14 de jan de 2009

Brasileiro é um dos mais otimistas em relação à crise

Brasileiro é um dos mais otimistas em relação à crise, mostra estudo
De acordo com dados de 17 países, 49% veem piora; no Brasil, taxa é de 19%; Islândia e Japão são os mais pessimistas
Por Márcia De Chiara

O brasileiro está entre os mais otimistas em relação aos efeitos da crise econômica nos próximos meses, apesar de o pessimismo dominar quase a metade da população mundial , revela pesquisa feita pelo Ibope Inteligência em parceria com a rede global de pesquisas Worldwide Independent Network of Market (WIN) em 17 países.
A enquete realizada para detectar o impacto da crise no mundo mostra que 49% dos 16 mil entrevistados nesse conjunto de países acreditam que a situação econômica de seu país vai piorar nos próximos três meses. Mas, no Brasil, apenas 19% apostam na deterioração da situação econômica do País e 34% acreditam numa melhora.
"O Brasil está entre os mais otimistas quanto aos impactos da crise, ao lado de outros países emergentes, como Índia e China", observa o diretor de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência, Eduardo Krenke. Na Índia e na China, 39% e 27% da população, respectivamente, acredita que a situação de seu país vai melhorar em três meses. Na análise de Krenke, o forte crescimento registrado pelos países emergentes nos últimos anos dá resistência aos impactos da desaceleração econômica.
A pesquisa mostra que a Islândia, o primeiro país a pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional, e o Japão são os países com a população mais pessimista, seguidos pela França, Alemanha e Reino Unido. Já os Estados Unidos, onde a crise começou, mantêm um certo otimismo em relação ao Japão e Reino Unido, por exemplo. O diretor do Ibope atribui esse resultado ao "efeito Obama", com perspectiva de que o presidente eleito venha equacionar boa parte dos problemas. Além disso, o país ainda ostenta a imagem de maior potência econômica.
Krenke observa que a maioria dos estudos sobre crise indica que ela se torna real quando a pessoa perde o emprego. Isso explica por que 79% dos brasileiros esperam que a sua renda familiar cresça nos próximos 12 meses. A enquete foi feita entre a segunda quinzena de novembro e a primeira de dezembro último, antes, portanto, de efeitos como desemprego ficarem mais evidentes, sobretudo no Brasil.
A confiança do brasileiro supera a grande maioria dos países em vários quesitos. Numa escala de 1 a 10, em que 1 significa total desconfiança e 10 confiança plena, 6,7 foi a nota média atribuída pelos brasileiros à capacidade de o governo lidar com a crise, enquanto a nota média para os 17 países ficou em 5,2. Quanto à solidez e confiança nos bancos, a nota atribuída pelos brasileiros foi 6,1, ante 5,3 que foi a média mundial.No caso da confiança no mercado acionário, o Brasil se destaca como país mais confiante, com nota 5,7, muito acima da média mundial, 4.
BAIXA RENDA
A exemplo do otimismo que prevalece nos países emergentes, a confiança na situação econômica é maior entre as camadas de menor renda e nas regiões que concentram essa fatia da população, como o Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A enquete revela, por exemplo, que 47% e 44% da população do Norte/ Centro-Oeste e Nordeste, respectivamente, acreditam que a situação econômica vai melhorar em três meses. No Sudeste, região mais pessimista, apenas 24% apostam em uma melhora.Em relação às classes sociais, 47% da população das classes D e E acreditam que a situação econômica vai melhorar nos próximos três meses, ante 31% das classes C e 25% das classes A e B.
Numa escala de 1 a 10, as classes D e E atribuem nota 7,1 na capacidade do governo de administrar a crise, muito acima da média nacional que é 6,7. "Os programas do governo para as classes de menor renda contribuíram para os índices de aprovação", observa Krenke.
Fonte: Estadão

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