22 de abr de 2010

Governança Corporativa e Retorno

Governança gera retorno de 21,7% sobre patrimônio

Matéria publicada no Portal FinancialWeb em 21/04/2010

Livro mostra que empresas da América Latina que são pioneiras no assunto registram maiores lucros do que as que não investem no conceito

A governança corporativa tem gerado benefícios financeiros. Segundo publicação inédita da BM&FBovespa e do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), cerca de 12 companhias pioneiras das boas práticas de governança na América Latina registraram retorno sobre o patrimônio líquido médio de 21,7% entre os anos de 2005 a 2007. Sendo que o restante das organizações que não fazem parte do chamado “Círculo de Companhias latino-americanas” obtiveram média de 16,7% no mesmo período.

O levantamento está no livro “Guia Prático de Governança Corporativa: Experiências do Círculo de Companhias da América Latina” lançado no dia 15 de abril. As 12 empresas analisadas pelo estudo foram: Argos (Colômbia), Ferreyros (Peru), Homex (México), ISA (Colômbia) e Marcopolo, Natura, NET, Suzano, Ultrapar, CCR, CPFL e Embraer (Brasil).

A publicação tem o objetivo de promover as melhores práticas de gestão, transparência e respeito ao investidor na região. A iniciativa é do International Finance Corporation (IFC), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Global Corporate Governance Forum.

Dividido em sete capítulos, o Guia oferece oportunidade para líderes empresariais aprenderem com as bem sucedidas estruturas de governança adotadas, o livro evidencia o sucesso dessas políticas ao comparar os indicadores operacionais e o custo de capital das empresas do Círculo com seus pares na região.

Números

As companhias com mais governança pagaram mais dividendos em relação ao seu lucro – 34% dos lucros por ação, ante 11% registrado nas demais. As integrantes do Círculo ainda são mais alavancadas financeiramente. Um indicador bastante positivo, pois sinaliza o quanto elas têm mais condições de acessar os mercados de dívidas de longo prazo e financiamentos bancários a custos razoáveis.

Sobre o retorno das ações, verificou-se que as melhorias de governança implantadas foram seguidas por um aumento médio imediato de 8% no valor das ações acima do que seria normalmente esperado. O estudo mostra que, para cada US$ 1 investido numa carteira hipotética ponderada do “Círculo de Companhias”, em 31 de dezembro de 1997, resultou, no final de 2008, em US$ 15,45 (ou 1.445%). Já o ganho em uma carteira ponderada com todas as empresas latino-americanas atingiu US$ 3,41 (ou 241%).

Os autores da publicação também compararam o desempenho das companhias com governança durante a crise, isto é, avaliando se os bons resultados obtidos nos anos 2005-2007 se mantiveram durante 2008. Mais uma vez, as integrantes do Círculo revelaram: um retorno sobre o patrimônio líquido superior (7,9% em comparação a 5,1% dos seus equivalentes latino-americanos); uma margem EBTIDA maior (18,6%, ante 13,7%) e um melhor índice de solvência (8,3 em comparação a 1,8 das restantes). Considerando só o período da crise, a carteira das ações do Círculo sofreu menos do que o conjunto formado pelos papéis de todas as companhias latino-americanas: uma perda de - 41,3% do seu valor em dólares americanos no ano de 2008, ante - 49,3% sofrida pelas demais.

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