6 de jan de 2011

O SPC/SERASA das Cias Abertas

CVM faz lista suja de empresas
Texto de Vera Batista disponível no Correio Braziliense em 06/01/2011

Comissão de Valores Mobiliários informa que 37 companhias, entre elas, a Estrela, sonegam informações aos investidores

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu dar um basta às empresas com ações negociadas em bolsa que não seguem a legislação à risca e sonegam informações ao mercado. Trinta e sete companhias — incluindo uma estrangeira — entraram em uma lista negativa, das quais sete tiveram o registro de capital aberto cassados. Com isso, a autarquia quer indicar aos investidores que pensem muito antes de comprarem papéis dessas empresas, pois podem estar levando para casa gato por lebre por não terem disponíveis as informações necessárias para a avaliação dos negócios.

Segundo a CVM, há cerca de um ano, as 37 companhias não apresentam importantes informações periódicas. “São dados relativos a faturamento, volume de ações e resultados patrimoniais, entre outros, que podem interferir na decisão do investidor na hora de comprar ações negociadas na Bolsa de Valores”, disse Jorge Luís da Rocha Andrade, superintendente de Relações com Empresas em exercício da CVM. Alertas como esses são semestralmente divulgados pela CVM, na tentativa de dar transparência às relações com os investidores. Além da má-fama, as companhias ainda têm de pagar multa diária de R$ 500 até acertarem a situação, seus diretores podem ser advertidos ou mesmo impedidos de atuarem no mercado.

A Laep Investments, controladora da Parmalat, embora tenha recentemente anunciado planos de fazer aquisições nos setores de estacionamento e de material de construção brasileiros a partir de 2011, ainda não apresentou os documentos do primeiro trimestre de 2010, apesar de seu prazo ter vencido em 14 de maio. Na relação da CVM, constam outras 29 empresas brasileiras em situação semelhante. A maioria, antigas conhecedoras das regras de mercado, como a Estrela S/A, fabricante de brinquedos, que se orgulha de ser “uma das primeiras a abrir o capital, em 1944, constituindo-se em sociedade anônima”.

Das sete organizações de capital aberto que tiveram os registros cancelados pelo órgão regulador, nenhuma poderá ter as suas ações negociadas em bolsa. O Grupo Varig, que está há cinco anos em recuperação judicial e teve a falência decretada em agosto de 2010, só agora será afastado definitivamente do ambiente de negociações. “A empresa falida continua existindo e com o registro ativo. Essa situação não altera os negócios. O cancelamento ocorreu porque a Varig está há mais de dois anos sem prestar informações à CVM”, ponderou Jorge Andrade.

Calote aumenta 20%
Os gastos descontrolados nas festas de fim de ano vão provocar um aumento de 20% na inadimplência em janeiro de 2011, em relação ao mesmo período de 2010. Segundo análise da Rede Check OK, empresa de verificação eletrônica de crédito, o comércio já começou a sentir os primeiros efeitos da dificuldade de pagamento das dívidas. É que muitos se entusiasmaram além da conta com as facilidades oferecidas pela lojas.

“O varejo comemorou 15% de aumento nas vendas. Mas, na verdade, o que se tinha não era dinheiro em circulação. Era apenas crédito”, alertou Edson Monteiro, diretor da Rede Check. Ele informou que já foram incluídos cerca de 110 mil registros de dívidas a mais do que o ano anterior e a tendência é de que a inadimplência continue a crescer, principalmente no Carnaval, se consumidores e lojistas não tomarem os devidos cuidados.

Para Monteiro, é importante que o comércio avalie o comportamento e não apenas a capacidade de pagamento do cliente. “Ou seja, se ele paga em dia, se tem outros compromissos financeiros acumulados e se ultrapassou ou não o ponto ideal que não permita mais uma nova prestação. Por isso, o Cadastro Positivo é um bom instrumento para identificar os hábitos de consumo e o risco individual de cada consumidor”, assinalou. Para o mês de fevereiro, a Rede Check OK sinaliza a continuidade da alta dos índices de inadimplência, porque a maioria das pessoas não se programou para os pagamentos das tradicionais dívidas do primeiro trimestre, como IPTU, IPVA e matrículas escolares. (VB)

Inflação do carro sobe 7,48% em 2010
» Os brasileiros gastaram mais com a manutenção do carro em 2010. A inflação do setor, medida mensalmente pela Agência AutoInforme, aumentou 7,48% ante 2009. O item que mais contribuiu para a alta foi o estacionamento ( 24,44%) — o gasto médio por motorista passou de R$ 9,80 para R$ 11,90. A lavagem também ficou entre os vilões, com reajuste de 9,28%. O álcool fechou o ano custando 6,21% a mais e a gasolina, 0,55%. Mesmo não tendo grandes saltos, os combustíveis têm peso significativo no índice, já que, juntos, respondem por 31,21% do total das despesas dos motoristas. De acordo com a agência, o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) recuou 6,67% em 2010, já que os preços médios dos veículos caíram — a tendência deve se repetir em 2011.

Brasil lidera otimismo
O Brasil é o quinto país no mundo em otimismo empresarial. De acordo com a pesquisa International Business Report (IBR), 79% dos empresários brasileiros estão otimistas em relação ao desempenho econômico para 2011, percentual bem acima do registrado em 2010, que era de 71%. “É a consequência de anos de estabilidade econômica e das expectativas positivas quanto às Olimpíadas e à Copa do Mundo”, explicou Madeleine Blankenstein, sócia para Assuntos Internacionais da Grant Thornton International, organização responsável pela pesquisa.

A América Latina, segundo o ranking da IBR, lidera o otimismo mundial, com 75% dos empresários privados esperançosos com a região neste ano. O Brasil é superado pelo Chile, com 95%, mas está acima da Argentina (70%), e do México (64%). “A política de câmbio flutuante e o aumento do poder aquisitivo, com redução das diferenças entre ricos e pobres, fazem parte do amadurecimento do Brasil, que melhora o conceito diante dos países desenvolvidos e fortalece a América Latina”, destacou Madeleine.

A pesquisa aponta que, na Região Ásia-Pacífico (sem Japão), apenas 50% se mantêm otimistas, enquanto na América do Norte são apenas 26% e, na Europa, 22%, abaixo da média global apurada pela Grant Thornton, de 23% — situação previsível, por conta dos países que enfrentam problemas como recessão e excesso de endividamento público. Os resultados da IBR, de acordo com a executiva, indicam que a situação preocupante da Zona do Euro pode colocar em risco a moeda única. Na Ásia, chama a atenção o desempenho da China, onde o otimismo baixou de 60% para 42% ao longo do ano.

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