30 de jul de 2011

Formação Profissional e Mercado

Hoje soube de uma colega que desistiu de cursar o Mestrado em Contabilidade, após ter cursado um semestre de disciplinas. Eu fiquei triste com a sua desistência, mas entendi suas razões. Fazer Mestrado e Doutorado é muito custoso, extenuante, às vezes humilhante e não oferece a recompensa compatível com o sacrifício. Atuar como profissional contábil no mercado é visto por muitos como mais compensador: salários compensadores e menor exigência de formação.
Eu sou uma que pensa diferente! Mas não abro mão de ser bem remunerada e de ter meus finais de semana de volta quando acabar esse período!
Mas há incentivos para se especializar na área de Contabilidade?
O que o mercado espera?
O que as instituições de ensino oferecem?
O texto abaixo aborda a lacuna entre a formação do profissional de Contabilidade e as exigências do Mercado.

Haverá profissionais da contabilidade que o mercado necessita?

Texto de Anderson Hernandes, publicado no Portal Administradores.com (30/07/2011)

No último mês de maio, o Conselho Federal de Contabilidade publicou o resultado da primeira edição de 2011 do Exame de Suficiência para bacharéis e técnicos de contabilidade. O exame que continha questões de contabilidade geral, custos, gerencial, setor público e controladoria, além de outras áreas correlacionadas, não foi considerado difícil por especialistas. Apesar disso, o índice de aprovação foi de apenas 30,8% para bacharel em ciências contábeis e 24,9% para técnico em contabilidade, o que considero insatisfatório para as necessidades de mercado, porém realista para o nível em geral do ensino das escolas e faculdades de contabilidade. Para ratificar ainda mais essa avaliação, podemos comparar com o resultado obtido na última edição do exame de suficiência anterior a sua reaplicação, realizado em 2004, onde o índice de aprovação foi de 72,47% para bacharel em ciências contábeis. Ainda houve casos de Estados que tiveram índice de 100% de reprovação para técnicos de contabilidade.

Os números apenas expõe uma realidade: a baixa qualidade da formação dos estudantes de contabilidade, realidade essa que não deveria surpreender recrutadores de RH e empresários contábeis acostumados com a dificuldade de contratar profissionais da contabilidade habilitados. O mercado atual tem uma demanda por profissionais com habilidades e formação, que está muito longe do que as instituições têm proporcionado, podendo culminar num apagão de mão de obra qualificada para o mercado contábil em pouco tempo.

Uma pesquisa realizada em todo o Brasil pela revista Você S/A apontou que em São Paulo, conhecidamente como o centro das maiores empresas de auditoria e outsourcing contábil, o cargo de contador é o mais demandado pelos recrutadores de RH. Paralelamente um estudo realizado pelo ManPowerGroup, divulgado em maio deste ano, apontou que os profissionais de contabilidade estão entre as 10 profissões onde faltam mais profissionais qualificados, ou seja, existe uma demanda não atendida pelos profissionais que se formam.

Durante anos tenho realizado palestras em todo o Brasil, em contato direto com estudantes da contabilidade em escolas, universidades e entidades de classe, podendo afirmar que a maior parte deles ainda não se deu conta dessa realidade e, além disso, não sabe o caminho de oportunidades que a profissão oferece.

Analisando as questões do exame de suficiência, cabe destacar que nenhuma delas contemplou assuntos inseridos no dia a dia do profissional contábil, envolvendo aspectos tributários da profissão, tais como obrigações acessórias, apurações de impostos e outros, levando a avaliar que a prova poderia expor ainda mais a lacuna entre o conhecimento existente e conhecimento necessário a nossa profissão.

Qual é, portanto a solução para a profissão contábil? O primeiro grande passo foi dado pelo CFC com a aprovação do exame de suficiência, instituído nos termos da Lei nº 12.249/2010. Muitas empresas também têm feito a sua parte, preparando seus profissionais por meio de programas de qualificação complementar. As entidades educacionais tem uma responsabilidade diferenciada nesse processo, haja vista seu papel na formação principal do profissional da contabilidade, que precisa muito ser melhorada e adequada à realidade de mercado. Por fim, o próprio profissional tem que buscar uma formação adequada, que vai desde a escolha da entidade formadora até a educação complementar e continuada necessária, de modo a adequar-se ao atual cenário de qualificação e formação que o mercado necessita.

3 comentários:

  1. É fundamental "adequar-se ao atual cenário de qualificação e formação que o mercado necessita". Sou estudante de contabilidade da UFF (Macaé) e posso dizer que por aqui as oportunidades são muitas (e tentadoras). A região tem mais vagas do que estudantes p/ esta área e não percebo muito interesse neles em ir além da Graduação.
    Acredito que o conhecimento técnico é importante, mas conhecer a profissão vai muito além do q é estudado na faculdade.

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  2. Obrigada pelo comentário e por acompanhar o Blog. Abraços

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  3. Olá, Claudia.

    Vou tentar responder, sob minha ótica, as questões abaixo, formulada por você.

    Mas há incentivos para se especializar na área de Contabilidade?

    Resposta: Não, não de forma direta. O que se vê são poucas grandes empresas em busca de profissionais qualificados mas boa parte delas ainda preferem pagar menos a quem aceitar receber menos.

    O que o mercado espera?
    O que as instituições de ensino oferecem?

    Resposta: Diploma,e apenas isso. Inclusive se você fizer um questionamente entre seus alunos e outros de seus colegas observará que nem eles querem o conhecimento.

    O texto abaixo aborda a lacuna entre a formação do profissional de Contabilidade e as exigências do Mercado.

    Resposta: O texto traduz exatamente o que falei acima, sobre o interesse apenas em formar profissionais diplomados em o interesse de desenvolver competências.

    Haverá profissionais da contabilidade que o mercado necessita?

    Para mim os que aí estão é exatamente o que o mercado quer: pessoas sem conhecimento, manipuláveis e dóceis. Carentes financeiramente.

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“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)