobilidade ascendente aos profissionais, mas sem obterem cargos de chefia ou supervisão. Como possuem perfil mais técnico podem não ter a competência específica para gerenciar equipes nem perfil generalista.

Não é o que tem ocorrido, especialmente, em algumas administradoras de recursos. Os analistas, para ascenderem na hierarquia, precisam se transformar em “portfolio manager” ou gestores de carteira. Além de administrar o fundo de investimento, esses profissionais podem gerenciar equipes.   Muitas vezes essas promoções são um fracasso. A gestora, além de desfalcar sua área de análise, promove um profissional com baixa capacidade de liderança. Outro efeito negativo é que, com tal configuração, os analistas desde cedo buscam uma migração, interna ou externamente, o que não é benéfico para a equipe.

No Brasil, a maioria dos analistas é formada em Engenharia, Administração de Empresas ou Economia. A atividade requer conhecimentos em matemática financeira, macroeconomia, contabilidade e direito societário. Os analistas que produzem relatórios para terceiros necessitam ter a certificação chamada CNPI (Certificado Nacional do Profissional de Investimento) emitida pela APIMEC (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais).

Duas características podem ser vinculadas ao bom profissional do mercado financeiro, incluindo os analistas: alta empregabilidade e boa remuneração. Este mercado em geral apresenta alta mobilidade. O bom trabalho feito por qualquer profissional do mercado de capitais acaba chamando a atenção não somente de seu empregador, mas também dos concorrentes. Com isso, ele tem sua empregabilidade aumentada. Além disso, a remuneração do profissional é vinculada ao desempenho. Logo um bom trabalho pode gerar uma gratificação generosa.

Então, a função do analista de empresas é mais excitante do que a do protagonista de “Capitão de Indústria”? Você é o juiz.

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