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7 de dez. de 2018

Resultado do Processo Seletivo PPGCC/UFRJ

Estão disponíveis os resultados finais do processo seletivo para as turmas 2019 de Mestrado e Doutorado em Ciências Contábeis do PPGCC/UFRJ!
Parabéns aos candidatos aprovados.

Mestrado: http://ppgcc.ufrj.br/images/Selecao_2019/Info-02_M_2019.pdf

Doutorado: http://ppgcc.ufrj.br/images/Selecao_2019/Info-02_D_2019.pdf

Informações completas sobre o Processo Seletivo: http://ppgcc.ufrj.br

17 de set. de 2015

Entrevista ao Blog Contabilidade Financeira

Entrevista concedida ao prestigiado Blog Contabilidade Financeira.
Obrigada Isabel Sales, pela oportunidade!

Sobre o doutorado, a tese e a contabilidade pública...
Blog_CF: Cláudia, parabéns pela conquista do título de doutora, percorrendo uma caminhada com suas sinuosidades e momentos ásperos, mas certamente gratificante. 


Cláudia: Obrigada! Quando a gente se propõe a abraçar um desafio geralmente pensa nos sacrifícios que terá que fazer em busca dos benefícios pretendidos. Mas em alguns desafios, os sacrifícios são muito maiores do que aqueles inicialmente imaginados. Com o Doutorado foi assim. Mas também sou muito grata pela oportunidade de cursar o Doutorado na melhor instituição de ensino que temos no Brasil. As experiências vividas, as aulas, discussões, oportunidades de pesquisa foram singulares e contribuíram muito para a minha formação. Lembro-me da alegria de ter sido aprovada para ingresso na turma 2011 no PPGCC/FEA/USP, mas guardarei com alegria redobrada o anúncio da aprovação da tese por parte da banca. Um dia incrivelmente feliz! Agora que o Lattes já está atualizado, a ideia é tentar viver uma vida [academicamente] normal!

Blog_CF: O seu doutorado foi finalizado em 2015, com a defesa da sua tese. Para tecê-la, você utilizou dados primários, o que significa você ter ido buscar os dados na fonte para criar a sua base de trabalho. Enquanto você trabalhava, também publicava algumas descobertas nas redes sociais, como um prefeito que adotava a “gestão com carinho” (Feira de Santana), um ano com quatro quadrimestres (Maranhão), além do município muito “criativo” (não divulgado) com pouco mais de 180 mil habitantes e com 33 secretarias municipais. De todo esse universo que a sua tese te introduziu, quais as suas histórias preferidas?

Cláudia: O município criativo foi Cabo Frio (RJ)! A experiência de coleta de dados para a tese foi uma experiência de pesquisa em toda a extensão do termo. Foi um período de garimpar dados! A minha opção por ênfase de pesquisas na área pública se deu desde a graduação e prossigo na crença de que se trata de uma área promissora, mas carente de pesquisas. Um dos motivos é ausência de bases de dados consolidados, a exemplo da Economatica, com dados de companhias abertas. Eu gostaria de contribuir um dia para a construção de uma espécie de Economatica do Setor Público. 

Algumas das descobertas durante a coleta de dados, principalmente nos sites das prefeituras, não estavam necessariamente relacionadas aos objetivos da pesquisa da tese, mas achei interessante registrar para partilhar com outras pessoas as dificuldades de se encontrar dados públicos no Brasil. Lembro-me de casos de secretários municipais com título de doutor e currículo Lattes atualizado (coisa que muitos professores não têm!). Eu destaquei as descobertas que me pareceram interessantes, mas outras tantas me causaram alegria como cidadã brasileira, por ver portais de prefeituras atualizados, com canais de comunicação com o cidadão, com informações divulgadas de forma completa e atualizada, mas também outras trouxeram um sentimento de frustração, como casos de municípios sem portal eletrônico na era da transparência e do acesso à informação.

Blog_CF: O prefeito Marcelo Pereira, de São José do Belmonte (Pernambuco), teve as contas de 2013 rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Em uma entrevista publicada em 12 de agosto pelo Farol de Notícias, Marcelo afirmou que, pelos municípios não possuírem renda própria é “impossível manter a máquina funcionando”. Segundo ele, o que ocorre nos municípios hoje é que “[...] você tem que dar um aumento de salários todo mês de janeiro, esse aumento de salário é obrigatório por lei. Então você não pode se negar a dar 13,8% aos professores, [além do] aumento do salário mínimo. Como é que a gente vai bater essa conta se a receita diminui e aumenta a folha de salário?” O que você acha dessa postura e qual a sua opinião sobre o impacto da Lei de Responsabilidade Fiscal nos Municípios? 

