31 de ago de 2011

Os números dos balanços

Bem que o professor Eliseu Martins enfatiza em suas aulas: para analisar balanço é preciso conhecer o negócio, o cenário econômico, a história da companhia, levantar hipósteses... Não dá para analisar os números friamente! Eles podem apresentar informações enganosas e distorcer uma realidade! Não há como ter certezas! E nada melhor do que comentar o texto dos outros!! Meus comentários estão em vermelho entre colchetes.

Balanços mostram desaquecimento

Texto de Silvia Fregoni, Marina Falcão e Fernando Torres - Valor Econômico - 31/08/2011

A desaceleração da economia já deixou marcas nos balanços das empresas [A contabilidade evidenciando o resultado das empresas, como reflexo do cenário econômico, que não é nada cartesiano!]. Os resultados das cem maiores companhias abertas [Qual o critério de definição?] no segundo trimestre confirmam que receita e lucro cresceram em um ritmo inferior ao do trimestre anterior [Mas ainda assim grandes empresas como Vale e Petrobras têm apresentado lucro recorde]. As vendas perderam força e os custos pressionaram os resultados.

O lucro líquido das empresas não financeiras totalizou R$ 36,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 13,7% na comparação com o mesmo período do ano passado, um ritmo muito inferior à expansão de 61,7% verificada no primeiro trimestre.

A desaceleração da economia começou a deixar de forma clara seus reflexos nos balanços das empresas. Os resultados das cem maiores companhias abertas brasileiras no segundo trimestre confirmam que receita e lucro cresceram em um ritmo inferior ao verificado nos três primeiros meses do ano.

Além do aumento das vendas perder força [Mas continua aumentando!!], os custos e as despesas pressionaram os resultados. Para o terceiro e o quarto trimestres, a expectativa é que o desaquecimento continue e que o peso da inflação comece a diminuir [Até o momento não se falou em inflação aqui e agora já se cogita diminuir se peso?]. A dúvida é quando a esperada mudança na política monetária - com a possível redução dos juros - vai de fato se concretizar e ajudar os balanços [Ajudar os balanços ou ajudar as grandes empresas – ainda mais?].

O lucro líquido das maiores empresas não financeiras totalizou R$ 36,4 bilhões no segundo trimestre e subiu 14% na comparação com o mesmo período de 2010, em um ritmo bem menor que a expansão de 62% verificada no primeiro trimestre, em relação a igual intervalo do ano passado.

O resultado seguiu a trajetória da receita líquida, que avançou 14% no segundo trimestre, para R$ 284 bilhões, contra crescimento de 21% no primeiro. Os números são de levantamento do Valor Data, com dados informados pelas empresas em IFRS [Como já tem pesquisa acadêmica detectando diferença entre as normas do CPC e as normas originais do IASB, eu diria CPC GAAP!!].

"A desaceleração nos resultados das empresas no segundo trimestre já estava no script", avalia Caio Megale, economista do Itaú Unibanco. Para ele, apesar de mais tímidos, os números ainda são vigorosos e, em certa medida, "o desaquecimento foi saudável" [É isso! Nada de exageros].

Um vilão dos balanços [Por que dos balanços? Os balanços são apenas o retrato, a simplificação de uma realidade bem mais complexa! A economia afeta o resultado das empresas, os fluxos de caixa, a liquidez, o custo de capital...] foi o patamar de custos. Embora tenham subido menos que no primeiro trimestre, os custos ainda cresceram mais que as vendas das companhias, 17%. Por outro lado, o resultado financeiro foi favorável, com queda da despesa financeira líquida [Redução de despesa financeira pode ocorrer por vários fatores, tanto internos quanto externos à empresa... Precisa de análise mais apurada!] mas ainda assim insuficiente para melhorar os números finais.

As margens brutas e operacionais (antes do resultado financeiro e de impostos), que haviam subido no primeiro trimestre, tiveram queda quase generalizada.

No setor siderúrgico, por exemplo, que sofre com a concorrência do aço importado, as companhias não conseguiram repassar o aumento do minério de ferro e do carvão aos produtos vendidos.

As construtoras e as companhias aéreas também sentiram [o aumento] os custos e as despesas. No primeiro caso, os insumos e a mão de obra tiveram grande aumento. Na aviação, o petróleo pesou, além de menor crescimento de demanda por voos devido à crise [Como assim? Todo dia vemos reportagens apontando a crise nos aeroportos brasileiros que não suportam o crescimento da demanda!!! Talvez a concorrência e o menor preço médio das passagens aéreas seja um fator relevante]. Para controlar custos e fazer frente ao novo cenário, a TAM anunciou ontem, por exemplo, que fez um ajuste nos planos e desistiu de ampliar a frota doméstica no ano que vem.

Mais confortáveis estão companhias de varejo como Pão de Açúcar e Lojas Renner, que mantiveram tanto o ritmo acelerado de crescimento como as margens [Todos compram e dividem para 10 vezes sem juros! Onde está a crise?]. Entre as que elevaram menos as vendas, mas aumentaram as margens estão a mineradora Vale e a companhia de bebidas Ambev [Essas provavelmente estão conseguindo gerenciar melhor seus custos].

Matéria relacionada: Alta menor da receita vai se repetir nos próximos trimestres (Marina Falcão, Fernando Torres e Silvia Fregoni - Valor Econômico - 31/08/2011)

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