15 de mar de 2016

Um mágico no Congresso Brasileiro de Contabilidade


Este ano, no mês de setembro, será realizado o 20º Congresso Brasileiro de Contabilidade (CBC) na cidade de Fortaleza – CE.


O tema do congresso é Contabilidade: Transparência para o Controle Social.

O preço da inscrição para profissionais de contabilidade atualmente está em R$ 1.200,00 (sem alimentação e nem hospedagem).

Mas, o objetivo desse texto não é divulgar informações básicas sobre o CBC, mas questionar algumas escolhas feitas pela organização do mesmo:

1º) A organização deveria repensar o tema central do congresso com abordagem na transparência para o controle social, uma vez que o atual presidente do Conselho Federal de Contabilidade foi condenado por fraude em concurso público (Processo nº. 0008442-29.2013.4.02.5101 (2013.51.01.008442-7)) em benefício do próprio filho e o CFC se cala, assim como os conselhos regionais e seus representantes;

2º) O Brasil passa por um momento delicado em sua estrutura política e democrática e o CFC não emite uma única palavra diante de tais fatos, ao contrário de outros órgãos de classe muito mais atuantes, numa postura pouco transparente e pouco comprometida com as questões relevantes do país;

3º) A organização do CBC anunciou orgulhosamente na última semana uma das grandes palestras do congresso: a de um mágico, sobre o tema: "A fórmula mágica do sucesso". 

Como assim? O país atravessa um momento de crise política e econômica e o CBC traz um palestrante para falar da fórmula mágica do sucesso? E desde quando o sucesso tem fórmula mágica?

Eu aprendi desde a infância e transmito o mesmo aos estudantes com os quais tenho a oportunidade de conviver na universidade que o sucesso não tem fórmula mágica, mas ao contrário exige trabalho sério, árduo, persistente.

Temos tantos temas relevantes para discutir e aprofundar, que envolvem questões contábeis de ordem técnica e também questões de ordem econômica, social e política. Mas teremos um mágico tentando ensinar a fórmula mágica do sucesso.

Talvez um mágico seja até interessante sim em um Congresso de Contabilidade, mas para executar a façanha de transformar os contadores, em geral, em profissionais mais corajosos, transparentes, atuantes, menos apáticos e mais éticos. Isso sim, de várias formas, pode nos conduzir ao sucesso.

19 comentários:

  1. Acho que o valor é voltado para as empresas. Ninguém realmente se preocupa com alunos, professores, pesquisadores (que nem é profissão reconhecida no Brasil mesmo, para que se preocupar com eles!?).

    O que eu achava que entendia de direito foi por água abaixo... na minha leiga percepção quem tinha um cargo como o de presidente de Conselho de Classe e fosse condenado com trânsito em julgado deveria perder o cargo e os direitos políticos. Não? Certamente estou equivocada e há algo que o ajude a mesmo sendo condenado poder continuar no cargo. Mesmo que a “avançada idade” o tenha liberado de prisão... O que eu não entendo é como esse coronelismo é tão forte que o cara, professor de ÉTICA, erra conscientemente e continua no cargo. Independente de condenação... Como ele recebeu tantas homenagens de conselhos regionais, como a esposa dele escreve que é contadora e bla bla não aceita corrupção. Eles se separaram? Não até onde eu sei. Então não vem falar que é verde e amarelo. A única presidente representando o nosso gênero faz parte de um esquema que certamente nem começamos a imaginar o tamanho e força.

    Acho que escolher um mágico foi nos chamar abertamente de otários. O cúmulo do absurdo em um congresso sobre transparência. Mágica é para ajudar a fazer fraude e manipular os livros contábeis, que já está bem demonstrado que no Brasil há um bocado e é desnecessário. Mágica é truque, ilusão de ótica, enganação. É isso mesmo que vão colocar em um congresso de contabilidade!? Nossa. O bom senso passou bem longe.

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    1. Obrigada pelo comentário. Acrescentou muito à ideia do post.

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  2. Eu, inicialmente, também discordo da idéia do palestrante, mas prefiro não criticar porque não sei do conteúdo da palestra. Muito menos conheço ele.

    Vai que a idéia central (a fórmula mágica) é realmente o trabalho...