Cláudia: Eu não concordo com a postura deste prefeito, uma vez que, infelizmente, em nosso país os recursos públicos, em muitos entes, ainda não são aplicados de forma eficiente. Os municípios possuem competência tributária, garantida na Constituição Federal, ainda que reduzida em relação aos demais entes. Porém muitos municípios brasileiros têm apresentado o fenômeno da chamada ‘preguiça fiscal’, pois instituir e arrecadar tributos são um mecanismo impopular e que tira votos, principalmente em municípios pequenos, onde as relações entre eleitos e eleitores são muito próximas. Assim, muitos entes sobrevivem apenas das transferências constitucionais dos Estados e da União. Eu defendo que não deveriam ser criados ou permitidos municípios que não têm base econômica para arrecadar e nem capacidade técnica mínima de gestão. No Brasil, pouco mais de 10% dos municípios têm população superior a 100 mil habitantes. Ou seja, quase 90% dos municípios são pequenos ou muito pequenos e muitas vezes não têm base econômica mínima para se manter, custear as despesas municipais mínimas.

Quanto ao aumento da renumeração dos professores, com percentual fixo de aumento no mês de janeiro, desconheço essa obrigatoriedade. Mas o gestor poderia informar também qual o valor gasto com a remuneração dos vereadores, secretários e cargos em comissão do município. Talvez um levantamento criterioso das despesas municípios revele áreas com recursos empregados de forma eficiente e exagerada e sobre recursos para a educação e o ente passe a ser um ‘município educador’.

Quanto ao impacto da LRF nas finanças municipais, os resultados da minha tese me permitiram umas considerações interessantes, mas desanimadoras. Embora muito se discuta sobre a rigidez das regras fiscais da LRF, eu considero alguns limites bastante confortáveis, para não dizer maternais, principalmente pelo pouco ou zero esforço que muitos entes têm que fazer para cumprir os limites. Exceção apenas para as despesas com pessoal, que é o limite mais rígido da LRF para municípios, mas ainda assim há casos de municípios com margem bastante folgada em relação ao limite máximo.

Em relação às metas fiscais, de resultado nominal e resultado primário, os valores alcançados pelos municípios são extremamente discrepantes das metas estabelecidas. Minha opinião inicial está focada na imperícia do planejamento por parte dos municípios. É lógico que orçamentos e planejamentos mal formulados não contribuem para o alcance da almejada responsabilidade na gestão fiscal.

Sobre Contabilidade


Blog_CF: O que você acha do universo contábil online brasileiro? Que dicas você daria para quem está começando, quais foram os seus maiores erros e acertos?

Cláudia: Eu considero que o universo contábil brasileiro está passando por uma fase ímpar, de valorização da área profissional. Para que isso não seja apenas uma onda, é necessário reestruturação dos cursos e melhoria na qualidade da formação. É preciso coragem para admitir que a formação ainda é bastante deficiente e mais coragem ainda para implementar as mudanças necessárias.

Meus maiores erros e acertos na Graduação em Ciências Contábeis:
Acertos: Querer viver o curso; envolvimento precoce com o Centro Acadêmico e com um núcleo de pesquisa; Dedicação a disciplinas menos próximas da área contábil: Filosofia, Sociologia, Ciência Política... Isso me fez abrir a cabeça, pensar fora da caixinha... Eu também gostava muito de estudar, de verdade! Para mim, poder estudar na melhor universidade da região onde morava e ainda uma instituição pública foi uma grande oportunidade que agarrei com unhas e dentes! 
Erros: Poderia ter me dedicado mais às disciplinas da área de economia e métodos quantitativos e aproveitado mais as festas na Universidade, mas eu sempre tinha algo para estudar.

Dicas para quem estar começando o curso de Ciências Contábeis: 1) Só curse se realmente quiser e gostar da área; 2) Estude e aprenda e leia e fale e escreva e compreenda no mínimo Inglês; 3) Estude métodos quantitativos com vontade, como se estivesse cursando Engenharia; 4) Dedicação extra às disciplinas da área de Economia; 5) Se puder, não trabalhe durante o curso, dedique-se apenas aos estudos; 6) Procure se envolver com pesquisa e iniciação científica; 7) Participe dos eventos do curso (seminários, congressos,...) e de outros cursos também; 8) Estagie apenas no último ano e em uma empresa que possa atuar na área que mais gostou no curso; 9) Faça monografia com vontade, na área que mais despertou interesse durante o curso; e 10) Acompanhe os blogs Contabilidade Financeira e Ideias Contábeis e curta nossas fanpages no Facebook!

