1 de out de 2012

Uma crítica ao EnANPAD

Um post de retorno, uma crítica aos custos dos nossos congressos científicos

Esse ano participei pelo quarto ano consecutivo do EnANPAD (Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração). Embora, em geral goste do congresso pela diversidade temática dos trabalhos apresentados, não tenho muitas motivações para submeter nos próximos anos, pelo menos não no curto prazo.
O congresso é organizado em onze divisões acadêmicas, e estas em temas de interesse. As divisões estão listadas a seguir.

ADI - Administração da Informação
APB - Administração Pública
CON - Contabilidade
EOR - Estudos Organizacionais
EPQ - Ensino e Pesquisa em Administração e Contabilidade
ESO - Estratégia em Organizações
FIN - Finanças
GCT - Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação
GOL - Gestão de Operações e Logística
GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
MKT - Marketing

Trata-se de um dos congressos mais caros da área, um estudante (graduação, mestrado ou doutorado) que não fica hospedado nos hotéis recomendados pelo evento, que mora na cidade do evento, por exemplo, não consegue participar sem gastar cerca de R$ 1.100,00! Este ano o nível de economia de despesas do evento assustou... Não se tinha nem mesmo água para beber nas salas onde ocorreram as sessões de apresentações dos trabalhos, onde o coordenador da sessão e demais congressistas ficavam pelo menos duas horas. Nada de certificados impressos... Consciência ecológica? Tenho lá minhas dúvidas se isso é amor às árvores e à Camada de Ozônio! E uma pasta vergonhosa, que não tem utilidade nem mesmo para levar livros para a faculdade ou fazer compras no supermercado. Porém essa redução de custos não se refletiu em um único centavo de economia para os participantes. Mas é “status” estar no EnANPAD... E muitos acadêmicos vão lá desfilar seus achados, teorias, grifes e narizes empinados...
Acho que os organizadores desse congresso (a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração e seus líderes) precisam de algumas lições de Contabilidade de Custos! Gostaria de ver prestações de contas do EnANPAD, contas auditadas das atividades da Associação e um contador assinando os relatórios! Vamos reduzir essa assimetria informacional!
A propósito, existe a divisão acadêmica de Contabilidade, mas sempre ficamos no porão! Isso mesmo! Os trabalhos da área de Contabilidade foram apresentados no segundo subsolo do Hotel Windsor na Barra da Tijuca – Rio de Janeiro, onde o evento vem ocorrendo há três anos consecutivos.
Durante um tempo que passei no congresso pensei por algumas vezes... Por que não promover as discussões do EnANPAD nas instalações de uma universidade? Uma das nossas federais, onde a maioria dos participantes têm vínculos? Ou qualquer outra? Por que não relevar o quanto custa de verdade esse congresso?
Será que é só a academia que ganha com esse(s) congresso(s)? Será que é só a fronteira do conhecimento que se expande com esse congresso? Espero estar errada, espero que sim!

2 comentários:

  1. Eu nunca fui ao Enanpad e não tenho nenhuma vontade de ir. Meus congressos são USP e Anpcont e é para eles que eu irei todos os anos! Exceto se não tiver recursos para pagar a viagem. kkk

    Não se justifica um congresso com um preço tão alto. Alguns colegas que foram disseram que vale à pena pelas festas... Mas não estou ligando muito para festas. Em um congresso, minha festa é dentro do congresso, conversando com os colegas da área, assistindo e participando dos trabalhos, tendo feedback do meu trabalho etc.

    Eu boicoto o Enanpad e só irei a ele se meu orientador me "sugerir", ou uma vez por curiosidade. E, atualmente, não estou curioso para participar dele.

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  2. Pois é. Felipe! Minhas participações no EnANPAD têm se dado principalmente na divisão de Administração Pública. Mas não pretendo enviar no próximo ano.

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Sua participação é muito importante para as discussões de ideias contábeis e outras mais. Obrigada!

“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)