26 de ago de 2014

Ideias saudáveis

No último domingo, dia 24 de agosto, participei de uma corrida para mulheres no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, o Circuito Vênus. Esse é o quinto ano consecutivo que participo dessa prova. E como se trata de uma corrida só para mulheres, eles organizam o ambiente para que a mulherada se divirta, além de suar a camisa na pista. Os serviços vão desde avaliação nutricional, comércio de cosméticos, manicure, cabeleireiro, massagem, aulas de danças, yoga, pilates até degustação de snacks de patrocinadores. Enfim, uma farra para corredoras experientes e também marinheiras de primeira viagem.

Eu, particularmente, não aproveitei nem 10% dos serviços oferecidos. O maior interesse era efetivamente correr no dia seguinte. E corri! Eu fiz o percurso de 10 km na prova, completados em exatos 60 minutos. Esse não foi o meu melhor tempo em 10 km [embora dentro do tempo máximo que me desafiei a fazer], mas foi o possível para um domingo de calor no Rio de Janeiro e para uma corredora com pouco treino e com outras preocupações, muito além da velocidade das passadas.

Muitas pessoas que correm costumam pensar em um mundo de coisas enquanto correm. Eu sou assim. Nos momentos em que estou em um ritmo bom, costumo lembrar dos momentos de alegria, das minhas vitórias, superações, da força para prosseguir, para superar dificuldades, para ir contra a maré... Porém, nos momentos do percurso em que o cansaço pesa e as forças começam a diminuir, eu me lembro de momentos angustiantes e é inevitável pensar se realmente conseguirei prosseguir, persistir, ir até o fim, cruzar a linha de chegada... Na corrida e nos outros desafios fora das pistas.
Nessa edição do Circuito Vênus, o processo de elaboração da tese correu comigo, nos pensamentos, nos momentos de empolgação, no cansaço, no medo de não ter força para chegar. E eu pensei também em escrever um post no blog sobre esse turbilhão de emoções que envolviam a dinâmica da corrida e a dinâmica da tese.

Nas subidas e descidas, em cada passada, em cada gota de suor, em cada inspiração e expiração, em cada ultrapassagem, em cada Km vencido eu pensava que assim seria com o processo da elaboração da tese: a linha de chegada estava mais próxima e eu chegaria lá.
Nos momentos em que eu ultrapassava alguém que corria em menor velocidade e também nos momentos em que eu era ultrapassada pelos mais velozes eu me lembrava dos colegas da turma do doutorado, que vivem os mesmos desafios, dos que já defenderam, dos que ainda estão lá atrás e pensei: na corrida e na tese não estou competindo com ninguém, o importante é que todos cheguem... Que todos vivam a alegria, a leveza e a liberdade de chegar!

E pensei mais: E se eu não chegar a completar a corrida? Sim, poderia acontecer! Eu prossegui: É só uma corrida. E a vida é muito mais que uma corrida... Imediatamente continuei: E se eu não conseguir completar a tese? Tudo bem, eu pensei: a tese é bem mais que uma corrida... Sim, mas a vida é bem mais que a tese! E continuei correndo... E continuo escrevendo.

Embora tenhamos metas a perseguir e que são catalizadoras de momentos de alegria, não alcançar todas elas não é o fim da vida. Tudo é aprendizagem! Tudo, por mais doloroso que seja!
Cruzei a linha de chegada da corrida, mas senti uma alegria grande mesmo foi quando vi uma placa dizendo que faltavam 500 metros! E desse processo todo de elaboração da minha tese falta um pouco mais que 500 metros. Vejo vocês na linha de chegada!



#CorroPorqueNãoTenhoAsas
#SigoEmBusca
#SumakKawsay

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“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)