RAPIDINHAS:
Último livro que leu: Cem Anos de Solidão – Gabriel García Marquez

Série preferida: Prison Break, a inteligência do Michael Scofield é fascinante.

Música que tem escutado ultimamente: Duas: I follow rivers - Lykke Li e A Sky Full of Stars - Coldplay

Esporte preferido para assistir? E para praticar? Assistir: Futebol (Flamengo no Maracanã) Praticar: Corrida (no Aterro do Flamengo... Corri minha primeira Meia Maratona há duas semanas, foi incrível!)

Algo que te inspira: Meditação

Algo que te faz perder a paciência: Falta de eficiência e quando as coisas não funcionam direito, como deveriam.

Para onde você gostaria de viajar? Alguns países da América Latina com uma mochila nas costas. Eu li As veias abertas da América Latina e, embora o Galeano tenha dita que o escreveria diferente, tenho muita vontade de percorrer este chão e conhecer um pouco mais esta gente. 

Como você descreve “lar”? Saudade da família em Feira de Santana e possibilidade de construir outro a partir das minhas próprias escolhas.

Qual a sua pergunta favorita ao conversar com outra pessoa? “Como vai você? Eu preciso saber da sua vida...”

1 de jul. de 2015

Resultado do Projeto Minha Tese, Minha Vida

Eis, finalmente, disponível para download o resultado do Projeto Minha Tese, Minha Vida: a minha tese!

Responsabilidade na Gestão Fiscal: um estudo em grandes municípios com base nos pilares da Lei de Responsabilidade Fiscal no período de 2010-2013

RESUMO

Esta tese analisa os pilares da gestão fiscal responsável, dispostos na Lei de Responsabilidade Fiscal (ação planejada, transparência, controle e cumprimento de metas e limites fiscais), sob a perspectiva teórica da Nova Gestão Pública e da Teoria da Escolha Pública. Considerando o caráter multidimensional da gestão fiscal (Araújo & Loureiro, 2005) e a relevância dos pilares, o objetivo do trabalho é investigar a relação entre indicadores de cumprimento de metas e limites fiscais com a gestão fiscal responsável, sob a perspectiva do planejamento, da transparência e do controle. O estudo foi conduzido para os 282 municípios brasileiros, com população superior a 100 mil habitantes, e utilizou dados do período de 2010 a 2013, oriundos de fontes primárias, o que permitiu a construção de uma base de dados original. As três hipóteses de pesquisa relacionam variáveis de cumprimento de metas e limites fiscais com variáveis representativas dos pilares da gestão fiscal, respectivamente: com planejamento (primeira hipótese), com transparência (segunda hipótese) e com controle (terceira hipótese). As análises e testes das hipóteses utilizaram técnicas multivariadas e regressão com dados em painel. Constatou-se que as variáveis relativas ao cumprimento de limites (exceto despesa total com pessoal) apresentam margens folgadas em relação aos limites legais e reduzida variabilidade. Estes resultados sugerem reflexões acerca da razoabilidade dos limites fiscais estabelecidos para os municípios, para que estes representem adequadamente a situação fiscal dos municípios (Fioravante, Pinheiro & Vieira, 2006; Afonso, 2008). As variáveis relativas a resultado nominal e primário apresentaram significativa dispersão e valores discrepantes das metas definidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Quanto à acurácia do planejamento, os municípios realizaram, em média, 94% das receitas e 91% das despesas totais previstas na Lei Orçamentária Anual, e com média de 11% de utilização de créditos adicionais. Apesar da exigência legal de divulgação dos instrumentos de transparência fiscal, os municípios divulgaram em média 50% dos itens requeridos. Sobre o controle exercido pelos tribunais de contas, cerca de 75% dos pareceres foram favoráveis à aprovação das contas (inclusive com ressalvas), porém os tribunais de contas não têm sido tempestivos na emissão dos pareceres prévios em mais de 40% dos casos. As conclusões foram: as variáveis de planejamento apresentaram relação positiva com as variáveis relativas ao resultado nominal e primário, ao limite de despesa total com pessoal e de dívida consolidada líquida (primeira hipótese); as variáveis de transparência apresentaram relação positiva apenas com a variável de limite de despesa total com pessoal (segunda hipótese); as variáveis representativas do pilar controle apresentaram relação positiva com as variáveis relativas ao resultado primário, ao limite de despesa total com pessoal e de dívida consolidada líquida (terceira hipótese). Como contribuição teórica, esta tese amplia a discussão sobre a avaliação da gestão fiscal responsável, indo além de indicadores de cumprimento de metas e limites fiscais. Em termos de metodologia, a análise fatorial das variáveis de cumprimento de metas e limites fiscais não se mostrou ex-post uma técnica adequada, devido ao caráter idiossincrático das variáveis. 

