3 de dez de 2012

Relevância da opinião dos auditores


Opinião do auditor segue relevante

Fonte: Valor Econômico, por Fernando Torres (29 Nov. 2012)

Pesquisa realizada pela PwC e divulgada com exclusividade ao Valor no Brasil mostrou que, a despeito de eventuais questionamentos e dos casos de fraudes que vez por outra aparecem, os investidores ainda valorizam bastante o trabalho do auditor externo. Entre 104 investidores e analistas ouvidos, 67% discordaram da afirmativa que não faria diferença saber se um balanço era auditado ou não, dado que o próprio investidor faria sua própria avaliação dos dados.
O levantamento mostra também que 77% dos investidores provavelmente não investiriam em empresas com ressalvas no parecer de auditoria.
O estudo revelou ainda que os analistas de países emergentes dão mais importância ao relatório de auditoria. Do total, 91% dos investidores desses mercados disseram que sempre leem o parecer do auditor, ao passo que o índice global ficou em 46% - provavelmente pela menor incidência de ressalvas.
Em relação ao nível de independência percebido pelo mercado, há uma divisão dos resultados em relação à auditoria externa e ao comitê de auditoria, órgão de assessoria dos conselhos de administração para checagem dos controles internos.
Enquanto 46% dos respondentes disseram que concordam que existe independência do auditor, apenas 26% fizeram a mesma afirmação em relação aos comitês. No Japão, que recentemente viveu o escândalo contábil da empresa de tecnologia Olympus, 83% disseram não acreditar na independência de comitês de auditoria.
A pesquisa identificou também que pouco mais de 60% dos investidores gostariam que informações contábeis ajustadas, dados sobre remuneração de executivos e medidas específicas setoriais fossem auditadas.
Já em relação a temas como estratégia de negócio e informações sobre responsabilidade social, menos de 30% consideram que seria necessário auditoria - embora o índice seja maior em países emergentes, que têm mais indústrias de recursos naturais.
De acordo com Richard Sexton, sócio líder global de auditoria da PwC, é possível identificar na pesquisa que os investidores estão pedindo mais informações, mas elas não precisam vir apenas da auditoria externa.
"Dentro de dois anos deve haver uma mudança no parecer do auditor, mas isso não deve ser visto como um movimento isolado. As companhias são as geradoras primárias de informação."
O estudo mostra, por exemplo, que há interesse entre os investidores de se ter a opinião do auditor sobre itens como julgamentos contábeis da administração e medidas de resultado setoriais, como receita média por usuário (Arpu) na telefonia. De acordo com Sexton, muitos investidores presumem que esses indicadores são auditados pelo fato serem divulgados junto com os números dos balanços oficiais, quando na verdade não são.
Já em relação a temas como estratégia e modelo de negócios, os investidores entendem que devem ser apresentados pela diretoria das empresas.
Sem negar sua origem inglesa, Sexton defende que também nos temas de divulgação e de governança corporativa, assim ocorre no IFRS, o foco principal deve estar na essência, e não na forma. "Estamos muito preocupados com a estrutura. O princípio por trás de tudo é que o investidor quer informações confiáveis e relevantes. Se isso for seguido, podemos ser menos específicos sobre quem reporta o que", diz.
Ele diz, por exemplo, que não há nada mágico no formato dos comitês de auditoria, exigidos em países da Europa e nos Estados Unidos, mas que não são obrigatórios no Brasil. "O investidor quer que a empresa tenha conselheiros independentes focados em boa governança e que possam falar com acionistas e com os auditores. A forma que isso toma, seja num comitê oficial ou não, é menos importante."
Para o sócio-líder de auditoria da PwC Brasil, Jorge Manoel, as próprias empresas estão preocupadas em manter a confiança. "Quem não é transparente hoje certamente acaba recebendo uma punição severa do mercado." 


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