3 de abr de 2009

Misericórdia e piedade para os bancos!

Normas mais brandas podem elevar lucro de bancos comerciais dos EUA

Do Valor Econômico (02/04/09)

Grandes bancos dos Estados Unidos, como Citigroup, Bank of America e Wells Fargo, receberão um estímulo-surpresa nas suas receitas de primeiro trimestre com o relaxamento das controversas normas contábeis estabelecidas pelo Conselho de Padrões de Contabilidade Financeira (Fasb, na sigla em inglês), esperadas para hoje.
Executivos e auditorias de Wall Street dizem que a provável aprovação das mudanças das regras de "marcação a mercado" por parte do órgão controlador do setor contábil poderá levar a aumentos de até 20% nos lucros trimestrais dos grandes bancos comerciais.
As mudanças, aprovadas às pressas pela Fasb devido a pressões políticas e de instituições de crédito, foram duramente combatidas por bancos de investimento, investidores, auditores e analistas. As mudanças facilitarão às empresas, inclusive bancos, avaliar os seus ativos usando seus próprios modelos internos no lugar de preços de mercado. Eles também só precisarão reconhecer uma parte de qualquer deterioração nos seus lucros.
Os proponentes das mudanças, como o Citi, BofA, Wells e seus aliados políticos, argumentam que o regime atual amplia as perdas injustamente, ao exigir que bancos usem preços de mercado mesmo se esses preços forem ilíquidos e muitas vezes forem causados por vendas desenfreadas. Os oponentes dizem que mudar as regras minará ainda mais a confiança do investidor no combalido setor, por reduzir a transparência dos balanços patrimoniais dos bancos.
A reforma contábil, eles acrescentam, vai contra a tentativa do governo dos EUA de criar um mercado líquido para ativos problemáticos através de parcerias público-privadas. Em comentários encaminhados ao Fasb, o CFA Institute, entidade de classe de mais de 80 mil analistas e gestores de fundos, disse que as novas regras poderão prejudicar a credibilidade do órgão regulamentador e das normas contábeis dos EUA de forma geral.
As normas também estão sendo consideradas pelo Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb, na sigla em inglês), que prometeu trabalhar junto com seu oposto dos EUA. O Iasb amenizou as suas próprias normas de valor justo em outubro sob pressão da União Europeia. Opositores da mudança temem que Bruxelas aplique novas pressões para levar o Iasb a seguir o exemplo do Fasb.
Em carta publicada ontem no "Financial Times", o regulador do mercado mobiliário holandês Hans Hoogervorst considerou a interferência política no setor contábil um "desdobramento perigoso". Se a fixação de normas contábeis for vista como um processo político, "a confiança nos mercados será minada ainda mais".

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