Palavras-chave: Responsabilidade fiscal. Planejamento. Transparência. Controle. Municípios.

Link para download da tese: Base de Teses USP


13 de jun. de 2015

Qual deve ser o tamanho da tese?

Qual deve ser o tamanho da tese?
Deve ser longa o bastante para ter credibilidade e curta o suficiente para que seja lida!

A charge do PhD Comics sugere duas relações:
I) Relação direta entre o tamanho de um tese (em número de palavras) e a credibilidade da mesma
II) Relação inversa entre  o tamanho de um tese (em número de palavras) e a probabilidade de que a banca efetivamente leia a tese.
E sugere que o ponto de equilíbrio entre estas duas relações é 50.000 palavras.

Sem considerar os elementos pré-textuais, as referências, anexos e apêndices (que ninguém lê mesmo), a minha tem 67.777 palavras. Se eu considerasse estes elementos, seriam 119.632 palavras! De texto propriamente dito, eu ultrapassei em cerca de 35,5% o tamanho ótimo! 
Bem, no final deu tudo certo! E ainda bem que eu não vi esta charge antes.

29 de mai. de 2015

Conclusão do Doutorado

Amigos, leitores e seguidores,

Com alegria e depois de algum tempo ausente e sem postagens constantes no Blog, venho apresentar esta postagem de retorno e comunicar a todos que consegui cruzar a linha de chegada, e mais ainda: receber o meu troféu!

Sim, em uma postagem no dia 26 de agosto de 2014 neste Blog, eu falei do desafio que estava vivendo no desenvolvimento da minha tese e, como havia concluído dez meses de coleta de dados e estava iniciando as análises, considerei que estava próxima da linha de chegada, assim como em uma corrida, quando podemos visualizar os últimos metros.

No dia 10 de abril de 2015 defendi a tese Responsabilidade na Gestão Fiscal: um estudo em grandes municípios com base nos pilares da Lei de Responsabilidade Fiscal, sob orientação do professor Luís Eduardo Afonso, no Programa de Pós-Graduação em Controladoria e Contabilidade da Faculdade de Economia Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.

Em breve o texto completo da tese estará disponível na base de Teses da USP e tão logo isso aconteça, postarei o link aqui no Blog.

Compartilho a epígrafe da tese: “My works are like water. The works of the great masters are like wine. But everyone drinks water.” (Mark Twain)
Com esse trabalho, tentei oferecer um pouco de água para a nossa área de conhecimento!

O convite

 A candidata

A banca

Vamos voltar a postar, comentar, provocar e suscitar ideias pequenas, grandes, criativas, polêmicas, novas e quem sabe, inovadoras.

1 de mai. de 2015

Descontração

Como os doutorandos, em geral, gastam o tempo durante a elaboração da tese...


Porque o mais importante realmente é pensar... Não é a toa que o Descartes disse: "Penso, logo existo".

Trazendo para a realidade da vida dos doutorandos: Penso, logo terei uma tese!

10 de mar. de 2015

Questionário Decisões de investimento no mercado financeiro

O Robson Braga é doutorando do programa de Controladoria e Contabilidade da Universidade de São Paulo – USP, sob orientação do Prof. Dr. Luiz Paulo Fávero.
Como parte do desenvolvimento da tese, o Robson Braga está realizando uma pesquisa sobre decisões de investimento no mercado financeiro e gostaria de contar com sua participação.

Para participar, basta acessar o link http://www.researchusp.com/pesquisa.faces?op=inicio (preferencialmente com o navegador Google Chrome) e seguir as instruções apresentadas no instrumento.
O tempo médio estimado para a conclusão da pesquisa é de quinze minutos, sendo que você poderá responder parcialmente e concluir em outro momento, caso algo o impeça de finalizar de uma só vez.

Segundo o Robson Braga, a participação nesta pesquisa é bastante, especialmente pelo fato de ter uma aplicação interativa semelhante a uma plataforma de negociação de ações. 