    Contudo, concordo plenamente com as críticas iniciais. Eu não pago por isso.

    Até dei baixa no meu CRC no final do ano passado.

    P.s.: eu nunca pagaria esse valor por palestras motivacionais. Kkkk. Mas temos que reconhecer e dar uma moral a alguns colegas que estão tentando colocar um pouco de Contabilidade no evento. Parabéns a eles. Aos outros...

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    1. Entendo, Felipe! Mas se ele for falar que o sucesso é fruto do trabalho, onde está a mágica? Isso todos nós aprendemos.

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    2. Essa é a idéia das palestras motivacionais. Eles falam o que todo mundo já sabe. Kkkk

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    3. Já que eles falam o que já sabemos, a relevância é perdida.

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  3. Fico pensando...
    Quantos vão viajar para praia com tds despesas pagas pela classe contábil (CRC/CFC). Será q é para isso q serve a anuidade q pago td ano?!

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  4. Fico pensando...
    Quantos vão viajar para praia com tds despesas pagas pela classe contábil (CRC/CFC). Será q é para isso q serve a anuidade q pago td ano?!

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  5. Num congresso passado estavam entre os palestrantes um senador que não acredita na contabilidade, um astronauta que usou o dinheiro público para ganhar dinheiro e um político estrangeiro. Sejamos otimistas: melhorou.

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    1. Acho que tens razão, Prof. Cesar! Olhando edições anteriores até evoluímos, mas queremos melhorar mais.

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  6. Nunca gostei de mágico no circo, na HBO, imagina em palestra. Não é que está melhor mesmo? Ao menos ninguém pagou para o Al Gore aparecer.
    Mas todo esse conjunto de questões é desesperador. O mágico é só um convite para entrar em todas os problemas que sabemos.

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  7. Eu gosto da atual gestão do CFC. O Congresso Brasileiro é importante e não tem que se vestir de acordo com o que esperam. Se fosse para satisfazer a todos, nada sairia e o mágico foi contratado a muito tempo.

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  8. A crise ética se alastrando Brasil afora.! Triste!

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    1. É isso, prof. Alexandre! Precisamos ter coragem de enfrentar e discutir nossas mazelas para poder resolvê-las.

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  9. Achei o comentário muito infeliz! Notadamente de alguém que se preocupou muito mais em criticar do que em expôr uma opinião substancial sobre o tema. Realizo palestras e cursos de contabilidade em todo país e em todos os casos cito que o sucesso é uma questão de sorte (sorte = esforço, trabalho e dedicação), o tema da palestra do mágico é atrativo, tem um ar subjetivo para despertar o interesse sobre o tema, o que demonstra que não estamos a frente de um leigo, mas sim de um profissional que deve entender de marketing e vendas, características deficitárias de muitos profissionais contábeis. Quanto ao valor do CBC, concordo que não é barato, no entanto em qual momento foi analisado o que será oferecido em contra-partida? Vejo todos os dias a juventude ser estimulada a viver em festas caras, camarotes e ostentação. No entanto, quando o investimento é em sua carreira profissional aparecem meia dúzia de críticos! O congresso será um grande evento, vale a pena participar, estar em contato com profissionais bem sucedidos discutindo assuntos de relevância para a profissão contábil. Fica o convite!

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    1. Felipão, valeu pelo convite mas vou ter que recusar pois a minha bolsa de pesquisador não me permite "investir" R$1.200 em palestras. Parabéns pela carreira de sucesso.

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    2. Obrigada pelo comentário, Felipe! Não quero impor a minha opinião, mas incentivar a crítica e o debate a partir da proposição de pontos de reflexão.

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  10. Omisso, este é o sobrenome do nosso órgão de classe. E não só diante do cenário brasileiro atual, em tudo.

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  11. O nosso conselho deveria aumentar a fiscalização nas empresas, para assim, forçosamente, valorizar o profissional contabil. Criaria uma demanda de serviços! Quanto a palestra motivacional, certamente deve ser para se conseguir mais clientes. Total antagonismo, quando temos serviços feitos a 99,00.

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Sua participação é muito importante para as discussões de ideias contábeis e outras mais. Obrigada!

“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)