Nesta pesquisa, assim como em qualquer outra que se propuser a participar, suas respostas devem apresentar a maior fidedignidade possível em relação ao seu comportamento decisório.

Os participantes que concluírem a pesquisa estarão concorrendo ao sorteio de um IPad Mini Retina 32Gb.

19 de set. de 2014

LDO [2]

Alguém me fez o seguinte questionamento: 
Considerando o calendário eleitoral e orçamentário dos municípios brasileiros, se o PPA 2010-2013 vigorou até 2013 e a LDO 2014 foi elaborada e votada antes da discussão e votação do PPA 2014-2017, a LDO 2014 foi elaborada com base em que PPA?

Eu publiquei esse questionamento no grupo Contabilidade Aplicada ao Setor Público, no Facebook, e o colega Jorge de Carvalho [Blog do Prof. Jorge de Carvalho] contribuiu com os seguintes comentários:

Essa é uma lacuna legal existente no nosso ordenamento jurídico atual. Sempre no primeiro ano de mandato do gestor a LDO, que deve ser encaminhada ao Legislativo até 15/04 (prazo federal) precede o PPA (cujo prazo federal é 31/08). A solução é assinalar no texto da LDO que a mesma será revisada após a sanção do PPA. O fato é que precisamos urgentemente de uma nova legislação que traga regras mais claras sobre o PPA e estabeleça prazos observando a particularidade do primeiro ano de gestão.   
Na realidade o que temos hoje em termos de legislação sobre os instrumentos de planejamento na gestão pública (PPA, LDO e LOA) são: art. 165 da CF, ADCT e alguns artigos específicos da LRF. Os prazos estão definidos no ADCT, sendo possível aos Municípios, na atualidade, apenas seguir ou dilatar esse prazo em um mês, desde que autorizado pela Lei Orgânica Municipal.

LDO

De acordo com § 2º do artigo 165 da Constituição Federal, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, entre outras coisas, orientará a elaboração da lei orçamentária anual!

Seguindo a orientação do texto constitucional, uma ementa típica de LDO seria (e em geral é): “Dispõe sobre as diretrizes para elaboração da Lei Orçamentária do Município X para o exercício X e dá outras providências.”

Mas um determinado município paranaense inovou na ementa das suas LDO, quando informa que a Lei “Dispõe sobre as diretrizes para a elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias do Município X para o exercício X, e dá outras providências.” E isso em todas as LDO’s disponíveis no site do município!

Ou seja: No referido município, a LDO é elaborada para orientar a elaboração da LDO!
Será que ninguém nunca notou isso? Não é possível!!

Viva a criatividade dos nossos municípios!

#ProjetoMinhaTeseMinhaVida
#ExperiênciasDeUmaColetaDeDados

1 de set. de 2014

Secretaria de Assuntos Religiosos

Um fato curioso no site oficial de uma prefeitura: 
O município tem Secretaria de Assuntos Religiosos! E mais: tem espaço para todos. As notícias estão organizadas em matriz católica, matriz evangélica e matriz afro!
O estado pode até não ser laico, mas nesse caso é plural.


#ColetaDeDados

26 de ago. de 2014

Ideias saudáveis

No último domingo, dia 24 de agosto, participei de uma corrida para mulheres no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, o Circuito Vênus. Esse é o quinto ano consecutivo que participo dessa prova. E como se trata de uma corrida só para mulheres, eles organizam o ambiente para que a mulherada se divirta, além de suar a camisa na pista. Os serviços vão desde avaliação nutricional, comércio de cosméticos, manicure, cabeleireiro, massagem, aulas de danças, yoga, pilates até degustação de snacks de patrocinadores. Enfim, uma farra para corredoras experientes e também marinheiras de primeira viagem.

Eu, particularmente, não aproveitei nem 10% dos serviços oferecidos. O maior interesse era efetivamente correr no dia seguinte. E corri! Eu fiz o percurso de 10 km na prova, completados em exatos 60 minutos. Esse não foi o meu melhor tempo em 10 km [embora dentro do tempo máximo que me desafiei a fazer], mas foi o possível para um domingo de calor no Rio de Janeiro e para uma corredora com pouco treino e com outras preocupações, muito além da velocidade das passadas.

Muitas pessoas que correm costumam pensar em um mundo de coisas enquanto correm. Eu sou assim. Nos momentos em que estou em um ritmo bom, costumo lembrar dos momentos de alegria, das minhas vitórias, superações, da força para prosseguir, para superar dificuldades, para ir contra a maré... Porém, nos momentos do percurso em que o cansaço pesa e as forças começam a diminuir, eu me lembro de momentos angustiantes e é inevitável pensar se realmente conseguirei prosseguir, persistir, ir até o fim, cruzar a linha de chegada... Na corrida e nos outros desafios fora das pistas.
Nessa edição do Circuito Vênus, o processo de elaboração da tese correu comigo, nos pensamentos, nos momentos de empolgação, no cansaço, no medo de não ter força para chegar. E eu pensei também em escrever um post no blog sobre esse turbilhão de emoções que envolviam a dinâmica da corrida e a dinâmica da tese.

Nas subidas e descidas, em cada passada, em cada gota de suor, em cada inspiração e expiração, em cada ultrapassagem, em cada Km vencido eu pensava que assim seria com o processo da elaboração da tese: a linha de chegada estava mais próxima e eu chegaria lá.
Nos momentos em que eu ultrapassava alguém que corria em menor velocidade e também nos momentos em que eu era ultrapassada pelos mais velozes eu me lembrava dos colegas da turma do doutorado, que vivem os mesmos desafios, dos que já defenderam, dos que ainda estão lá atrás e pensei: na corrida e na tese não estou competindo com ninguém, o importante é que todos cheguem... Que todos vivam a alegria, a leveza e a liberdade de chegar!

E pensei mais: E se eu não chegar a completar a corrida? Sim, poderia acontecer! Eu prossegui: É só uma corrida. E a vida é muito mais que uma corrida... Imediatamente continuei: E se eu não conseguir completar a tese? Tudo bem, eu pensei: a tese é bem mais que uma corrida... Sim, mas a vida é bem mais que a tese! E continuei correndo... E continuo escrevendo.

Embora tenhamos metas a perseguir e que são catalizadoras de momentos de alegria, não alcançar todas elas não é o fim da vida. Tudo é aprendizagem! Tudo, por mais doloroso que seja!
Cruzei a linha de chegada da corrida, mas senti uma alegria grande mesmo foi quando vi uma placa dizendo que faltavam 500 metros! E desse processo todo de elaboração da minha tese falta um pouco mais que 500 metros. Vejo vocês na linha de chegada!



#CorroPorqueNãoTenhoAsas
#SigoEmBusca
#SumakKawsay

20 de ago. de 2014

Missing data

Em minha pesquisa de tese, graças, a priori, à falta de eficiência dos tribunais de contas, tenho muitos dados faltantes (missing data) em meu banco de dados, gerado a partir de indicadores fiscais, orçamentários e de transparência de 282 municípios brasileiros (todos com população superior a 100 mil habitantes).

Para clarear as ideias e lidar melhor com esse problema, estou lendo o livro Missing data: a gentle introduction, dos autores Patrick E. McKnight; Katherine M. McKnight; Souraya Sidani; Aurelio José Figueredo, publicado pela editora Guilford Press, 2007 (New York).

Encontrei algumas citações interessantes no livro, que gostaria de partilhar no blog. Inicialmente pensei em fazer uma tradução livre, mas por falta de tempo e para oferecer aos leitores o texto original, segue!

"As the old saying goes, the only certainties are death and taxes. We'd like to add one more to that list: missing data. As any social scientist can attest, missing data are virtually guaranteed in research studies."
“The best solution to handle missing data is to have none.” (R. A. Fisher)

No Prefácio do livro, os autores agradecem a um colega chamado Lee Sechrest, que colaborou com sugestões valiosas para o livro. Ainda de acordo com os autores, Lee propôs quatro “leis” que foram recentemente publicados por Bradley Smith (2006) e essas influenciaram sua forma de pensar, de forma que decidiram apresentá-las no livro. Eis!

Lee’s Law Number 1: Everything eventually turns up.
This law says that missing data often are not missing. If the data are simply misplaced on our desk, a thorough search may very well turn up data we believed to be missing.

Lee’s Law Number 2: More is better than less.
We view this law not from the perspective of missing data but from the perspective of data. If we have more actual data, that can offset missing data. More missing data, however, we would not want!

Lee’s Law Number 3: Rarely is there such a thing as a true catastrophe.
Unless all information is lost, most missing data situations can either be prevented or treated. Catastrophic data loss is rare enough that we do not need to prepare ourselves for that outcome.

Lee’s Law Number 4: Nothing in statistics or research methodology requires you to do something stupid.
This last law is our guiding principle. Thoughtful approaches should always be preferred. No procedure warrants using unsound data-handling methods. People who have misused or performed contraindicated analyses should own up to the mistakes and not blame an approach. At the heart of it all, we embrace a philosophy where researchers calmly approach missing data as an interesting question rather than as a catastrophe. The researcher acts as a detective, “solving” the problem without compromising the integrity of the study.

9 de jul. de 2014

8 de jul. de 2014

Experiências de uma Coleta de Dados

Na administração pública, muitas vezes a eficiência é uma questão de "vontade"!
Em uma determinada prefeitura, uma despesa de capital, aquisição de uma veículo - Jetta Comfortline Preto - para a Secretaria Municipal de Administração, foi empenhada em 03/01/2012, liquidada em 13/01/2012 e paga em 16/01/2012 (R$ 73.090,00).  Modalidade de licitação: Inexigibilidade com Processo.
Quanta eficiência!
O segredo dessa prefeitura para ser tão eficiente precisa ser divulgado!!! Não gostaria de cogitar quais incentivos motivaram tamanha eficiência no processo de compra.

#ProjetoMinhaTeseMinhaVida

17 de jun. de 2014

Experiências de uma Coleta de Dados

Quando me perguntam o que sou, respondo: Sou contadora [de histórias] e a coleta de dados da tese está ajudando a repor o estoque de histórias para contar.

O município tem pouco mais de 180 mil habitantes e [pasmem] trinta e três secretarias municipais (sem considerar as superintendências e assessorias)!!!
Alguns exemplos: 
Secretaria de Defesa da Cidade e Secretaria de Desenvolvimento da Cidade (???)
Secretaria da Dignidade
Secretaria de Estatística
Secretaria de Saúde e Secretaria Extraordinária de Administração e Saúde (???)
Secretaria de Ordem Pública e Secretaria de Serviços Públicos
Secretaria de Ciência Tecnologia e Ensino Universitário (Em um Município!!!)
Secretaria da Mulher
Secretaria da Melhor Idade
Secretaria de Prevenção ao Uso de Drogas

Pelo ritmo, é possível imaginar que ainda faltam algumas pastas, tais como: Secretaria das Crianças, Secretaria das Minorias, Secretaria das Cotas, Secretaria das Pessoas em Situação de Risco Social...
E por aí vai!

Se estivesse com mais tempo livre iria pesquisar os salários dos secretários e os vínculos dos mesmos com o digníssimo prefeito municipal.
#ProjetoMinhaTeseMinhaVida

Atualização: Nem tudo está perdido! Uma notícia no site do município informa que o atual prefeito encaminhou projeto de reforma administrativa ao Legislativo Municipal, em que propõe a extinção de 12 secretarias.

Contabilidade Pública e Accountability

Ao ler esse texto do Prof. Inaldo da Paixão Santos Araújo e confrontar com algumas das minhas experiências com a coleta de dados para a minha tese nos sites dos municípios e tribunais de contas, me surgem algumas questões:
1) Para que aprovar leis?
2) Para que aprovar leis que não são cumpridas?
3) Para que aprovar leis tão fáceis de serem descumpridas?
4) Para que aprovar leis?

Uma das minhas experiências foi o indeferimento por parte de um tribunal de contas de uma informação que deveria ser tempestiva e pública para auxiliar no processo de accountability.
O motivo do indeferimento? Para que explicar?

A Contabilidade Pública e a accountability

Texto de Inaldo da Paixão Santos Araújo, publicado na Tribuna da Bahia em 14/06/2014

O art. 15 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, fruto dos ideais libertários franceses, garante à sociedade “o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.”
Inspirada nesse princípio, a Carta Magna brasileira de 1988 estabelece que o chefe do Poder Executivo possui a obrigatoriedade de prestar contas, que serão apreciadas pelo Tribunal de Contas e julgadas pelo Congresso Nacional (CF, arts. 49, IX, 71, I, e 84, XXIV).
A Constituição Federal, art. 70, também determina que “prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos [...]”. Na Bahia, a Carta Estadual considera o ato de prestar contas como Princípio Fundamental (art. 2º).
Essa obrigação constitucional de prestar contas representa a essência da accountability. Segundo esse fundamento, todo gestor deve responder por um compromisso assumido e prestar contas dos dinheiros da coletividade.
Simón Bolívar, o Libertador, defendeu a prática da accountability ao afirmar que “A Fazenda Nacional não é de quem vos governa. Todos aqueles a quem haveis tornado depositários de vossos interesses têm a obrigação de demonstrar-vos o uso que deles tenham feito”.
Embora inexista no Brasil um modelo padronizado, a prestação de contas compreende o conjunto de demonstrativos contábeis, de informações financeiras e de desempenho, que devem espelhar, com transparência, em determinado período, o resultado de uma gestão pública.
A Contabilidade Aplicada ao Setor Público contribui diretamente para uma melhor accountability, pois possibilita a elaboração de relatórios financeiros oportunos, comparáveis, verificáveis e transparentes.
Para compor o conjunto dessas demonstrações contábeis, a Lei n.º 4.320/64 determina que os resultados da administração pública sejam demonstrados no Balanço Orçamentário, no Balanço Financeiro, no Balanço Patrimonial e na Demonstração das Variações Patrimoniais. Além desses informes, a Lei n.º 4.320/64 indica outros dez relatórios financeiros como sendo obrigatórios.
Com o advento da LRF, novos demonstrativos passaram a ser exigidos, na tentativa de se buscar uma melhor transparência das contas públicas.
No Brasil, existe a convicção de se achar que tudo é resolvido por meio de leis, como se elas fossem o próprio Direito. Efetivamente não são. Além do mais, como pontuou o juiz americano Billings Learned Hand: “A linguagem da lei não pode ser estrangeira aos ouvidos de quem deve cumpri-la.”
Para ilustrar o que se afirma, registre-se que uma pequena cidade no sertão baiano, nos idos de 1989, já afixava, na sua praça central, um cartaz informando os recursos recebidos, suas origens e as devidas aplicações, classificadas sem os rigores da prática orçamentária. Porém, em linguagem acessível, apresentava os gastos com professores, médicos, vereadores, pessoal da limpeza, recuperação da estrada vicinal, aquisição de ambulância, bem como o saldo em caixa e o montante a pagar.
Percebia-se ali não uma contabilidade “criativa”, mas, sim, informativa, simples, transparente e fiel à prática da accountability.
Também, para fins exemplificativos, é oportuno rememorar que o escritor Graciliano Ramos, no relatório datado de 19/03/1928 e apresentado ao Conselho Municipal de Palmeira dos Índios, cidade da qual foi prefeito entre 1928 e 1932, sem nenhuma lei que impusesse responsabilidade fiscal, mas pautado em diretrizes morais, assim se posicionou:
Acho absurdo despender um município que até agora nada gastou com a instrução, 2:000$000 para manter uma banda de música. Dois contos de réis em letra de fôrma: os dispêndios têm sido maiores. Chamo a atenção do Conselho para o lançamento que existe à folha 179 do livro-caixa, com data de 04 de janeiro: “Importância paga a Manoel Orígenes para fornecimento de 23 fardamentos para a banda de música municipal – 1:152$000.” A despesa não foi autorizada, os fardamentos não foram entregues.
Mais do que imposição legal, a prática da accountability  é, desde sempre, essencial para a administração pública. Todos precisam saber o que é feito com o dinheiro de todos. Entretanto, a accountability somente se materializa com uma Contabilidade Aplicada ao Setor Público que possibilite a emissão de relatórios confiáveis.
E, se assim for, ter-se-á um governo transparente, sob o comando de um povo que seja capaz de compreender e contextualizar a sua realidade. Realidade que precisa também ser expressa em relatórios financeiros adequados e que correspondam aos anseios sociais.

23 de mai. de 2014

Experiências de uma Coleta de Dados

Parecer prévio do tribunal de contas

O voto do conselheiro de um determinado tribunal de contas (que em muitos casos são ex-deputados, ex-vereadores, políticos em fim de carreira, ex-presidentes de clubes de futebol e por aí vai...) foi introduzido pelas seguintes palavras:

“Preliminarmente, devo frisar que são parte integrante deste Voto os pareceres e conclusões do Corpo Instrutivo, naquilo que não conflitar com o meu entendimento. Nos casos em que ocorra a discordância de posicionamento, tecerei minhas justificativas no próprio tópico, alvo da discussão.”

Ou seja: o entendimento do conselheiro, mesmo sem formação técnica (embora devesse ter notório saber na área) prevalece sobre as conclusões do corpo técnico do tribunal (auditores com formação na área e aprovados em concurso público).

E isso se observa em muitos tribunais, com muitos conselheiros, na emissão de parecer prévio sobre as prestações de contas de muitos municípios desse nosso Brasil varonil.

Assim não dá, brava gente brasileira!


#ProjetoMinhaTeseMinhaVida
“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)